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Casal de Sacerdotes dá o tom e a nova cara na Umbanda

08.06.2017 14:52

Eles são raros como os cometas. Juntos fazem de um pequeno Templo Umbandista de São Paulo, um sucesso meteórico, fenômeno religioso apenas comparado a explosão que foi Padre Marcelo nos idos dos anos 2000, porém com uma notória diferença: o local não têm o impulsionamento de qualquer veículo de comunicação em massa.
Na contramão das febres de exposição excessiva, Alíssio Tully e Kelly Sanchez se isolam do mundo, com comportamento de monges tibetanos, vivendo praticamente no anonimato. Em raros momentos aparecem em curtos vídeos convidando o público para os trabalhos no Templo. Foto juntos é tarefa de arqueologia digital.

A religião

A Umbanda é uma religião brasileira que sintetiza vários elementos das religiões africanas e cristãs, porém sem ser definida por eles. Formada no Rio de Janeiro em 1908 pelo jovem Zélio Fernandino de Morais, onde Incorporou um espírito, se levantou durante a sessão e foi até o jardim para buscar uma flor e colocá-la no centro da mesa, contrariando assim a regra de não poder abandonar a mesa uma vez iniciada a sessão realizada na Federação Espírita de Niterói. Em seguida, Zélio incorporou espíritos que se apresentavam como negros escravos e índios. É considerada uma “religião brasileira por excelência” com um sincretismo que combina o Catolicismo, a tradição dos orixás africanos e os espíritos de origem indígena.

Pensamento positivo e 100% de fé

Toda sexta-feira é assim, centenas de pessoas, famosos e anônimos vão às chamadas “Giras” no Ceu Estrela Guia para vê-los, me refiro aos médiuns Alíssio Tully e Kelly Sanchez, que comandam com total amor, organização e disciplina uma “já” famosa instituição de caridade no bairro da saúde, zona Sul de São Paulo, mantida por ação voluntária dos médiuns que compõem o Templo, e doações voluntárias de anônimos.
São pessoas buscando fé, paz e equilíbrio e encontram ali um porto seguro. É curioso observar à transmutação facial dosemblante dos fiéis do período que antecede a entrada até a hora de irem embora.
O Templo religioso tem a identidade característica de terreiro de Umbanda mas, carrega traços com forte influência de templos orientais, mosteiros europeus e também uma pitada nacionalista através de uma enorme bandeira do Brasil na porta e, a própria identidade da religião em si.
Antes do início dos rituais e passes de descarrego, o casal se posta à frente do público com eloquência e enorme carisma, abordando o conteúdo religioso, assuntos relevantes e referentes ao atendimento do dia, e faz lembrar uma bancada de telejornalismo, e que faz remeter ao Eliakim Araujo e Leila Cordeiro – casal que apresentava o Jornal da Manchete, na extinta TV Manchete da família Bloch.
Levam palavras de fé, esperança, amor, superação, perdão, motivação e respeito à vida, Alíssio e Kelly se comunicam sempre comtrocas de olhares entre si. Além disso, todos os médiuns se apresentam a cada início de trabalho, onde formam uma espécie de “paredão energético” ou um “cordão de isolamento magnético” onde sem exceção, todos com largos sorrisos no rosto, o que torna ainda mais aprazível os momentos ali, na espera, sob aquele telhado sem laje. Com um mesmo sorriso pueril, todos são bem recebidos, sem distinção ou qualquer preconceito.
Ao final da preleção, todos ficam em pé e se abraçam fraternalmente num convite irrecusável de Alíssio e Kelly, onde sem palco eles dão um verdadeiro show de harmonia no palco do solo sagrado, e melhor, tudo gratuito.

