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Casas de santo festejam Omulu no mês de agosto

Texto: Sérgio d´Giyan

Algumas casas de Candomblé se dedicam durante o mês de agosto para o orixá, onde toda a segunda-feira (dia consagrado ao Obaluaiyê) fazem suas rezas e louvor, pedindo proteção e agradecendo pela saúde e a vida.

No mês de agosto, costuma-se festejar no Candomblé, o Olubajé, o banquete oferecido aos orixás Omulu e Obaluaiyé, Nanã, Ossãe, Oxumarê e Ewá. Acredita-se que agosto foi escolhido devido ao sincretismo religioso com o santo católico São Roque (Obaluaiyé) e São Bartolomeu (Oxumarê). Algumas casas dedicam todas as segundas-feiras (dia consagrado a Obaluaiyé e Omulu) para rezarem e louvarem a esses orixás, pedindo proteção, vida e saúde.

Olubajé que quer dizer : Olú : Aquele Que; Ba : Aceita; Je : Comer. Ou seja: Aquele que come. O ritual tem origem numa lenda que é contada a partir de uma festa no Orun, onde todos os orixás foram convidados. Todos dançavam, porém quando Omolu foi dançar, passou a ser ridicularizado por todos,  pois ele dançava de maneira desengonçada, apontando suas feridas. Ao ver todos zombando dele, no final de sua dança, apontou para todos os orixás e sobre eles jogou uma praga, e conforme os dias foram passando, todos ficaram doentes, a terra se tornou improdutiva, foi quando pediram a Omolu para que tudo voltasse ao normal. Fizeram um grande banquete em homenagem a Omolu. Agradecido, retirou a praga e disse que a partir daquele momento, anualmente, o Olubajé seria oferecido a ele, além disso, que fosse servido como um ebó para limpeza de todos os participantes.

O zelador entra no barracão trazendo Obaluaiê, lançando sobre os presentes pipocas (doburus). Os atabaques tocam o ritmo específico do Orixá – o Opanijé. Sob aplausos e saudações, os adeptos exclamam saudações no idioma iorubá, e aos brados gritam “Atotô! “(silêncio, no idioma nativo). Nas suas vestimentas predominam as cores preta, vermelha e branca, para cada cor um significado. No Olubajé são preparados vários tipos de iguarias, que são colocadas em vasilhas de barro, e que serão servidas em folhas de mamona (Ewé Lará), onde são servidas as comidas de diversos orixás, excluindo o orixá Xangô, o qual mantém uma certa oposição. Acaçá, efó, abará, feijão preto, xinxin de galinha, doburu (pipoca feira na areia), omolokun, acarajé e axoxô, são iguarias típicas do Olubajé.

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O Olubajé é um ritual onde se celebra a vida e a saúde, necessários a todos nós, e ao som de cânticos e rezas o sacerdote traz o cortejo de filhos da casa, que trazem sobre a cabeça, as comidas que serão servidas numa folha de mamona. Dançam em roda, e vão passando ao zelador as vasilhas de barro, que as dispõe numa esteira (eni).

Durante todo este ritual, os cânticos são entoados e os filhos dançam  em volta da grande mesa, louvando o orixá. Os orixás dançam ao som da cantiga:

Araiyé Ajè unbó
Olubajé ajé unbó
Araiyé Ajè unbó
Olubajé ajé unbó

Os convidados comem as iguarias servidas com a mão. Ao final,  os restos não consumidos dentro da folha de mamona são passadas pelo corpo e depositados numa bacia ou cesto, pedindo saúde e prosperidade.

As comidas são retiradas, e os filhos saem em fila com as vasilhas sobre o ombro, onde serão colocadas  na casa de Obaluaiyê. Os atabaques anunciam que Obaluaiyê irá se retirar, os filhos, convidados presentes, louvam o orixá, agradecendo sua presença e pedindo sua benção.

Todos os orixás participam da festa com exceção de Xangô. Reza a lenda que Xangô ofereceu uma festa em seu palácio onde convidou todos os orixás, menos Obaluaiyé. Quando os orixás perceberam a falta de Obaluaiyé se retiraram da festa e foram pedir desculpas ao Rei da Terra. Obaluaiyé então determinou que todo ano seria oferecido uma festa em sua homenagem, excluindo Xangô dessa festa.

Em homenagem a esse grande orixá, o Jornal Awùre disponibiliza um vídeo produzido na casa de Mãe Wanda d`Osun, que tem seu barracão no bairro da Casa Verde, na grande São Paulo. Seus idealizadores são Carlos Nader e Renata Druck.

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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