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Consciência Negra foi marcada por debates e muita cultura, e “Experiências Afro-Brasileiras na Gestão Pública” fechará celebrações

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Ivanir dos Santos fala para a plateia que lotou o Imperator
Foto: Sérgio D´Giyan

Após conquistar centenas de pessoas no Centro Cultural João Nogueira, na Zona Norte do Rio, na tarde de ontem, com o primeiro evento em comemoração ao Dia da Consciência Negra – 20 de novembro –, O Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP) se prepara para o seminário“Experiências Afro-Brasileiras na Gestão Pública”, com o lançamento do livro “Os Afro-Brasileiros na Gestão Pública”, que ocorrerá no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e Instituto de História da UFRJ, às 13h30, dia 26. A feira cultural que ocorreu no Imperator teve a Botacara Produções Artísticas também como realizadora. O público aproveitou, gratuitamente, espaços de beleza, leitura, debates e lançamentos de importantes publicações, além de oficinas e espetáculos de dança e música.

Logo na entrada, os participantes visitaram o Espaço do Conhecimento, local reservado a publicações do CEAP que ratificam a importância da aplicação da Lei 10.639/03 (institui os ensinos das histórias da África e da Cultura Afro-Brasileira nas escolas de todo o País). Na ocasião, foram lançadas novas obras: “Lanceiros Negros na Guerra dos Farrapos”, “Ensino da Filosofia e a Lei 10.639”, “Capoeira: A Revolução do Berimbau e a Lei 10.639” e “Saberes e Fazeres Etnomatemáticos”. Para os autores, as realizações de sonhos em ver seus escritos publicados. “O ‘Lanceiros Negros’ mostra um grupo de soldados negros que não teve reconhecimento. Construí este livro para o CEAP a fim de que os leitores se questionem cada vez mais: quem foram os Lanceiros Negros? Que famílias tinham? É uma história contada com nosso olhar”, disse a autora Vera Dayse Barcellos.

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Plateia prestigiou o evento ontem no Imperator
Foto: Sérgio D´Giyan

“Fazer filosofia é uma atividade muito cara ao mundo inteiro, e a iniciativa do CEAP é fantástica ao dar a oportunidade de lançar esta obra. O objetivo é mostrar como o povo e a filosofia africanos foram deslegitimizados”, revelou Renato Nogueira.

 

Cinema e interação

Na sessão Baobá de Cinema, os espectadores assistiram ao documentário “Raça”, um filme sobre a igualdade, de Joel Zito. Logo após, interagiram com contadores de história, com o grupo “Vozes da África”, que trabalha desde 2003 a Cultura Afro-Brasileira.

Já no Painel Heranças, Mônica Lima; o conselheiro estratégico do CEAP, babalawo Ivanir dos Santos; Azoilda Loreto; e o secretário executivo da instituição, Ele Semog, debateram a aplicação da Lei 10.639 e a religiosidade.

Para a Coordenadora do Laboratório de Estudos Africanos -LeÁfrica – do Instituto de História da UFRJ, Mônica Lima, a sociedade precisa considerar, cada vez mais a questão da herança. Segundo ela, as formas com que as pessoas de vestem, dançam e vivem seus cotidianos são reflexos do que foi deixado por antepassados. “Herança significa uma quantidade de bens, e temos uma herança da África que nos ajuda a ser melhores para o mundo. Esse bem que nos foi deixado deve ser cada vez mais valorizado”, proferiu.

Professora Azoilda emendou na fala de sua antecedente e, além das heranças, questionou sobre os impactos da aplicação da Lei 10.639. “Se estamos aqui, é porque nossos ancestrais foram muito fortes. Peço que paremos um minuto e pensemos o Dia da Consciência Negra. Que consciência é essa? O que ela nos traz e o que oferecemos? Um dos impactos da Lei, por exemplo, é marcar nossos aspectos, mostrar nossos corpos, nossos orgulhos. Ao estudarmos a História da Educação no Brasil, percebemos o quanto supriram ou colocaram em segundo plano a História da África, desde os jesuítas”, afirmou.

