Breaking News

Coletivo Iaoto promove oficina sobre a culinária dos orixás

 

A proposta de vivência busca promover o reconhecimento das comidas de santo enquanto memórias gustativas vivas da cultura afro-brasileira. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o próximo dia 20 de junho

02/06/2017 10h26

No Candomblé, a culinária votiva é preparada para ser consumida como preceito religioso, oferecida às divindades e também às pessoas. Nessa tradição, trazida pelos africanos, o alimento é fundamental para se comunicar com o sagrado e obedece formas de preparação comunitárias e ancestrais. Para promover a valorização desse patrimônio cultural gustativo, no próximo dia 1º de julho, será realizada a Oficina de Comida de Santo da Cozinha de Iansã – vivência onde os participantes acompanharão, durante um dia inteiro, a rotina de uma casa de Candomblé no preparo do akará.

Os interessados em participar devem preencher um formulário no seguinte endereço: www.iaoto.com.br As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o próximo dia 20 de junho. As vagas são limitadas e a lista com os selecionados será divulgada até o dia 25 de junho.

A Oficina de Comida de Santo da Cozinha de Iansã acontecerá no “Ilè Asé Odé T’Ojú Òmó”- Casa do Caçador, em Praia Grande, Fundão-ES, espaço religioso e ponto de memória, e integra o projeto Coração da Casa – iniciativa do coletivo cultural Iaoto com objetivo de compartilhar com a comunidade em geral o saber em torno da culinária votiva.

Durante a imersão, os participantes irão vivenciar como se dá os ritmos e as dinâmicas dessa culinária dedicada ao orixás e preparada para fins ritualísticos. Outra ação do projeto Coração da Casa consistirá numa mostra que será sediada no Raiz Forte Espaço de Criação, no Centro de Vitória, prevista para acontecer no segundo semestre deste ano e que apresentará os registros da Oficina.

O “Ilè Asé Odé T’Ojú Òmó”- Casa do Caçador é uma casa de candomblé, localizada em Praia Grande, Fundão-ES, do Babalaorixá Gildo de Oxóssi, e tem como sua Casa Matriz o Palácio de Oxalá,  localizado em Jacaraípe, no município de Serra, ES. Ambas da nação ketu, essa duas casas são próximas uma da outra, permitindo um interrelação constante para que as raízes culturais do candomblé ramifiquem-se de forma consistente e coerente com os seus fundamentos. Sendo o Babalaorixá Gildo de Oxóssi filho de Edson de Oxalá – iniciado por Wilson de Oxossi, do Ilè de Oxóssi e Oxum, dando a continuidade de suas obrigações com mãe Meninazinha de Oxum, que é filha de Iadavina de Omulú, que é filha de Procópio de Ogum, do templo Ilê Ogunjá, situado no Baixão, antigo Matatu Grande, em Salvador  – casa fundada por volta de 1906. Procópio de Ogum foi iniciado pela Sacerdotisa Africana Marcolina de Oxum, da cidade de Palha, África, em meados do século XIX e início do século XX.

Sobre o akará

O akará, mais popularmente conhecido como acarajé, é um alimento que representa bem a ancestralidade e a importância das comidas de orixá enquanto repositório da memória ancestral. O acarajé veio com os escravos nagôs das regiões iorubás da Nigéria e do atual Benin, em terras brasileiras era oferecido às divindades nos emergentes terreiros de candomblé da Bahia desde o início do século XIX, e tomaram as ruas e o domínio público com os tabuleiros das baianas.

Comida ritual da orixá Iansã, ou Oiá, o acarajé tem origem na junção de duas palavras do iorubá: “Akàrà”, que significa “bola de fogo”, e “jé”, comer. Considerado uma comida sagrada pelas baianas, quituteiras cujas primeiras representantes eram africanas alforriadas do Brasil Colônia e cujo ofício foi reconhecido como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2005.  

O projeto Coração da Casa conta com recursos do Fundo Estadual de Cultura do Espírito Santo, por meio do Edital nº 05/2016 – Seleção de Projetos Culturais e Concessão de Prêmio para Pontos de Memória, e com a parceria do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Ufes (NEAB) e do Raiz Forte Espaço de Criação. A realização é do coletivo cultural Iaoto – organização com 10 anos de existência e que busca promover o reconhecimento dos saberes ancestrais vinculados às religiões de matriz africana, especialmente ao Candomblé.

 

SERVIÇO

Oficina de Comida de Santo da Cozinha de Iansã – vivência que será realiza no dia 1º de julho no “Ilè Asé Odé T’Ojú Òmó”- Casa do Caçador, em Praia Grande, Fundão-ES.

 

Inscrições Gratuitas e até o dia 20 de junho no site www.iaoto.com.br

Divulgação dos selecionados: 25 de junho

Assessoria de Imprensa / Paulo Gois Bastos / 27 – 98134 – 6831

 

 

Extraído do portal da SECULT – Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo / Vitória – ES
https://secult.es.gov.br/Not%C3%ADcia/coletivo-iaoto-promove-oficina-sobre-a-culinaria-dos-orixas

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *