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Casa de memórias: após 11 anos fechada, residência de Jorge Amado e Zélia Gattai vira memorial

Este é primeiro dos 11 equipamentos turísticos e culturais, que serão entregues até 2015; Os próximos homenageados serão Verger e Carybé
Virgínia Andrade
(Com supervisão e orientação de Diego Mascarenhas)

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Jorge Amado e Zéla Gattai no jardim de sua casa no Rio Vermelho

Rua Alagoinhas, número 33. Este é o endereço da residência do casal de escritores Jorge Amado e Zélia Gattai, que por 47 anos cultivou histórias, memórias e lembranças. No terreno de mil metros quadrados, comprado com o dinheiro da venda dos direitos de ‘Gabriela Cravo e Canela’, construíram juntos o espaço apelidado “A Casa do Rio Vermelho”. Lá, além de abrigarem grande acervo de arte popular, Jorge e Zélia recebiam amigos, artistas e intelectuais, e abriam as portas para admiradores desconhecidos de todos os cantos do Brasil e do mundo.

Decorada com pinturas de Carybé e repleta de símbolos do Candomblé, a residência serviu de refúgio para o romancista escrever obras como ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’ e ‘Quincas Berro D’Água’. Foi nesse lugar tão especial que, poucos dias antes de completar 89 anos, Jorge faleceu. Conforme desejava, seu corpo foi cremado e as cinzas enterradas junto às raízes de uma velha mangueira, no jardim de sua casa, ao lado de um banco onde costumava descansar na companhia de Zélia. As cinzas da escritora, morta em 2008, também estão enterradas no lugar.

 

As cinzas de Jorge e Zélia estão enterradas no jardim da residência do casal
As cinzas de Jorge e Zélia estão enterradas no jardim da residência do casal

Em 2003, dois anos após a morte do romancista, sua família mudou-se de endereço e desde então a casa está vazia. Fechada há 11 anos, a casa será reaberta, no dia 2 de julho, como memorial em homenagem à memória dos escritores. A data não foi escolhida à toa. No dia, além da Independência da Bahia, comemora-se ainda o aniversário de Zélia Gattai.

O projeto é uma parceria da Fundação Casa de Jorge Amado com a Prefeitura de Salvador, que nos próximos 10 anos se responsabilizará pelo imóvel, com opção de renovação por mais uma década. O acordo de cessão foi assinado na manhã desta sexta-feira (31), na própria “Casa do Rio Vermelho”. Estiveram presentes na cerimônia, além de Paloma e João Amado, herdeiros de Jorge e Zélia, o prefeito ACM Neto, a vice-prefeita Célia Sacramento, o secretário de Turismo e Cultura de Salvador, Guilherme Bellintani e Myriam Fraga, à frente da Fundação.

 

Paloma Amado assinando acordo de cessão ao lado do prefeito ACM Neto
Paloma Amado assinando acordo de cessão ao lado do prefeito ACM Neto

Aberto ao público, o espaço será dividido em vinte ambientes temáticos, que contarão a história do casal. A restauração do imóvel está orçada em R$ 6 milhões, dos quais R$ 3 milhões serão investimentos da prefeitura e a outra captada pela Lei Rouanet. As intervenções devem começar logo após o Carnaval e a expectativa do secretário é que o memorial se torne um dos pontos turísticos mais visitados da Bahia. “O que queremos para a casa, primeiro, é apresentá-la da forma original como se estabelecia, acrescentando a isso elementos modernos de museografia, tecnologia e interatividade”, declarou Bellintani.

A iniciativa é uma das apostas da Secretaria no campo das políticas públicas de turismo, com foco no crescimento da visibilidade de Salvador. Embora lamente por a casa não ter ficado pronta a tempo de sua mãe conhecer, João Jorge acredita que a abertura tornará fãs e admiradores mais íntimos da história do casal. “A casa abre uma perspectiva para pessoas que admiram o escritor Jorge Amado e a escritora Zélia Gattai os conhecerem, além das suas obras, no seu dia a dia”, disse.

Parede de azulejos pintados com temas de Candomblé na Praça Zélia Gattai, um dos ambientes da casa
Parede de azulejos pintados com temas de Candomblé na Praça Zélia Gattai, um dos ambientes da casa

 

Ao longo dos 89 anos de vida, Jorge circulou em rodas de capoeira, serviu de tema para desfiles de Carnaval, teve suas histórias recriadas por trovadores populares e adaptadas para TV, cinema e quadrinhos. Seus personagens viraram nomes de ruas, batizaram praças, largos e estabelecimentos comerciais, além de darem nome a infusões com cachaça em conhecido bar do Pelourinho, em Salvador. Foi ogã de Oxóssi no Candomblé e se eternizou como um dos escritores brasileiros mais lidos no mundo, com romances traduzidos e editados em mais de cinquenta países.

 

Extraído do site IBahia.com

http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/casa-de-memorias-apos-11-anos-fechada-residencia-de-jorge-amado-e-zelia-gattai-vira-memorial/?cHash=6800c8e0af2f441f6a11f32d147120cd

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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