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Delegado é atacado por religiosos após audiência por intolerância no Rio

Henrique Pessoa é agredido depois de buscar conciliação com membro da Igreja Geração Jesus, que foi preso por vídeo de intolerância a religiões afro. Policial sacou arma e atirou

por Patricia Iglecio, da RBA publicado 05/09/2014 19:25, última modificação 05/09/2014 19:27

 

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O delegado atua na investigação de crimes contra intolerância religiosa desde 2009
CCIR

São Paulo – O delegado titular da 79ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, Henrique Pessoa, foi atacado por um grupo de 20 evangélicos neopentecostais na quarta-feira (3). O ataque ocorreu após uma tentativa de conciliação entre ele e um dos agressores, Márcio Pereira Carvalho, no 5º Juizado Especial Cível de Copacabana. Henrique, que é membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), pedia que Márcio se retratasse por ofensas feitas em vídeos no YouTube, mas a resposta foi negativa. Na saída da audiência, liderados pelo pastor Tupirani da Hora Lopes, da Igreja Geração Jesus Cristo, pessoas que vestiam camisetas pretas com a frase “Bíblia sim, Constituição não!” encurralaram o delegado, que foi brutalmente agredido.

Em uma tentativa de afastar o grupo, Pessoa pegou a arma que carregava e atirou para o chão. A bala acertou, de raspão, o abdômen de um dos agressores, Carlos Gomes. O delegado tentou fugir dos ataques, e, no entanto, foi alcançado.

“Um deles me atingiu violentamente pelas costas, me derrubaram, me deram pancadas, tiraram minha arma da cintura. Fiquei muito grogue. Fui carregado para a DP para registrar a ocorrência, mas desmaiei no caminho e me removeram para uma unidade de saúde”, conta o delegado. Ao analisar as câmeras de segurança do Juizado, Isabela Silva Rodrigues, delegada titular da 12ª DP, em Copacabana, determinou a prisão de Henrique Pessoa na noite de quarta-feira.

Ainda na madrugada da quinta-feira (4), Pessoa conseguiu liberdade provisória, concedida pelo plantão judiciário, mas hoje (5) foi afastado do cargo. Internado no Hospital Miguel Couto, no Leblon, Carlos Gomes não precisou passar por cirurgia e foi liberado.

O delegado conta que, há seis anos, é perseguido pelo pastor Tupirani e por seguidores da igreja, desde que entrou na militância pelos direitos humanos e contra a intolerância religiosa. Ele conta, inclusive, que foi ameaçado de morte.

“A gente (a CCIR) está juntando uma série de provas mostrando que eles estão me ameaçando e me difamando. Formação de quadrilha, xingamentos, vídeos no Youtube há seis anos”, afirma. O delegado diz lamentar o acontecimento e, mesmo após as agressões, garante que pretende buscar conciliação com os membros da igreja.

Já Tupirani foi preso, em 2009, junto com Afonso Henrique Alves Lobato, outro membro da Igreja Geração Jesus, depois de a juíza Maria Elisa Peixoto Lubanco, da 20ª Vara Criminal do Rio, ter decretado a prisão preventiva dos dois, que foram os primeiros presos no país por cometer crimes de intolerância religiosa. Eles foram acusados, ainda, de injúria qualificada e incitação ao crime.

Na época, com o consentimento do pastor, Afonso Henrique divulgou, na internet, vídeo em que faz ofensas a adeptos da umbanda e do candomblé. Além disso, o jovem e outros três seguidores da igreja invadiram e depredaram o Centro Espírita Cruz de Oxalá, no bairro do Catete.

Dias depois, em uma entrevista, o pastor apoiou a iniciativa de Afonso de divulgar o vídeo, alegando que o rapaz “tinha direito à liberdade de expressão” e também postou uma filmagem na internet, dizendo que não deve respeito à Constituição, por ser “uma lei dos homens”. Ele também desafiava as polícias e as Forças Armadas, e reforçava os ataques às religiões de matriz africana. Após a veiculação do material, Tupirani foi preso. Em sua defesa, se diz “perseguido” e que é “o primeiro pastor preso pela ditadura democrática no Brasil”.

Tupirani da Hora Lores tem mais de 7 mil vídeos no YouTube em que exalta a Igreja Geração Jesus e incita o ódio contra religiões não evangélicas. Em muitos deles, o pastor aparece xingando e ameaçando Henrique Pessoa.

Comissão

A CCIR foi formada em 2008 por umbandistas e candomblecistas. Hoje, conta também com espíritas, judeus, católicos, muçulmanos, malês, bahá’ís, evangélicos, hare krshnas, budistas, ciganos, wiccanos, seguidores do Santo Daime, ateus e agnósticos. Do poder público, integram a comissão o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o Ministério Público e a Polícia Civil. O grupo agrega também entidades da sociedade civil organizada.

A organização já realizou, desde a fundação, seis edições da ‘Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa’, na capital do Rio de Janeiro. A maior delas, em 2012, colocou nas ruas 210 mil pessoas. A 7ª edição será no próximo dia 21.

 

Extraído do site Rede Brasil Atual

http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/09/delegado-defensor-dos-direitos-humanos-e-atacado-por-envagelicos-no-rj-642.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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