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Cultura afro para as crianças

Projeto da Casa de José de Alencar realiza contação de histórias sobre religiões afro-brasileiras

  

00:00 · 08.08.2016 por Beatriz Jucá – Repórter

Grupo reunido durante contação de história com a Vó Maria Conga: respeito e conhecimento
Grupo reunido durante contação de história com a Vó Maria Conga: respeito e conhecimento

Aproximar as crianças da cultura afro-brasileira de forma leve e lúdica – bem como estimulá-las a compreender a diversidade e combater a intolerância religiosa – é um dos principais objetivos do projeto “Contação de Histórias da Vó Maria Conga”, que ocorre de forma sistemática durante este mês de agosto na Casa de José de Alencar.

O projeto utiliza ferramentas como música e teatro de fantoches para mostrar às crianças a riqueza cultural das religiões afro-brasileiras. Para isso, foi criada a personagem Vó Maria Conga, que narra a história de uma criança negra, filha de escravos, que queria ser branca.

A relação intensa que a menina tem com a avó dela ao longo da história vai mostrando aos pequenos na plateia – e à própria personagem – que o importante não é a cor da pele, mas os valores cultivados dentro de si.

“A ideia é fazer com que as crianças percebam a importância de valorizar as diferenças, da tolerância religiosa e de garantir a igualdade racial”, explica Frederico Pontes, diretor da Casa de José de Alencar.

O projeto é realizado nas manhãs de quarta-feira e tardes de quinta-feira, e inclui tanto as atividades lúdicas quanto a visita à Coleção Arthur Ramos – que mantém uma série de elementos relacionados à cultura afro-brasileira. As escolas podem formar grupos de alunos e agendar as visitas para participar do projeto.

Acervo

A Coleção Arthur Ramos é um dos principais acervos museológicos da cultura afro-brasileira no País, incluindo uma série de elementos e artefatos utilizados em rituais religiosos. “É uma coleção de objetos que referenciam religiões afro-brasileiras, como por exemplo a umbanda e o candomblé. Ela inclui tanto artefatos usados na oferendas ou nos momentos musicais quanto objetos relativos a ex-votos”, afirma Frederico.

O diretor da Casa de José de Alencar ressalta a importância etnográfica da pesquisa realizada por Arthur Ramos, que catalogou muitos elementos que compõem rituais dessas religiões.

“O Artur Ramos pesquisou a relação entre o comportamento do negro com as religiões numa perspectiva ainda racista, que para o período era algo normal. Mas, dentro da pesquisa, ele entrou em áreas que fugiam da especialidade dele como médico e foi para a antropologia e a etnografia de religiões que foram escondidas, censuradas e perseguidas”, diz Frederico.

Ele lamenta que a intolerância religiosa ainda seja um problema tão presente na atualidade brasileira e acrescenta que a necessidade de combater essa realidade é algo que também serviu como norte para a construção do projeto “Contação de Histórias da Vó Maria Conga”.

“Esse projeto surgiu também pela ideia de potencializar o acesso ao acervo do Artur Ramos que a gente tem na Casa de José de Alencar sobre a religião afro-brasileira”, explica Frederico. “Nós desenvolvemos ferramentas pedagógicas para aprofundar o conhecimento e atingir um público de crianças de cinco a sete anos, que antes a gente não conseguia”, completa.

Lúdico

A principal ferramenta utilizada neste sentido é a de contação de histórias. A servidora Marta Zélia Tavares foi a responsável pela criação da personagem Vó Maria Conga. O projeto integra o Programa de Educação Patrimonial da Casa de José de Alencar, cadastrado na Secretaria de Cultura Artística (Secult-Arte) da Universidade Federal do Ceará.

Além da diversidade das religiões afro-brasileiras, o projeto de contação de histórias remete ao período da escravidão e estimula as crianças a refletirem sobre o problema da desigualdade racial. “Tudo isso está agregado ao nosso acervo. Cada exposição tem um objetivo e um discurso. Avaliamos que a nossa tem o intuito de refletir sobre temas que estão presentes ainda hoje, como a intolerância religiosa e o racismo”, diz Frederico.

Apesar de tratar de temas complexos – e com raízes profundas na nossa cultura – o repasse histórico do tema é feito de forma bastante lúdica. As atividades do projeto foram iniciadas há três meses como uma espécie de teste, para sentir a resposta do público. A partir deste mês de agosto, as atividades passam a ser realizadas de forma sistemática nas quartas e quintas.

A Casa de José de Alencar é aberta ao público e tem entrada franca. A participação de grupos escolares nas atividades do projeto “Contação de Histórias da Vó Maria Conga”, porém, precede de agendamento. A visitação inclui ainda um passeio pelo patrimônio histórico da Casa de José de Alencar, pela pinacoteca e pelo museu.

Mais informações:

Agendamentos de grupos para o projeto “Contação de Histórias da Vó Maria Conga” devem ser feitos pelo telefone (85) 3229.1898. Apresentações nas manhãs de quarta e tardes de quinta, na Casa de José de Alencar (Av. Washington Soares, 6055, Messejana)

 

Extraído da versão digital do Jornal Diário do Nordeste – Caderno 3/ Fortaleza – CE
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/cultura-afro-para-as-criancas-1.1595931

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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