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CULTURA:  Cia da Ação apresenta o espetáculo Orí

 

Evento acontece dias 11 e 12, no Espaço Z

09/09/2015 09:06:01 - Atualizado em 09/09/2015 09:06
Espetáculo será apresentado no Espaço Z (Foto: Divulgação)
Espetáculo será apresentado no Espaço Z (Foto: Divulgação)
  Após dois anos em exibição pelo Brasil, Europa e América Latina, o espetáculo ‘Orí’ retorna a Resende para duas apresentações nos dias 11 e 12, às 20 horas, no Espaço Z, no Centro. Os ingressos custam R$20 e R$10 e podem ser adquiridos no próprio local, a partir das 18 horas, nos dias de apresentação. A performance solo de Calé Miranda e a Cia. da Ação! foi criada por encomenda para estrear no ‘VI festival Barcelona en butoh’ em 2013. A palavra ‘Orí’ significa cabeça em Yorubá, língua pan-africana, e é utilizada para designar os três Orixás protetores da cabeça do iniciado nas religiões afro-brasileiras. O desempenho mimetiza os elementos que sintetizam os três Orixás do Orí de Calé Miranda: Xangô (fogo), Iemanjá (mar) e Oxalá (ar). Calé Miranda é diretor de teatro e performer, com formação entre Rio de Janeiro, Londres e Paris. Dirigiu espetáculos de autores renomados como Shakespeare, Arrabal e Nelson Rodrigues. Participou igualmente de festivais de teatro no Brasil e no exterior (Rússia, Tunísia, Croácia, Espanha). Foi diretor artístico da “Companhia Moderna de Dança do RJ” e performer da ‘Stanley Hamilton & friends Company’ em Londres. Desde 2006 Calé é dedicado à dança butoh (a dança pós-moderna japonesa), onde estudou com diversos mestres, entre eles Yoshito Ohno, filho de Kazuo Ohno, o criador do butoh, e bailarino de Kinjiki, espetáculo seminal apontado como a primeira performance de butoh na história. Em sua dança Calé faz uma fusão entre a dança butoh e as matrizes afro-brasileiras, a qual chama ‘afro-butoh’. Ele conta que a dança butoh trata de ancestralidade, memória, mitologia e dança pessoal, logo o ‘seu’ butoh não poderia passar ao largo da herança cultural gravada em sua memória e seu corpo. Segundo Calé, “o butoh só existe quando seu corpo percebe seu próprio movimento e toda a mitologia pessoal impressa nele mesmo”. ‘Orí’ tem produção da Cia. Da Ação! Sendo Calé Miranda o intérprete-criador e o responsável pela iluminação; a música original é de Vimal Keerti, o figurino de Carla Biolchini, a assistência de iluminação de Eliza Moreira, a supervisão jinen butoh de Atsushi Takenouchi; a supervisão cultura afro-brasileira de Eleonora Ignez, macamba de Omolocô. A fotografia é de Marco Netto e o design gráfico de Gisele Ferreira. Após as apresentações em Resende, Calé prepara seu novo espetáculo “Leviathan”, em colaboração com o musico francês Jules Wyzocki para estrear no “Festival em chair et em son”, em Paris, no mês de outubro. BUTOH O Butoh foi criado por Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata, no Japão, no final da década de 50, período da bomba atômica. Após sofrer tamanho trauma os japoneses começaram a procurar na arte uma forma de expressar seus sentimentos contemporâneos já que as artes tradicionais japonesas, como o Kabuki e o Nô, não eram suficientes para tal. Influenciados pela nova dança e pelo cinema expressionista alemão, por autores contemporâneos como Mishima, Artaud e Pasolini, Hijikata e Kazuo Ohno, os criadores, procuraram encontrar a dança interior de seus corpos. Para o butoísta toda dança está contida no interior do corpo, o movimento que se vê é apenas o que vazou para fora desta dança presa nas sombras do intérprete. Apesar de confrontar a forma tradicional de arte (no Japão ou no mundo), o butoh é extremamente ligado às raízes do intérprete, à sua ancestralidade, sua mitologia pessoal. Diz-se, portanto, que butoh é uma dança pessoal e cada um tem sua forma de dança-lo. AFROBUTOH Desde 2006 Calé Miranda investiga a relação entre a mitologia afro-brasileira e a dança butoh japonesa. “Axé” é a força necessária para trazer um Orixá do mundo dos deuses para dançar no corpo do iniciado no Candomblé (religião afro-brasileira). Esta força inicia-se no centro do corpo e espalha-se para as extremidades deixando que o movimento vaze para fora do corpo do iniciado. Assim se dá a dança dos Orixás, semelhante ao processo de concentração de energia “Ki” na dança butoh, onde o movimento que vemos é apenas o que sobra da dança no interior do corpo. O afro-butoh propõe uma dança inspirada nas energias dos elementos da natureza: fogo, água, folha, raiz, vento, pedra, raio trovão, etc. Cada Orixá possui um movimento específico que mimetiza sua relação com determinado elemento da natureza. A dança de um Orixá permite a concentração de uma energia específica: água (suavidade), fogo (tensão), folha (leveza), pedra (imobilidade), etc. O performer escolhe um Orixá ou uma tensão que quer desenvolver e, a partir da concentração do Axé e da perda de controle dos seus movimentos, desenvolve sua dança pessoal. Informações pelo telefone (24) 98111-8432.   Extraído do site do Jornal A Voz da Cidade / Barra Mansa – RJ http://avozdacidade.com/site/noticias/cultura/46700/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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