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Com as bençãos de Oyá, Mangueira disputa título

Richard Hollanda – 09 de fevereiro de 2016 às 05:45 (Atualizada em 09 de fevereiro de 2016 às 06:26)

 

André Campos/OREPORTER.COM Completando 50 anos de carreira, Maria Bethânia foi a homenageada pela escola
André Campos/OREPORTER.COM
Completando 50 anos de carreira, Maria Bethânia foi a homenageada pela escola

MARQUÊS DE SAPUCAÍ, RIO (OREPORTER.COM) – Sonhando em conquistar um resultado melhor do que o alcançado em 2015 – terminou em 10º lugar – a Estação Primeira da Mangueira homenageou a cantora Maria Bethânia com o enredo “Maria Bethânia – A menina os olhos de Oyá”, a Mangueira saiu da Sapucaí com o sentimento do dever cumprido. A escola passou pelo Sambódromo bem ao estilo da verde e rosa, com componentes cantando o samba e alegorias muito bem acabadas.

O desfile marcou, também, a estreia do carnavalesco Leandro Vieira noGrupo Especial. Em 2015, ele foi contratado após o bom trabalho realizado na Caprichosos de Pilares. Para esse carnaval, o tema proposto se debruçou no universo pessoal e artístico da cantora, construindo uma narrativa carnavalesca que lança luz em aspectos religiosos, em dados associados à carreira da intérprete, e a sua ligação afetiva com a cultura baiana.

O desfile foi dividida em seis setores: “Cabeça feita” num Candomblé de Ketu”, que apresentou aspectos religiosos da cantora; “Bethânia: dos orixás e dos santos de altar”, que abordou a devoção católica e o sincretismo religioso; “Um Brasil guardado na voz, um Brasil no Opinião”, que citou as referências musicais; “Celebrando a obra musical da “Abelha Rainha, voltado para os sucessos da cantora.

Os dois últimos setores levados pela verde e rosa são: “Mangueira apresenta “o palco” de Maria Bethânia”, lançou luz aos célebres espetáculos da carreira da cantora, e “Santo Amaro e o céu de lona verde e rosa”, que apresentou os aspectos culturais da cidade natal da cantora, Santo Amaro da Purificação.

Squell e Raphael representaram Ogã e Iaô
Squell e Raphael representaram Ogã e Iaô

Com a coreografia elaborada por Junior Scapin, a comissão de frente da Mangueira exaltou a orixá Oyá. Formado por mulheres negras, o grupo apresentou o arquétipo que associa Oyá ao símbolo de sensualidade e valentia. A dança apresentou vigorosa movimentação que faz menção ao expressivo gestual característico da orixá.

A apresentação exaltou os mitos, os signos, e a imagem de Oyá/Iansã de forma criativa, mas de difícil realização. No entanto, houve falta de sincronização durante alguns momentos durante apresentação no segundo módulo de jurados.
Squell e Raphael Rodrigues, casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mangueira, estavam com uma fantasia, de cor pastel, que fazia menção direta aos ritos, signos, e aos personagens do universo das “casas de santo”. Representando Ogã e Iaô, o casal – que está há sete anos na Mangueira – emanou a vibração do axé e a ancestralidade da Estação Primeira. Squell impactou o público estando “careca” graças a um truque de maquiagem.

A bateria “Tem que respeitar meu tamborim”, comandado pelo Mestre Rodrigo Explosão, realizou três paradinhas durante o desfile. A batida do surdo sem resposta manteve a singularidade da agremiação. Durante toda passagem pela Sapucaí, a bateria fez uma “levada” acentuada no “contratempo”, com os tamborins como diferenciais, dando evolução rítmica ao samba.

Bom gosto do carnavalesco ficou retratado nos carros
Bom gosto do carnavalesco ficou retratado nos carros

Um dos quesitos mais penalizados pela escola em 2015, as alegorias e fantasias elaboradas pelo carnavalesco Leandro Alves e sua equipe para a Sapucaí fugiram dos tons verde e rosa, mas sem perder a essência mangueirense. As alegorias ficaram marcadas pela boa estética e a apresentação do dourado e cores fortes. Um exemplo foi o abre-alas “Altar de devoção católica”, que explorou o dourado. O carro três – “Voa Carcará”, que teve o predomínio das cores verde e rosa, “Abelha rainha”, com tom azul marinho.

O quinto carro “Bethânia em cena”, apresentou alguns problemas elétricos. A alegoria tinha uma iluminação inconstante.

As fantasias levadas pela Mangueira foram marcadas pelo gosto, indo da utilização de palhas e cores pastéis. O rodopiar da ala das baianas – “Viva Santa Bárbara!”, foi facilitado com a fantasia, inspirada no traje de festa utilizado pelas baianas de Salvador nas cerimonias festivas do dia 4 de Dezembro – data que marca a festa da santa. O tom pastel com o dourado deu um aspecto estético e plástico totalmente harmônico.

Algumas alas tinham variações dos tons do rosa, dando um contraste interessante para quem acompanhava o desfile na Marquês de Sapucaí, como as das alas “Sabor Nordestino” e “Toque Sertanejo”. As alas “O voo de uma canção” e “Explode coração” tiveram destaque. A primeira com o contraste entre preto e dourado e a segunda, com tons vermelhos.

A evolução da verde e rosa, aliada a melodia do bom samba interpretado por Ciganerey, foi um destaque, com componentes cantando de forma fluida e espontânea o hino levado pela escola para a Sapucaí. A harmonia também foi um ponto positivo da agremiação. A escola estava uniforme, como se fossem diversas Bethânias em desfile simultaneamente homenageando e sendo homenageados.

Depois de alguns anos com resultados abaixo do que estava acostumada, a Mangueira retornou aos antigos carnavais. As bênçãos de Oyá e o bom trabalho exercido pelo carnavalesco Leandro Vieira foram essenciais. A Sapucaí e o público precisavam da Mangueira de volta ao seu lugar e isso aconteceu.

Agora, é aguardar a quarta-feira de cinzas e a abertura dos envelopes.

 

 

Extraído do portal de notícias O Repórter / Rio de Janeiro – RJ
http://www.oreporter.com/Com-as-bencaos-de-Oya-Mangueira-disputa-titulo,14247498970.htm

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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