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Cerca de 1.500 pessoas caminham pelo fim da intolerância religiosa em Copacabana

Sétima Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa reuniu umbandistas, espíritas, judeus, católicos e outros religiosos

POR EDUARDO VANINI

21/09/2014 18:23 / ATUALIZADO 22/09/2014 10:17

 

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Mesmo debaixo de chuva, público caminhou ao longo da Avenida Atlântica – Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO – A Avenida Atlântica, em Copacabana, foi tomada por dezenas de cores e credos na tarde deste domingo, durante a Sétima Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. Mesmo debaixo de chuva, cerca de 1.500 pessoas, segundo policiais militares, participaram do evento, entre candomblecistas, umbandistas, espíritas, judeus, católicos, muçulmanos, evangélicos e outros. Nos discursos, o tom era de cobrança por mais rigor no combate à intolerância religiosa que tem se manifestado na forma de ofensas e ataques a templos em todo o país, em especial aqueles que abrigam religiões de matriz africana.

 A notícia mais comemorada foi dada pelo Conselho de Igrejas Cristãs do Estado do Rio de Janeiro, que prometeu agir na reconstrução de terreiros destruídos no estado em função de ataques.

– Precisamos ter um contratestemunho direcionado a uma ação tão poderosa quanto essa destruição. Queremos mostrar que essas atitudes, que são dadas como um comportamento cristão, não nos representa – disse a presidente do conselho, Lusmarina Campos Garcia. – Fui pastora da Igreja Luterana em Genebra por nove anos e estou disposta a articular um apoio internacional.

Representantes de dezenas de religiões participaram do ato - Domingos Peixoto / Agência O Globo
Representantes de dezenas de religiões participaram do ato – Domingos Peixoto / Agência O Globo

Interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) que promove a passeata, o babalawo Ivanir dos Santos enfatizou que o Brasil precisa tratar da mesma maneira todas as religiões e avançar no combate ao ódio religioso o quanto antes.

– Temos um Plano Nacional de Combate à Intolerância Religiosa que foi entregue ao governo Lula e ainda não aconteceu. Precisamos que seja executado – cobrou, pedindo à ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, presente no evento, que levasse a reivindicação aos governantes.

Ideli , por sua vez, acolheu as palavras de Ivanir, dizendo que ele tinha toda a razão em suas reivindicações:

2014092165160– Temos um débito com a sociedade sobre esses aspectos. Temos a diretriz para combater a intolerância no nosso Plano Nacional de Direitos Humanos, mas só conseguimos efetivar o Comitê da Diversidade Religiosa este ano. E uma das principais tarefas é organizar e estimular a criação de comitês nos estados, porque a questão da segurança é prerrogativa deles. Se não tivermos uma capilaridade, fica muito difícil atuar na garantia do estado laico – disse.

 

HOMEM FOI ARRASTADO POR TRIO ELÉTRICO

Poucos minutos após o início da caminhada, um homem que estava embaixo do primeiro trio elétrico foi arrastado por alguns metros. Segundo um integrante da organização que não quis ser identificado, ele teria entrado no espaço durante a madrugada para dormir e ninguém percebeu. O fato foi observado pelo público e, ao ser avisado, o condutor parou o carro na hora. O homem foi removido consciente, com ajuda de militares e civis, recebendo os primeiros cuidados numa ambulância do Corpo de Bombeiros. Ele foi levado ao Hospital Miguel Couto, onde passou por cirurgia e, segundo a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde, o estado dele é regular.

 

Extraído do Jornal O Globo

Read more: http://oglobo.globo.com/sociedade/religiao/cerca-de-1500-pessoas-caminham-pelo-fim-da-intolerancia-religiosa-em-copacabana-14004686#ixzz3E9EJwpp8

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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