Breaking News

Curso para “cura gay” gera polêmica nas redes sociais; MPDFT vai apurar o caso

Segundo professor responsável pelo curso, as aulas são voltadas a pessoas que não se sentem bem como homossexuais

20160225234756Sob  o argumento de que “ninguém nasce gay” e que existe   cura para a homossexualidade, um professor oferta, na internet, um curso denominado “Homossexualismo: prevenção, tratamento e cura”. Em instantes, uma grande   polêmica se formou nas redes sociais. O Ministério Público também reagiu, uma vez que o banner informa que o conteúdo é chancelado pelo órgão.

Segundo Claudemiro Soares, que se apresenta como mestre em saúde pública e especialista em políticas públicas, o curso é voltado   a  pessoas que não se sentem bem por serem gays. “A ideia é mostrar que   é uma doença, segundo a ciência, e que tem cura”, contou ao Jornal de Brasília. “Geralmente, isso acontece porque a pessoa passou por algum trauma”, completou.

Internautas inflaram a página de Soares, no Facebook, com comentários de rejeição a sua proposta. Um dos insatisfeitos diz: “desde quando disseminar ódio, preconceito e intolerância é de Deus?”. Outro internauta escreveu: “Se você tivesse realmente Deus no coração, jamais iria mencionar palavras tão abomináveis”.

20160225234924

 

Ministério Público reage

O Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (NED) do Ministério Público abriu procedimento para apurar a questão. O órgão  declarou que foi citado indevidamente e assegurou que não analisou ou chancelou qualquer conteúdo.

Segundo o MP, em janeiro passado, foi informado de que a atividade ocorreria em uma igreja de Taguatinga e uma ordem de intimação foi expedida com a orientação de não interromper celebração religiosa, se eventualmente sua realização ocorresse em local de culto.

Os instrutores compareceram ao MPDFT, acompanhados de representante da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB/DF, e esclareceram que o curso era dirigido a pastores e obreiros, em viés exclusivamente religioso, e que a expressão “tratar” significava “como lidar com” os homossexuais.

O caso foi arquivado na época, mas, agora, será novamente apurado.

 

Leia abaixo a íntegra da nota de esclarecimento do MPDFT

Em razão de divulgação que circula pela internet de curso denominado “Homossexualismo: prevenção, tratamento e cura”, ministrado por Claudemiro Soares, o NED do MPDFT vem a público informar e esclarecer o seguinte.

Em 21 de janeiro de 2015, o NED recebeu solicitação de atuação em relação à notícia do curso “Homossexualismo: ajudando, biblicamente, a prevenir e tratar aqueles que desejam voltar ao padrão de Deus para a sexualidade”, ministrado pela instituição Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares (Sebi), a ser realizado em Taguatinga/DF de 19 a 23 de janeiro de 2015, pelos instrutores Airton Williams (pastor evangélico) e Claudemiro Soares. O NED instaurou a Notícia de Fato nº 08190.044459/15-41 para esclarecer os fatos, diante da notícia de “tratamento” para homossexuais. A ordem de intimação foi expedida com a orientação de não interromper celebração religiosa, se eventualmente sua realização ocorresse em local de culto.

Os instrutores compareceram ao MPDFT, acompanhados de representante da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB/DF, e esclareceram que o curso era dirigido a pastores e obreiros, em viés exclusivamente religioso, e que a expressão “tratar” significava “como lidar com” os homossexuais, e não significava qualquer intervenção de saúde, terapêutica ou psicológica. Na oportunidade, o coordenador do NED, promotor de Justiça Thiago Pierobom, esclareceu quanto à impossibilidade de oferecimento de tratamento de saúde a pessoas homossexuais, nos termos da proibição constante da Resolução nº 1/1999 do Conselho Federal de Psicologia. Também foi expedida recomendação aos instrutores “para que nos cursos fosse enfatizada a absoluta proibição de qualquer forma de discriminação social e de incitação à prática de violência contra pessoas LGBT”.

Foi promovido o arquivamento do referido processo administrativo tendo em consideração o teor exclusivamente religioso do curso, à luz da liberdade de religião, albergada pela Constituição Federal (art. 5º, inciso VI) e por tratados internacionais (Pacto de São José da Costa Rica, art. 12), bem como a necessária laicidade do Estado em relação à compreensão de quais comportamentos sexuais são supostamente “pecado”, por mais que tais convicções pareçam equivocadas ou mesmo ultrapassadas para outras pessoas. Com efeito, a liberdade de convicção abrange o direito de expressar suas ideias, desde que não se viole os direitos de outras pessoas.

No Distrito Federal, configura infração administrativa qualquer ato de discriminação em razão da orientação sexual, especialmente atos de constrangimento, exposição ao ridículo, coação, ameaça ou violência, nos termos da Lei Distrital n. 2.615/2000.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

 

Extraído do site do Jornal de Brasília / Brasília – DF
http://jornaldebrasilia.com.br/noticias/cidades/669475/curso-para-cura-gay-gera-polemica-nas-redes-sociais-mpdft-vai-apurar-o-caso/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *