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Centro espírita é atacado e tem mais de 50 imagens destruídas

Caso aconteceu em Tanguá

    

Enviado Direto da Redação09/10/2017 às 07:45h

Ao abrir o centro espírita, a mãe de santo encontrou imagens quebradas e muita desordem
Foto: Divulgação

Por Marcela Freitas

 

Mais de 50 imagens quebradas e anos de histórias destruídos. Esse foi o cenário que uma mãe de santo de Tanguá encontrou ao abrir seu terreiro, na manhã de sexta-feira, no bairro de Duques. Vítima de uma suposta intolerância religiosa, a umbandista procurou a 71ª DP (Itaboraí), para registrar o caso.

A vítima contou a polícia que é responsável pelo centro espírita de Ile Oya. Às 6h30 de sexta-feira, ela foi ao terreiro, na Rua dos Hibisco, que fica próximo de seu imóvel, e quando chegou ao local, se deparou com várias portas do templo arrombadas e todas as imagens destruídas.

A mãe de santo disse ainda à policia que não escutou qualquer barulho durante o ataque. A religiosa explicou que não tem inimigos na região e que não sofreu ameaças anteriores.

Procurada pela equipe de reportagem de OSG, a mãe de santo informou que prefere não comentar o caso. A polícia Civil já solicitou imagens de câmeras de segurança do entorno que podem ter flagrado a invasão no templo.

Crimes crescem – Na Baixada Fluminense, pelo menos sete terreiros, foram vítimas de intolerância religiosa, assim como seus sacerdotes. Os ataques estariam relacionados a traficantes e 10 já foram indiciados pela Polícia Civil, suspeitos do ataques. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, em menos de um mês, foram registradas na pasta 32 denúncias de intolerância religiosa. Os ataques estariam relacionados à traficantes cristãos e pelo menos 10 já foram indiciados pela Polícia Civil do Rio, suspeitos dos crimes.

Novo aplicativo ajuda população a denunciar

O ataque ao centro espírita de Tanguá aconteceu quatro dias antes do lançamento do aplicativo “Oro Orum- Axé eu respeito”, que tem com objetivo de facilitar a recepção de denúncias contra intolerância religiosa, principalmente contra seguidores da Umbanda e Candomblé. Aos dados coletados vão gerar um mapeamento dos ataques dos terreiros para facilitar as investigações.

Para o Babalorixá Gilmar Oya, coordenador da Comissão de Matrizes Africanas de São Gonçalo (COMASG), que também integra a comissão responsável pelo aplicativo, disse que esse tipo de crime ainda é possível porque faltam políticas públicas voltadas para o povo de Matriz africana.

“ Temos dificuldades para registrar as nossas casas e enfrentamos preconceito até em cartórios, além da burocracia. Sem esses dados não temos o quantitativo de pessoas e isso implica na dificuldade de se fazer políticas publicas. Ficamos tristes com mais esses episódio”, declarou.

Gilmar aconselhou a mãe de santo do terreiro invadido a procurar o Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (CEPLIR), programa do Governo do Estado para o enfrentamento da intolerância religiosa e promoção dos direitos humanos.

“Não temos em nosso código penal a tipificação de intolerância religiosa. Em casos de danos a templos religiosos, a polícia registra como Injúria, invasão e coisas deste tipo. “, revelou.

 

 

Extraído do site do Jornal O São Gonçalo / São Gonçalo – RJ
http://www.osaogoncalo.com.br/policia/28464/centro-espirita-e-atacado-e-tem-mais-de-50-imagens-destruidas

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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