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Crivella busca religiões e nomes de esquerda para reduzir rejeição no Rio

Candidato do PRB à prefeitura tenta desconstruir imagem de candidato da Igreja Universal

 

POR BRUNO GÓES / GUSTAVO SCHMITT

16/09/2016 4:30 / atualizado 16/09/2016 7:47

 

Em Madureira, Crivella encontra o pai de santo Douglas Penha durante ato de campanha - Reprodução TV Globo / Reprodução/TV Globo
Em Madureira, Crivella encontra o pai de santo Douglas Penha durante ato de campanha – Reprodução TV Globo / Reprodução/TV Globo

 

RIO — Às 10h30m de quarta-feira, candidatos a vereador e cabos eleitorais de Marcelo Crivella se reuniram na entrada do camelódromo da Uruguaiana, no Centro. Sob sol forte, distribuíam panfletos enquanto esperavam o líder das pesquisas na disputa pela prefeitura. Ao lado de uma caixa de som e com um microfone na mão, um dos cabos eleitorais interrompeu o “Funk do Crivella”, que ecoava nas vielas do comércio popular, e deixou um eleitor falar. Para o constrangimento do operador da caixa de som, o seguidor disse: “Quem é evangélico precisa votar no Crivella”. Imediatamente, o microfone voltou para as mãos do cabo eleitoral, que deu o recado:

— Todos são bem-vindos na campanha do Crivella: católicos, kardecistas, espíritas, umbandistas. Todos são Crivella!

Com rejeição menor do que nas últimas eleições, Crivella trabalha para desconstruir a imagem de candidato da Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, seu tio. Na pesquisa Ibope divulgada anteontem, ele aparece com 31% das intenções de voto, com crescimento de quatro pontos em relação à pesquisa anterior. Já a sua rejeição despencou de 35% para 24%.

Nas ruas, o candidato do PRB se esforça para estar ao lado de pessoas de diferentes crenças. No fim de agosto, encontrou-se com o arcebispo do Rio, cardeal dom Orani. Uma semana depois, em Madureira, apareceu no “RJTV”, da TV Globo, acompanhado do pai de santo Douglas Penha.

— Me iniciei no candomblé aos 12 anos, hoje sou babalorixá, mas tenho irmã e pessoas da família que são da Igreja Assembleia de Deus. Resolvi apoiar o Crivella para acabar com a intolerância religiosa — diz o pai de santo.

ANDANÇAS PELA ZONA SUL

Crivella tem frequentado restaurantes da Zona Sul e se aproximado de personalidades da sociedade carioca para alavancar sua candidatura na região onde tradicionalmente sofre resistência. Na semana passada, almoçou com Ricardo Amaral, empresário da noite carioca, e Boni, ex-diretor da TV Globo. No mês passado, conversou com o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto e a atriz Rosamaria Murtinho.

O senador também se encontrou com representantes do movimento LGBT e tirou fotos abraçado com Alberto Araujo Duarte, o Beto Cabeleireiro, um dos responsáveis pela Parada Gay da Vila do João.

— Dizem que ele (Crivella) tem preconceito. Mas quem conhece sabe que ele trata a gente normalmente — comenta Beto.

Antes do início da campanha, o prefeito Eduardo Paes, que apoia a candidatura de Pedro Paulo (PMDB), já observava a movimentação de Crivella com o objetivo de diminuir sua rejeição. Paes dizia que a candidatura do PRB era um perigo, pois Crivella estava “até tomando chope no Bar Lagoa”, tradicional reduto da boemia.

Para melhorar sua aceitação na Zona Sul, o senador tem contado com seu vice, Fernando Mac Dowell, que é católico e professor de engenharia de transportes da PUC-Rio.

CONTRA O ‘NEOCHAGUISMO’

O senador incorporou ao seu time de campanha intelectuais de esquerda com forte ligação com o PT e o PSOL. Militante contra a ditadura e fundador do PT, o cientista político Cesar Benjamin contribuiu com o programa de Educação de Crivella. Em 2006, Benjamin foi candidato a vice-presidente na chapa de Heloísa Helena, no PSOL.

Luiz Alfredo Salomão, ex-deputado constituinte que já passou por MDB, PDT, PT e hoje está no PSB, também colabora com o plano de governo de Crivella. Ele aposta na popularidade do candidato para derrotar o que considera o “neochaguismo” no Rio, representado pelo controle da máquina pelo PMDB. Para ele, o momento pode ser comparado ao declínio dos herdeiros políticos de Chagas Freitas, ex-governador do Rio, com a eleição de Leonel Brizola em 1982.

— A esquerda ficou um pouco perdida. De um lado, temos uma parte que não aceita a autocrítica, e só consegue bater na tecla do impeachment e do golpe (referindo-se a Jandira). E outra esquerda festiva (Marcelo Freixo).

Sucessor de Lindbergh Farias na presidência da UNE e ex-membro da União da Juventude Socialista, ligada ao PCdoB, Fernando Gusmão é hoje candidato a uma vaga na Câmara dos Vereadores pelo PRB. Em todos os atos, aparece ao lado de Crivella. Quando soube que O GLOBO citaria os nomes de esquerda que apoiavam a campanha do PRB, usou o bom humor para falar da aliança:

— O título da matéria deve ser: “Socialistas em nome de Deus”— brincou.

Para o cientista político da PUC-Rio Ricardo Ismael, a apresentação de uma agenda social e com questões sobre mobilidade e combate à corrupção reduz a rejeição entre formadores de opinião:

— Ao se desvincular da Universal e se aproximar de pessoas de religiões africanas e de grupos LGBT, Crivella cumpre uma agenda de centro-esquerda.

 

Extraído do site do Jornal O Globo / Rio de Janeiro – RJ
http://oglobo.globo.com/brasil/crivella-busca-religioes-nomes-de-esquerda-para-reduzir-rejeicao-no-rio-20122591

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About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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