Trabalho filantrópico

Vindos de infância pobre, o casal não esconde a satisfação de fazerem caridade de forma acolhedora.
Ele, ex-metalúrgico crescido em chão de fábrica, ela em obras de construção civil, fazem despertar o interesse pela Umbanda.
O Templo mantém relacionamento estreito e duradouro com outras instituições, tais como o Lar Maria & Sininha, dirigido pela Luciana Bispo, que mantém cerca de 100 crianças carentes em Eldorado, um bairro carente, divisa com Diadema, no ABC Paulista. “Conheço a mãe Kelly a mais de 25 anos, e nesse período ela sempre nos amparou, sempre nos ajudou espontaneamente com doações de alimentos, roupas, ministrou diversos cursos desde a época que minha mãe estava neste plano de vida – A Dna Cida – fundadora do Lar Maria & Sininha. A Mãe Kelly faz parte da história do Lar Maria & Sininha porque tamanho amor e benevolência são muito especiais, cujo coração é enorme, não cabe no peito dela. Falar dela faz meus olhos encherem de lágrimas”. – pondera Luciana Bispo.
Outra instituição com a mesma opinião é o Lar Mamãe Clory, em São Bernardo do Campo, região do Grande ABC. “Eles, (Ceu Estrela Guia) fazem um trabalho caritativo maravilhoso, não medem esforços para nos ajudar com campanhas de donativos. Sem contar a presença constante deles por aqui. Não há palavras para agradecê-los.” Pontua uma colaboradora.
O Templo, Ceu Estrela Guia promove todos os meses campanhas para estas e outras instituições. Além disso, o Templo promove festas, como a temática de ciganos e de gastronomia para o sustento do Templo.

Atualmente, para além da expansão e doutrina da fé umbandista, o casal se dedica ao diálogo inter-religioso, a trabalhos de caridade e à defesa dos direitos humanos.

Magos, pensadores, alquimistas e bem-humorados

Por onde passam são saudados com admiração, respeito e devoção. Mãe Kelly é conhecida por utilizar a alquimia nos rituaisdas Giras, com isso alia a magia para garantir a proteção espiritual do Templo. Pai Alíssio em doutrora fora humorista em rádio e jornais e como tal, sua fala e raciocínios são rápidos, porém não menos doce e não raro descontrai o público com comparações hilárias, faz paródias, conta histórias com pitadas de humor, clássico de um mestre na arte de fazer sorrir. “Ele é inteligente e bem humorado, um Pai de Santo mago na arte de levantar o astral de qualquer pessoa”. Quem diz isso é o cantor cearense Falcão, com quem Pai Alíssio, anos atrás, promovia o riso diariamente através das redes sociais, por meio de tiradas suegeneris.
Em 2012 Pai Alíssio escrevera em seu blog uma série humorística, “Como aproveitar o fim do mundo”, uma sátira sobre o calendário Maia sobre o boato que o mundo acabaria. Tal série fora aproveitada na Rede Globo e teve como protagonistas, o Danton Mello e Alinne Morais. Ainda no mesmo ano Alíssio foi cotado para integrar o humorístico Casseta & Planeta. Considerado no meio artístico e filosófico com um homem erudito, Alíssio é considerado como além do seu tempo, com raciocínio acurado a respeito do futuro.

Premonição e profecias

O princípio das Giras é comum aos demais Terreiros, e como tal faz arrepiar com o início dos rituais, entre eles as músicas entoadas ao som dos atabaques causando uma espécie de transe nos fiéis. Além de toda aura que os cercam, há também por trás, os Guias Espirituais que quando se manifestam nas Giras, falam verdades que causam surpresa, apesar que o intuito não é esse, ou seja, a manifestação dos Guias serve como sustentáculo energético e orientativo, e não um jogo de adivinhação com tentativas e erros. Durante minha última estada no Templo, em outubro passado, conversei com um Guia espiritual de Pai Alíssio de nome Exu Gira Mundo, onde espontaneamente me fizera duas fortes revelações.

“Duas vidas mudariam a história da minha família”, mas que era pra eu entender, não blasfemar contra o criador e que àquela [Casa] iria contribuiria energeticamente para que toda minha família tivesse sempre paz.

Bingo! Não sonhava em me tornar mãe, tampouco tinha ideia de estar gestante, pois era “apenas meu décimo dia de gestação”!
Pedro, já é um enorme alento para mim e toda família, que justamente perdemos um ente muito querido, meu primo e também jornalista Victorino Chermont, vitimado pela trágica queda do avião na Bolívia, assim como as demais 70 vítimas fatais.

