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Confecção de presentes para Iemanjá gera polêmica

Jessica Sandes | Qua, 28/01/2015 às 08:16 | Atualizado em: 28/01/2015 às 08:16

 

 

Lúcio Távora | Ag. A TARDE Marcos Souza (de boina) é alvo de crítica de pescadores e mãe de santo
Lúcio Távora | Ag. A TARDE
Marcos Souza (de boina) é alvo de crítica de pescadores e mãe de santo

A menos de uma semana para a Festa de Iemanjá, a organização do evento é motivo de polêmica entre  pescadores e o gestor da Colônia Z1/Rio Vermelho, Marcos Souza, o Branco.

Um grupo formado por pescadores, a mãe de santo  Aíce de Oxóssi – que há 23 anos prepara os presentes para Iemanjá e Oxum – e o empresário Getúlio Soares procuraram o Jornal A TARDE para denunciar a postura do presidente da entidade.

Segundo eles, Marcos Souza não permite a participação dos pescadores que fazem parte da Z1 e “não respeita o significado da festa”. Joaquim Manoel dos Santos, por exemplo, colabora há 64 anos e diz que os integrantes da colônia são excluídos das escolhas e da produção do evento.

“Tudo nessa festa está às escuras. Não sabemos nem qual é o presente principal de Iemanjá. O festejo, que antes era feito por nós, hoje é organizado por uma pessoa só, que faz questão de nos excluir”, afirma.

Também incomodado com a atitude do presidente,  Gilson Alves conta que, em anos anteriores, os dirigentes convocavam os pescadores mais antigos para que cada um opinasse.

“Eram escolhidas três sugestões de oferenda principal. As propostas eram levadas para a casa da mãe de santo para ser decidido. Hoje, não sabemos nem se teremos os balaios de Iemanjá e Oxum”, explica Gilson.

Marcos Souza afirma que convocou três pescadores para participar das decisões, entre eles Gilson, um dos que reclamam da atual gestão da Z1.

Responsável por preparar os balaios de oferendas dos orixás, a mãe de santo Aíce de Oxóssi, do terreiro Odé Mirim, revela que, nos últimos sete anos, as ações religiosas foram financiadas por  Carlinhos Brown, devido a uma promessa do músico baiano.

Neste ano, ela diz ter recebido dois cheques do presidente da colônia. Um no valor de R$ 4 mil, pré-datado para 25 de fevereiro. Segundo Aíce, Marcos mandou que ela o trocasse por dinheiro, para comprar o material necessário.

“Quem vai aceitar trocar um cheque que eu nem sei se vai ter fundos? Como vou comprar em São Joaquim com um valor alto, sendo que os materiais não são adquiridos em um só lugar?”, questiona Aíce.

 

 

Mãe de santo Aíce depende de troca de cheque para preparar oferendas (Foto: Mila Cordeiro | Ag. A TARDE)
Mãe de santo Aíce depende de troca de cheque para preparar oferendas (Foto: Mila Cordeiro | Ag. A TARDE)

O gestor da Z1 declara que o terreiro foi contratado para preparar os balaios e que, caso não tivesse recurso para isto, outra casa seria procurada: “Mãe Aíce vai conseguir trocar o cheque, ela conhece Carlinhos Brown. Vai arranjar um jeito”.

De acordo com Marcos Souza, a verba de patrocínio só é disponibilizada pela prefeitura após a festa. “Já fiz o pedido de 13 mil balaios, confeccionados em Ilha de Maré, e o presente surpresa de Iemanjá está pronto há seis meses, mas não o revelo”, insiste.

Prefeitura

O secretário municipal de Desenvolvimento, Cultura e Turismo, Isaac Edington, informa que o recurso destinado à festa aumentou de R$ 103 mil para R$ 110 mil. Mas o valor só poderá ser repassado depois do evento devido a procedimento burocrático da prefeitura.

 

Preparativos para festa são intensificados

A Festa de Iemanjá só acontece daqui a cinco dias, mas as secretarias municipais já intensificam ações para a realização do evento.

De acordo com informações da assessoria da prefeitura, cerca de 20 funcionários  da Secretaria Municipal de Manutenção (Seman) estão trabalhando na poda de árvores na área de entorno da festa.

Galhos de árvores, que atrapalham a passagem de veículos ou interferem na rede elétrica, serão removidos  entre os bairros de Ondina e Amaralina.

A Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom) está responsável pela segurança e pelo ordenamento durante o festejo, além do combate à poluição sonora.

O órgão orienta os comerciantes para não excederem o limite de 85 decibéis de emissão de som. Já os proprietários de veículos particulares não devem superar os 70 decibéis.

“Quem for flagrado, no dia da festa, descumprindo a norma poderá sofrer as penalidades previstas em lei”, informa nota divulgada pela prefeitura.

A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), que vai fiscalizar o comércio informal, licenciou 646 comerciantes fixos e volantes para trabalhar nos festejos. No total, serão disponibilizados 225 sanitários químicos e 25 banheiros convencionais em todo o circuito.

Saúde

No dia do evento, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) vai atender às demandas de soteropolitanos e turistas em um módulo assistencial localizado no largo da Mariquita. Os atendimentos serão feitos das 10h às 22h.

Uma ambulância de suporte básico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) ficará de prontidão na unidade assistencial.

As unidades de pronto atendimento (UPAs) dos Barris e San Martín servirão de referência para os casos que demandarem avaliação com especialistas e ou exames complementares.

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador-BA
http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1655756-confeccao-de-presentes-para-iemanja-gera-polemica?direcionado=true

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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