Ele Semog, que mediava as falas, relembrou dezenas de ações do CEAP pelo fim de extermínio contra jovens negros, e citou que, apesar de tanto esforço, o quadro parece quase o mesmo. “Nós do CEAP trabalhamos com tantas campanhas, há tantos anos, mas não se vê as autoridades tomando atitudes pelas lutas dos jovens negros”.

O babalawo Ivanir dos Santos citou que a África é o berço da civilização, e lembrou que aquela sociedade não é cartesiana. Sendo assim, importa-se com a continuidade. “Tenho muito orgulho de nossa intelectualidade. O novo currículo implantado hoje nas escolas afasta qualquer possibilidade de aplicação da lei (10.639). Zumbi é o segundo herói do Panteão da República, mas parece que ele não é herói da Pátria, e sim dos negros. Prova disso é que alguns comerciantes insistem em abrir suas lojas num dia como o de hoje”, disse dos Santos, que afirmou ser a favor da Comissão da Verdade, mas que, porém, acredita terem esquecido da escravidão. “Os assassinatos de jovens negros têm justamente a ver com isso. Precisamos enxergar que o racismo é uma forma de preconceito muito grave e que ainda é muito latente. Pixinguinha, por exemplo, foi um grande maestro. No entanto, sem desmerecer o talento de Tom Jobim, todos o enaltecem constantemente. Por que não acontece do mesmo jeito com Pixinguinha?”, questionou.

Os espectadores vibraram com apresentações que seguiram. O desfile “O Negro no Espaço Urbano” exaltou a moda afro e apresentou modelos que  impunham orgulho das roupas, cabelos e adornos.

Ao fim, apresentações de dança afro com Eliete Miranda , Grupo Boca e Lúmini Cia. de Dança deram à atividade o tom de alegria e descontração.

 

Seminário na próxima terça-feira

O “Experiências Afro-Brasileiras na Gestão Pública” promete. As mesas serão compostas por nomes como Dra. Mônica Lima e Souza, Coordenadora do Laboratório de Estudos Africanos -LeÁfrica – do Instituto de História da UFRJ; Prof. Ivanir dos Santos, pedagogo, Conselheiro Estratégico do CEAP (Subsecretário de Estado de Cidadania e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, 1999-2000); Dr. Marcelo Paixão, professor do Instituto de Economia da UFRJ, Coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser) (a confirmar); Dr. Hédio Silva Junior, advogado, diretor acadêmico da Faculdade Zumbi dos Palmares (Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo 2005-2006); Diva Moreira, comunicadora e cientista política, Secretaria Municipal para Assuntos da Comunidade Negra/BH – (Smacon – 1998-2000); Dr. Mário Lisboa Theodoro, economista (Universidade de Brasília); Vanda Maria de Sousa Ferreira, pedagoga, assessora especial para Assuntos de Gênero e Raça da SPM-Rio; Giovanni Harvey, Secretário Executivo da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR; Deputada Federal Benedita da Silva, assistente social, (Governadora do Estado Rio de Janeiro 2002-2003) (a confirmar); Dr. Albuíno Azeredo, engenheiro, consultor em transporte ferroviário (Governador do Estado do Espírito Santo 1990-1994); e Dr. Alceu Collares, advogado (Governador do Rio Grande do Sul 1991-1994).

A intenção é expor como pessoas que ocuparam cargos importantes no cenário político brasileiro construíram com seus trabalhos. Além disso, o lançamento do livro “Os Afro-Brasileiros na Gestão Pública” é pioneiro no que diz respeito a reunir tantos pensamentos sobra as gerências e administrações.

Uma das questões centrais do seminário e da obra, que tem organização de Astrogildo Esteves Filho e Ivanir dos Santos, é “Será que alguém conhece as experiências afro-brasileiras ocorridas nos últimos 30 anos?”

Haverá credenciamento na hora, e as vagas são limitadas.

 

SERVIÇO:

Seminário “Experiências Afro-Brasileiras na Gestão Pública” e lançamento do livro “Os Afro-Brasileiros na Gestão Pública”

Local: Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e Instituto de História da UFRJ

Endereço: Largo de São Francisco de Paula, nº1 – Centro – Rio de Janeiro

Horário:13h30

Entrada franca

 

Fonte: release CEAP

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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