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Críticas AdoroCinema do filme O Candidato Honesto

De Renato Hermsdorff

A sinopse: João Ernesto Praxedes (Leandro Hassum) é um político corrupto, candidato à presidência da República. Ele está no segundo turno das eleições, à frente nas pesquisas, quando recebe uma mandinga da avó, fazendo com que ele não possa mais mentir. Agora começa o problema: como vencer uma eleição falando apenas a verdade?

461912.png-c_320_213_x-f_jpg-q_x-xxyxxO trailer: a avó diz “João, seja um homem honesto”, no que ele retruca “eu vou para Brasília, se eu for honesto lá, vou me sentir muito sozinho”. O assessor diz “João, estamos chegando ao Congresso”, no que ele responde “ih, quase nunca venho”. O pai de santo diz “eu estou acostumado com as criaturas das trevas”, no que ele pergunta “Ah, o demônio?”, e ouve como resposta “não, os senadores”.

O diagnóstico: se você achou graça, pode parar por aqui e correr para o cinema. Se não, vejamos: as piadas de O Candidato Honesto refletem um total descrédito da população com os políticos brasileiros. É jogar para a plateia, reforçando preconceitos. O caminho é fácil; o resultado, previsível. E abusa-se do humor físico, com trapalhadas, mamilo e peido. É um Zorra Total com palavrão.
444929.jpg-c_320_213_x-f_jpg-q_x-xxyxxFora a trama previsível, a personagem de Luiza Valdetaro é inacreditavelmente absurda. A jovem atriz dá vida a Amanda, uma jornalista que trabalha em uma redação inverossímil (um misto de jornal impresso de cunho político com programa de TV de celebridade – até aí, vai um desconto, ninguém tem a obrigação de conhecer, nem razoavelmente, as diferentes estruturas de um veículo noticioso) que, inexplicavelmente (e aqui está o maior problema) acredita na boa intenção de João Ernesto.

O ponto positivo são as referências a personalidades conhecidas, salpicas ao longo do filme. É quase divertido imaginar quem poderia ser a aspirante a primeira dama de gengivas saltitantes. E qual estilista teria assinado o terninho colorido declaradamente cafona (João Ernesto não mente) que ela escolhe para usar em um programa de auditório? Há um deputado corrupto de cabelo engomado que evoca o nome de Deus na hora de negociar um apoio político (algum palpite?).

475155.jpg-c_320_213_x-f_jpg-q_x-xxyxxDe engraçado mesmo, sobra a participação do pai de santo já mencionado, que “recebe” figurões inusitados – e até artistas – de outro plano, no momento do filme que tem maior potencial para surpreender a plateia (daí a graça).

No fim, o filme tenta justificar o(s) próprio(s) meio(s) usados, a partir da reabilitação moral do protagonista. O discurso político é raso, mas a mensagem, significativa. Resta saber se, depois de quase duas horas de reforço do senso comum de que todo político é corrupto, ainda é possível acreditar na honestidade de um candidato fora da sala de cinema.

 

 

 

Extraído do site AdoroCinema

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-226243/criticas-adorocinema/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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