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Definindo o Candomblé

Texto: Sérgio d´Giyan | 09.10.2015 07:09

 

11745935_1476825729297186_3672214332435265907_nConfesso que nunca parei para sequer tentar definir a religião que abracei, entrei por amor ao orixá e sigo até hoje e sempre seguirei. Há poucos dias um vídeo, que para mim seria apenas mais um desses vídeos que entopem sua linha de tempo nas redes sociais, me chamou a atenção. O vídeo já recebeu mais de 80 mil visualizações.

Tratava-se de uma narrativa sobre uma conversa entre dois amigos, a que criara o vídeo, uma jovem de seus 24 anos, chamada Erys Mazzoletti e seu amigo antropólogo. Durante uma estadia na Alemanha, eles estavam assistindo um vídeo sobre o vodun Bessem, e seu amigo inglês, curioso, por causa de seu trabalho antropológico sobre religião, questionou a amiga, sobre sua fé e sua crença no orixá.

Sua resposta foi, ao que posso entender sobre religião, a mais pura definição sobre candomblé e orixás, quando ela replicouperguntando se ele acreditava no vento. O amigo respondeu que o vento era real, e que por isso acreditava. Erys interpelando disse: “Mas você não vê o vento”.Seu amigo, disse que não vê o vento, mas que sabe que existe por que podia sentir sua presença. Erys então emendou: “da mesma maneira somos nós, nós acreditamos, nós sabemos que é real, nem sempre é possível ver (o orixá), o que não quer dizer que é impossível”.

Continuando sua narrativa, Erys explicava ao amigo que muitas das vezes achamos que nossas preces não estão sendo atendidas ou que está demorando muito para sermos atendidos. Ela então afirmou que tudo leva tempo, e que tudo é concedido na medida certa. Fazendo uma comparação com o ciclo de vida de uma flor, disse: “a rosa precisa ser regada, se ela não recebe água, ela morre seca, se recebe água demais,morre afogada, assim somos nós, nós levamos tempo para desabrochar como flores, nós precisamos de água, de água na medida certa, se não recebemos morremos, se recebemos demais, morremos do mesmo jeito. Mas tudo é na sua medida certa, e tudo leva tempo, e não se esqueça, o Tempo é o maior dos ancestrais, ele sempre existiu, ele não teve começo, não tem meio e não terá fim, ele vai só numa direção, sem ter destino e sem ter hora pra chegar. A fruta para amadurecer ela também leva tempo, ela não cai verde do pé. Uma vez madura, se ela não é colhida pela mão do homem, ela cai no chão e vira comida para os pássaros ou adubo para a terra. Assim somos nós”.

Complementando, ainda disse: “aprender com os mais velhos, aprender com aquele que está mais tempo que você, é uma dádiva, porque ser velho não é um defeito, ser velho é um acúmulo de conhecimento e sabedoria, quanto mais velha a árvore, mais forte são suas raízes, e assim são os nossos superiores, aqueles que estão a mais tempo do que a gente, nós devemos absorver sua sabedoria e seu conhecimento, porque um dia eles serão nossos ancestrais. O momento de aprender é agora, pois talvez amanhã possa ser muito tarde, porque uma vez morto, o conhecimento morre com ele. Muito conhecimento e muito mistério morreu com nossos antepassados. E isso é uma lei: aprender e respeitar aquele que está na estrada mais tempo que você”.

Finalizando seu vídeo, Erys recomenda para aquele iniciado que acha que seu orixá não está atendendo seus pedidos, que observe a natureza, pois Candomblé é Natureza, e Olorun o proverá no momento certo. Ela ainda complementa afirmando que nós somos escolhidos pelo nosso orixá e que precisamos nos dedicar desde o momento em que abraçamos o Candomblé como religião.

Erys Mazzoletti é maranhense, vive em Turim, na Itália.

O link para o vídeo é:

https://www.facebook.com/video.php?v=1010581425641266&set=vob.100000682536176&type=2&theater

 

Esse texto foi publicado na edição nº 4 da Revista Agen Afro que está sendo distribuída gratuitamente nas lojas de artigos religiosos em algumas praças do Estado do Rio de Janeiro e nas casas de candomblé. A Revista Agen Afro é editada pelo sacerdote e promoter de mídia afro Yango ty Obaluaiyé.

 

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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