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Criança de oito anos é vítima de intolerância religiosa

POLÍCIA 27/11/2015 08:47:37 – Atualizado em 27/11/2015 08:47

 

Criança acompanhou a mãe ao registrar ocorrência na 89ª DP (Foto: Divulgação)
Criança acompanhou a mãe ao registrar ocorrência na 89ª DP (Foto: Divulgação)

 

RESENDE

Na manhã de ontem, uma criança de oito anos praticante do candomblé foi vítima de preconceito em um estabelecimento comercial localizado na Avenida Tenente-Coronel Adalberto Mendes, no Manejo. Renata Nogueira Maciel de Oliveira, mãe da criança, informou à reportagem do A VOZ DA CIDADE, que o menino foi destratado pelo dono da loja por estar vestido com a roupa utilizada nas cerimônias religiosas. Ela fez uma ocorrência na 89ª Delegacia de Polícia, que investigará o caso.

“Meu filho foi comigo até o barracão de candomblé e, em seguida, pediu para ir à papelaria comprar um material para a escola. Percebi que ele estava demorando e, quando retornou para o carro, ele estava quieto e não quis contar o que aconteceu”, disse a mãe, que completou dizendo que após deixar o menino na casa da avó, ficou sabendo do ocorrido.

“A minha mãe ligou falando que ele contou que o dono da loja o segurou pelo braço, dizendo que ia expulsar o demônio que estava no corpo dele”.

Por conta da atitude do comerciante, Renata foi até a loja e pediu para falar com o proprietário. Ela disse que foi expulsa do estabelecimento e que o mesmo pediu para que ela escondesse o filho.

REGISTRO NA DELEGACIA

Por conta da atitude do comerciante, Renata foi até a 89ª DP registrar uma ocorrência. Ela contou que os policiais não quiseram registrar o boletim e, diante disso, foi até o Ministério Público que recomendou seu retorno à delegacia, que registrou o fato atípico.

“Registrei a ocorrência porque ninguém deve passar pelo que o meu filho passou. Não posso esperar algo pior acontecer com meu filho. A religião do próximo não deve ser julgada, e temos que acabar com essa intolerância. Meu filho é uma criança como outra, e gosta da religião dele”, destacou.

Existe no Estado do Rio um programa de combate à intolerância religiosa, intermediado pelo Ministério Público, que garante os direitos presentes na Constituição, assegurando o ‘livre exercício dos cultos religiosos e garantia, na forma da lei, à proteção aos locais de culto e a suas liturgias’.

Recentemente, histórias semelhantes ganharam destaque na mídia. Um dos mais conhecidos foi o da menina Kailane Campos, de 11 anos, que levou uma pedrada na cabeça, após sair de um culto de candomblé no dia 14 de junho, na Capital. O caso também foi registrado na época. Casos como estes podem ser denunciados através dos Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos.

 

Extraído do site do Jornal A Voz da Cidade / Barra Mansa – RJ
http://avozdacidade.com/site/noticias/policia/48703/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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