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Cultura: Caixa Cultural apresenta tradições do candomblé nas aquarelas de Carybé

 

Jornal do Brasil  | Hoje às 12h57 – Atualizada hoje às 13h07

 

A Caixa Cultural Rio de Janeiro apresenta uma mostra que retrata as tradições do culto aos deuses africanos no candomblé da Bahia. Reveladas em traços leves, coloridos e minuciosos de Carybé, a exposição “As Cores do Sagrado”abre na próxima quinta-feira (29) e fica até 20 de dezembro, depois de passar por Salvador e Recife. O público poderá ver 50 obras do renomado artista plástico, conhecido por adotar a Bahia como principal fonte de inspiração. A curadoria é de Solange Bernabó, filha de Carybé, que buscou privilegiar a sintonia entre os momentos do artista, além da sua técnica privilegiada. A entrada é franca.

Exposição fica em cartaz no Rio entre os dias 29 de outubro e 20 de dezembro
Exposição fica em cartaz no Rio entre os dias 29 de outubro e 20 de dezembro

Argentino de nascimento, baiano por opção e carioca por criação, o artista veio pequeno para o Rio. Batizado Hector Julio Paride Bernabó, foi no capital fluminense que escolheu o nome pelo qual viria a ser conhecido no mundo inteiro. Criança, ele participava de um grupo de escoteiros do Clube de Regatas do Flamengo, integrando a “Tropa dos Peixes”. Incentivado a escolher um nome para ser chamado, optou por Carybé, nome dado à piranha vermelha, um peixe considerado muito feroz.

Ainda no Rio, iniciou-se no mundo das artes.  Trabalhou como ajudante no atelier de cerâmica de seu irmão Arnaldo e estudou na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro.  Ainda hoje os cariocas convivem com obras do artista. No Parque da Catacumba, na Lagoa, há uma  escultura de mármore de pouco mais de dois metros, representando a figura de Oxossi. No Teatro Nelson Rodrigues, na Caixa Cultural Rio, no Centro, estão algumas esculturas, além de outros dois trabalhos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Suas obras também alçaram voos para países como Argentina, Estados Unidos, Japão, Itália, Alemanha, França, Portugal, Espanha e México, tendo uma de suas obras oferecida em 1986, pelo governo da Bahia, à rainha da Inglaterra.

As Cores do Sagrado

Um registro único dos rituais e cultos aos deuses africanos no candomblé na Bahia. As 50 obras que integram a mostra As Cores do Sagrado fazem parte de um universo de mais de 120 aquarelas produzidas com a mesma temática, nas quais Carybé contribui de forma ímpar para a preservação dos valores culturais trazidos da África na diáspora. As imagens foram produzidas ao longo de 30 anos de pesquisas, entre 1950 e 1980, e são registros de vivências pessoais do artista nos terreiros que frequentava. As casas estão entre as mais tradicionais da religiosidade de matriz africana, na tradição nagô, jeje e angola.

Uma vez que não é permitido filmar ou fotografar cerimônias do candomblé, a memória fotográfica de Carybé foi o seu principal recurso para retratar com exatidão e riqueza de detalhes as práticas, desde os ritos de iniciação, passando pelas festas e incorporação dos orixás, até os rituais fúnebres, em uma sequência didática dos cultos envolvidos. “Essa mostra não retrata o lado místico, fruto da imaginação de Carybé. Antes disso, é uma representação da realidade, a partir da observação do que, de fato, acontecia nos terreiros. Ele retratava com respeito e beleza as práticas da religião”, explica Solange.

As 50 obras selecionadas foram reunidas originalmente no livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, lançado em 1981. Composta por 128 aquarelas de Carybé, com introdução do escritor Jorge Amado e textos antropológicos do fotógrafo e etnólogo Pierre Verger e do historiador Waldeloir Rego, a publicação representa uma recriação da participação do elemento negro na cultura baiana ao passo que preserva a memória histórica do Brasil, por ter sido a Bahia a primeira porta de entrada da miscigenação no País. Esgotado desde a última edição, atualmente o livro é encontrado apenas nas mãos de colecionadores.

Carybé

Reconhecido mundialmente como Carybé, o pintor, escultor, ilustrador, desenhista, cenografista, ceramista, historiador, pesquisador e jornalista Hector Julio Paride Bernabó tem sua genialidade associada à Bahia, cuja essência soube materializar em desenhos, aquarelas, esculturas e grandes murais. Argentino no nascimento (Lanús,1911, carioca por criação e baiano por opção), Carybé foi um dos mais produtivos e inquietos artistas que o Brasil abrigou.

Caçula de cinco filhos iniciou no meio artístico como ajudante no atelier de cerâmica de seu irmão Arnaldo, em seguida cursou dois anos na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro e atuou como ilustrador para jornais.  Com passagens curiosas de vida, como ter sido pandeirista da cantora Carmem Miranda, o artista falecido em 1997, teve obras expostas por todos os cantos do Brasil.

Conquistou títulos importantes como o de ganhador da 1 ª Bienal Internacional de Livros e Artes Gráficas,  o  I Prêmio Nacional de Desenho, na III Bienal de SP, e o Prêmio Odorico Tavares como Melhor Plástico de 1967, mas o título de que mais se orgulhava foi o de Obá de Xangô, oferecido pelo terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Amigo de importantes artistas como Rubem Braga, Pierre Verger, Dorival Caymmi e Jorge Amado, Carybé ilustrou diversos livros como “Cem anos de solidão”, do escritor Gabriel Garcia Márquez.

Curadoria

Solange Bernabó atua na área cultural desde 1983 e, desde 1993, é proprietária da Galeria Oxum Casa de Arte, com sedes na Ladeira da Barra e no Pelourinho, em Salvador. Participou da Fundação Pierre Verger desde a sua instituição. Foi secretária geral, de 1996 a 2000, e hoje é membro do Conselho Curador. Atualmente, é secretária do Instituto Carybé e membro do Conselho Curador da Fundação Casa de Jorge Amado. Faz curadoria e organiza exposições de Carybé e outros artistas. Prestou Assessoria Geral na concepção da comemoração e das exposições referentes ao centenário de Pierre Verger. Foi a Coordenadora Geral da exposição Carybé, realizada em 2009, no Museu de Arte Moderna da Bahia e curadora da exposição Carybé, realizada em 2010, na Embaixada Brasileira em Buenos Aires, na Argentina.

Serviço:

Exposição: “As Cores do Sagrado” – Carybé

Visitação: 29/10 a 20/12 – (terças-feiras a domingos)

Horário: 10h às 21h

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Galeria 2

Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô: Estação Carioca)

 

 

Extraído do site do Jornal do Brasil on line / Rio de Janeiro – RJ
http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2015/10/26/caixa-cultural-apresenta-tradicoes-do-candomble-nas-aquarelas-de-carybe/?from_rss=None

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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