DNA familiar de bondade

Segundo a ciência, tudo está contido no DNA onde há o registro de tudo que se viveu até mesmo nas gerações passadas. Desta forma conclui-se que a benevolência também está no sangue. Há dois registros nas famílias deles.

Vindo de família kardecista, seus Pais formaram um centro, cuja identidade se diluiu ao falecimento do Pai de Alíssio, em 2011.
Já mãe Kelly seguiu os passos de sua avó, médium de Umbanda.

 
Intolerância religiosa

No último dia 02 de maio, o Templo teve sua página do Facebook hackeada por supostos extremistas religiosos, pregando que toda adoração a imagens é prática condenada (sic) por Deus.
 “O ser humano está cada vez mais intolerante e usando menos a racionalidade. A fé precisa ser raciocinada, ampliando-se através do conhecimento e colocado em prática. Discriminação religiosa é no mínimo falta de bom senso à diversidade, podendo se transformar, como já vemos na realidade, em situações que criam o caos e a violência, sem contar que é crime sob pena de detenção. Nossa Constituição Artigo 5º, inciso VI, que a liberdade de consciência de crença é inviolável, assegurando a todos o livre exercício de cultos religiosos e tendo garantida a proteção aos seus locais de culto e suas liturgias. No que diz respeito ao Ceu Estrela Guia, e ao Pai e Mãe dirigentes, daremos à eles total apoio pois fazem um trabalho caritativo justo e perfeito”. Pondera Ronaldo Linhares, Presidente da Federação de Umbanda do ABC.

Na página mantida pelo Templo, há inúmeros estrangeiros que admiram o trabalho filantrópico e fã dos artigo que abordam filosofia, paz, física quântica e poemas. E a lista de personalidades não para por aí. É comum também políticos, empresários, atores, familiares de Ministros, os procurarem para receber um ‘Axé’, um abraço amigo, palavras de motivação e sentimentos puros.

Referência no País

Alíssio e Kelly dão uma nova cara para a Umbanda, vencendo as barreiras do preconceito e intolerância que ainda insiste em ter continuidade no Brasil. Contudo há uma legião de fãs dos artigos escritos por eles, um alento em meio há o vazio comum que ladeia a vastidão da internet. Entre os fãs está a jovem Maceioense Priscila Stachiera, que mês percorre mais de 2500 km uma vez ao mês para ir ao Templo. Numa destas ocasiões, conheceu seu marido alemão Frank no avião no trajeto para São Paulo. Casaram-se há cerca de 2 meses e estão em lua de mel, e ela não esconde sua felicidade.

“Nunca imaginei na minha vida que através de um texto de Facebook, pudesse me levar ao altar. Vivo um sonho, mas não basta apenas sonhar, é preciso de esforço, perseverança e fé para que nossas conquistas se realizem. Tenho certeza absoluta que meus guias espirituais me conduziram ao Ceu Estrela Guia, motivada pela ânsia do encontro comigo mesma, ao encontro com o sagrado e também conhecer pessoas iluminadas como Pai Alíssio e Mãe Kelly, meus pais espirituais com muito orgulho. Minha gratidão por eles é infinita e todo esforço para me deslocar até Sp é mínimo perto das possibilidades de equilíbrio que temos”. Pontua Stachiera

Porém alento maior é saber que pessoas benevolentes como Irmã Dulce, Padre Pio, Dorina Nowill, Francisco Cândido Xavier, plantaram uma semente que nascera em solo fértil do amor, da compaixão e da ternura, e mesmo com todo preconceito que ainda tange a Umbanda, é claro que de alguma forma isso se formou ali, bem ali, numa pequena casa azul no bairro da saúde em São Paulo cujo símbolo é um coração pulsante. Cada vez mais pessoas do Brasil.
Em tempo, em Julho nasce Pedro Alíssio, meu primogênito, homenagem a Pai Alíssio, e que seja também um arauto da boa nova.

 

Por Anne Marie Chermont – enviada da Pringsheim News Agency – 2009-2016

 

Fonte: Agência de notícias Pringsheim News Agency

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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