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Cerveja tenta transformar futebol em religião, mas jurista contesta campanha

Cerveja artesanal Foca lança publicidade que propõe o futebol como sendo culto religioso, coim respaldo legal e direito até a matar o trabalho para frequentar o “culto” ao futebol no estádio

 Por Gabriela Chabatura – iG São Paulo | 21/04/2014 15:00

Você já imaginou ter o futebol como religião? É com esse propósito que a cerveja artesanal Foca, criada no Rio Grande do Sul, lançou na última semana uma publicidade que transforma o esporte mais popular do país em culto religioso. A campanha, no entanto, é questionada por especialista.

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Reprodução do site Futebol Religião, criado pela agência Grey

Criada pela agência Grey, o trabalho se respaldou no artigo 14 da Lei de Liberdade Religiosa, que prevê que “funcionários e agentes do Estado e demais entidades públicas, bem como os trabalhadores em regime de contrato de trabalho, têm o direito de, a seu pedido, suspender o trabalho no dia de descanso semanal, nos dias das festividades e nos períodos horários que lhes sejam prescritos pela confissão que professam”. Todavia, o advogado especializado em religião Gilberto Antonio Viana Garcia afirma que tal legislação não é válida no Brasil.

“O Brasil é laico e não possui lei específica sobre isso. Não há base legal para querer tornar o futebol uma religião”, disse Garcia à reportagem do iG Esporte. Ele ainda alega que a campanha se fez valer de uma regra de uma legislação portuguesa e não brasileira.

O que a cerveja Foca fez foi registrar no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, em São Paulo, um estatuto denominado Social CCTF (Comunidade Cristã dos Torcedores de Futebol) que defende os direitos dos membros, entre eles acompanhar os jogos do time do coração em “estádio, bares, restaurantes ou em qualquer outro local que propicie a transmissão de imagem ou som”.

“Após pesquisas, nós chegamos a uma ideia que ninguém tinha feito que era dar esse status ao futebol. A partir do momento em que você registra o estatuto no cartório, você eleva a culto religioso. E qualquer um pode fazer isso, basta olhar o número de igrejas que são abertas no Brasil”, falou Lucas Heck, diretor de criação da agência Grey.

A burocracia do registro, porém, não transforma o futebol em religião, segundo o advogado. “O futebol não pode ser considerado religião pela sua falta de dogmas, fé, liturgias e o transcendental. O futebol não trabalha o sobrenatural como é na religião”, defende.

Vale lembrar que, por meio do site, os fãs de futebol conseguem mandar um aviso prévio ao chefe para avisar sobre aquela “escapadinha” para assistir a uma partida de futebol.

Leia tudo sobre: igsp

http://esporte.ig.com.br/futebol/2014-04-21/cerveja-tenta-transformar-futebol-em-religiao-e-especialista-contesta-campanha.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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