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Caminhada reúne centenas de pessoas para pedir paz e tolerância religiosa

Ana Esther Gomes | Ter , 15/11/2016 às 17:32 | Atualizado em: 15/11/2016 às 19:43

 

 

 Partindo do fim de linha do Engenho Velho da Federação, a caminhada aconteceu pelas ruas do bairroMila Cordeiro | Ag. A TARDE
Partindo do fim de linha do Engenho Velho da Federação, a caminhada aconteceu pelas ruas do bairro. Mila Cordeiro | Ag. A TARDE

 

Centenas de pessoas se vestiram de branco e foram às ruas do Engenho Velho da Federação, na tarde desta terça-feira, 15,  para a XII edição da Caminhada pelo fim da violência, da intolerância religiosa, pela paz. A concentração ocorreu às 14h, no final de linha do bairro, onde está localizado o monumento em homenagem à Mãe Runhó.

Criada em 2004, em decorrência de retaliações feitas por  igrejas neopentecostais contra os terreiros do bairro, a Caminhada é organizada pelo próprio povo de santo que reside e celebra cultos no local.

“A importância dessa caminhada é a de trazer paz e mostrar que a intolerância religiosa existe sim”, diz a manicure Ludmila dos Santos Bastos, 35, moradora do Engenho Velho há mais de 30 anos.

“Meu terreiro é um dos organizadores, e a gente se engaja, se doa mesmo”, exprime a jovem.

Este ano, a passeata não apenas abordou questões religiosas, como também aspectos sociais importantes que estão sendo debatidos atualmente no país, com o tema Professoras e professores, alicerces e pilares da educação.

A ideia é ressaltar a relevância dos educadores na construção de uma cidadania ampla, avessa ao racismo, sexismo e outras formas de violência.

“Estamos aqui para combater o preconceito religioso, e também o racismo”, afirma a  mãe de santo Ebomi Nice de Oyá, uma das principais lideranças religiosas da Bahia.

“O que nós queremos é respeito, porque o Estado é laico. E mesmo que não fosse, proclamar nossa fé, é um direito nosso”, reitera a sacerdotisa, que tem sua história marcada pela defesa da cultura afro-brasileira.

Barreiras 

O povo de santo enfrenta  barreiras, até mesmo judiciais, para ser celebrar seus rituais livremente no Brasil. Exemplo disso, é a legalidade do sacrifício de animais em cultos religiosos que deverá ser votada em breve pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Para a yalorixá Hildete Laurindo de Jesus, 54, a liberdade religiosa é também uma questão de reafirmação racial. “Muitas pessoas têm vergonha de ser negro e da cultura do negro. Precisam entender que ser negro é lindo. Eu tenho o maior orgulho. Ando de cima para baixo com a minha saia e turbante”, relata.

Acompanhada pelos seus netos – Rickelme Vicente, filho de Exu, e Alessandra Laurindo, filha de Oyá – a mãe de santo participou de todas edições da Caminhada. “Desde que nasci fui criada no candomblé, é a minha religião. Me foi passado de avô para filho, e agora estou passando para os meus netos”, relata a sacerdotisa.

 

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1816272-caminhada-reune-centenas-de-pessoas-para-pedir-paz-e-tolerancia-religiosa

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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