Breaking News

Conepir pede ao MP que caso de intolerância religiosa seja investigado

Iyalorixá foi vítima de disparo de arma de fogo feito por homem que seria evangélico

Bruno Martins

20 Outubro de 2016 – 18:20

 

Bruno Martins
Bruno Martins

O Ministério Público de Alagoas recebeu na tarde desta quinta-feira (20) uma petição para que um caso de intolerância religiosa seja investigado em Maceió. O caso ocorreu no dia 25 de setembro durante festividades de Cosme e Damião realizadas no bairro do Benedito Bentes. Um confronto verbal entre os religiosos de matriz africana e evangélicos terminou com uma ialorixá vítima de disparo de espingarda calibre 12 que atingiu seu pulmão. O promotor Flávio Gomes da Costa vai analisar o material entregue e deve encaminhar a petição para que o inquérito seja aberto no 8º Distrito Policial. Foi também definido que o promotor irá visitar o babalorixá Pai Janerson, dono da residência onde o caso aconteceu, na próxima segunda-feira (24). O religioso está temeroso e só abre sua residência com ajuda de terceiros.

Entregaram a petição no prédio-sede das Promotorias da Capital, no Barro Duro, o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir), vinculado à Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), além de lideranças religiosas como o pai Célio e advogados dos envolvidos.

(Foto: Bruno Martins)
(Foto: Bruno Martins)

Promotor Flávio Gomes recebe petição das mãos da presidente do Conepir, Valdice Gomes

A petição sobre o caso recente foi o foco da reunião, porém a presidente do Conepir, Valdice Gomes, cobrou também do órgão que os casos em aberto envolvendo crimes do mesmo tipo sejam apurados. Ela pediu que fosse feito um levantamento de como andam essas ações na justiça. “Não temos esses casos aqui hoje, mas falamos com a secretária-adjunta de segurança Luci Mônica e vamos cobrar o resultado desses casos, principalmente deste último. Queremos buscar o diálogo para que a gente esteja mais constante com os órgãos de segurança. Isso tem que ter um fim”, relatou.

A presidente do Conepir também informou que o caso que deixou a ialorixá ferida já chegou à ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). O órgão do governo federal já enviou documentação pedindo a apuração do fato.

Valdice informou que Cristiane foi internada no Hospital Geral do Estado, já recebeu alta, mas ainda tem estado de saúde que inspira cuidados. Com apoio da Semudh, a ialorixá foi levada a um médico pneumologista para checar como está o funcionamento dos pulmões. Cristiane não se locomove com facilidade e está afastada do trabalho até sua recuperação.

O promotor Flávio Gomes definiu que vai visitar o babalorixá para falar sobre o caso. Na abertura do inquérito devem ser elencadas testemunhas para depor sobre a ocorrência. “A comitiva entregou o documento em clima de preocupação e abalo não só pela religião, mas também pelas vítimas”, declarou Flávio.

O caso

Pai Janerson realizava a festa em sua residência quando perto do final da celebração e pouco depois da chegada de Cristiane. Alguns evangélicos que passavam à porta da residência teriam começado a recriminar a celebração que estava acontecendo.

De acordo com a advogada de Pai Janerson, Kandysse Melo, um homem que participava da festa na casa do babalorixá disse: ‘Axé’. Um dos evangélicos replicou: ‘Axé, não. Respeite o meu amém’. O homem então respondeu: ‘Respeite o meu axé que eu respeito o seu amém’. O cristão então disse que o caso não ia ficar assim e saiu do local, enquanto um casal que iniciou a discussão permaneceu no local trocando ofensas.

Ao retornar, o evangélico chegou à frente da casa de Pai Janerson na garupa de uma motocicleta e armado com uma espingarda 12 desferiu um tiro contra casa, atingindo as costas da ialorixá Cristiane da Silva.

TAC

O promotor também citou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) feito há alguns anos para melhorar o tratamento de policiais militares com os religiosos das matrizes africanas. De acordo com Flávio Gomes, o MP visa que um novo TAC seja feito nos mesmos moldes, mas com novos ajustes, e que contemple os comandantes atuais da Segurança Pública e polícias Militar e Civil.

 

Extraído do site do Jornal Tribuna Hoje / Maceió – AL
http://www.tribunahoje.com/noticia/194136/cidades/2016/10/20/conepir-pede-ao-mp-que-caso-de-intolerancia-religiosa-seja-investigado.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *