Casas de santo festejam Omulu no mês de agosto

Casas de santo festejam Omulu no mês de agosto

5 de agosto de 2014 0 Por Sérgio D`Giyan

Texto: Sérgio d´Giyan

Algumas casas de Candomblé se dedicam durante o mês de agosto para o orixá, onde toda a segunda-feira (dia consagrado ao Obaluaiyê) fazem suas rezas e louvor, pedindo proteção e agradecendo pela saúde e a vida.

No mês de agosto, costuma-se festejar no Candomblé, o Olubajé, o banquete oferecido aos orixás Omulu e Obaluaiyé, Nanã, Ossãe, Oxumarê e Ewá. Acredita-se que agosto foi escolhido devido ao sincretismo religioso com o santo católico São Roque (Obaluaiyé) e São Bartolomeu (Oxumarê). Algumas casas dedicam todas as segundas-feiras (dia consagrado a Obaluaiyé e Omulu) para rezarem e louvarem a esses orixás, pedindo proteção, vida e saúde.

Olubajé que quer dizer : Olú : Aquele Que; Ba : Aceita; Je : Comer. Ou seja: Aquele que come. O ritual tem origem numa lenda que é contada a partir de uma festa no Orun, onde todos os orixás foram convidados. Todos dançavam, porém quando Omolu foi dançar, passou a ser ridicularizado por todos,  pois ele dançava de maneira desengonçada, apontando suas feridas. Ao ver todos zombando dele, no final de sua dança, apontou para todos os orixás e sobre eles jogou uma praga, e conforme os dias foram passando, todos ficaram doentes, a terra se tornou improdutiva, foi quando pediram a Omolu para que tudo voltasse ao normal. Fizeram um grande banquete em homenagem a Omolu. Agradecido, retirou a praga e disse que a partir daquele momento, anualmente, o Olubajé seria oferecido a ele, além disso, que fosse servido como um ebó para limpeza de todos os participantes.

O zelador entra no barracão trazendo Obaluaiê, lançando sobre os presentes pipocas (doburus). Os atabaques tocam o ritmo específico do Orixá – o Opanijé. Sob aplausos e saudações, os adeptos exclamam saudações no idioma iorubá, e aos brados gritam “Atotô! “(silêncio, no idioma nativo). Nas suas vestimentas predominam as cores preta, vermelha e branca, para cada cor um significado. No Olubajé são preparados vários tipos de iguarias, que são colocadas em vasilhas de barro, e que serão servidas em folhas de mamona (Ewé Lará), onde são servidas as comidas de diversos orixás, excluindo o orixá Xangô, o qual mantém uma certa oposição. Acaçá, efó, abará, feijão preto, xinxin de galinha, doburu (pipoca feira na areia), omolokun, acarajé e axoxô, são iguarias típicas do Olubajé.

800px-Olubaje

O Olubajé é um ritual onde se celebra a vida e a saúde, necessários a todos nós, e ao som de cânticos e rezas o sacerdote traz o cortejo de filhos da casa, que trazem sobre a cabeça, as comidas que serão servidas numa folha de mamona. Dançam em roda, e vão passando ao zelador as vasilhas de barro, que as dispõe numa esteira (eni).

Durante todo este ritual, os cânticos são entoados e os filhos dançam  em volta da grande mesa, louvando o orixá. Os orixás dançam ao som da cantiga:

Araiyé Ajè unbó
Olubajé ajé unbó
Araiyé Ajè unbó
Olubajé ajé unbó

Os convidados comem as iguarias servidas com a mão. Ao final,  os restos não consumidos dentro da folha de mamona são passadas pelo corpo e depositados numa bacia ou cesto, pedindo saúde e prosperidade.

As comidas são retiradas, e os filhos saem em fila com as vasilhas sobre o ombro, onde serão colocadas  na casa de Obaluaiyê. Os atabaques anunciam que Obaluaiyê irá se retirar, os filhos, convidados presentes, louvam o orixá, agradecendo sua presença e pedindo sua benção.

Todos os orixás participam da festa com exceção de Xangô. Reza a lenda que Xangô ofereceu uma festa em seu palácio onde convidou todos os orixás, menos Obaluaiyé. Quando os orixás perceberam a falta de Obaluaiyé se retiraram da festa e foram pedir desculpas ao Rei da Terra. Obaluaiyé então determinou que todo ano seria oferecido uma festa em sua homenagem, excluindo Xangô dessa festa.

Em homenagem a esse grande orixá, o Jornal Awùre disponibiliza um vídeo produzido na casa de Mãe Wanda d`Osun, que tem seu barracão no bairro da Casa Verde, na grande São Paulo. Seus idealizadores são Carlos Nader e Renata Druck.