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Denúncias de que traficantes teriam atacado terreiros são investigadas

Nova Iguaçu registra o 7º atentado a casas de religiões afro-brasileiras

08/09/2017 09:00:18

O DIA

Rio – Os ataques a terreiros de religiões de matriz afro-brasileira na Baixada estão sendo ordenados por traficantes. É o que afirmam denunciantes que têm ligado nas últimas semanas para o ‘Disque Combate ao Preconceito’, serviço criado pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI).

“Nesses 20 dias de funcionamento, recebemos depoimentos de pessoas com receio de fazer o registro na polícia, por medo de sofrer represálias de bandidos. Muitos acusam traficantes de serem os responsáveis pelos atendados”, afirma o secretário Átila Alexandre Nunes.

Terreiro de candomblé Ilê Asé Togun Jobi em Nova Iguaçu foi alvo de depredação movida por intolerância religiosaFOTOS: WHATSAPP O DIA

Somente em Nova Iguaçu, sete casas religiosas foram depredadas nos últimos dois meses. O último caso aconteceu esta semana. Na quarta-feira, frequentadores encontraram o terreiro de candomblé Ilê Asé Togun Jobi, no bairro Parque Flora, totalmente destruído.

Segundo o secretário, os casos eram, em geral, tratados pela polícia como furtos convencionais, já que os criminosos, além de quebrar imagens sagradas, levam objetos de valor para esconder o caráter de intolerância religiosa. Entretanto, ele acredita que há ataques orquestrados, que precisam ser investigados de forma mais profunda, e disse que medidas por parte da Segurança Pública já começam a ser discutidas.

 

Terreiro de candomblé Ilê Asé Togun Jobi em Nova Iguaçu foi alvo de depredação movida por intolerância religiosaFOTOS: WHATSAPP O DIA

As denúncias recebidas na Secretária, segundo Nunes, foram encaminhadas à 58ª DP, responsável pela região da Posse, em Nova Iguaçu.

O secretário ressalta ainda que se preocupa com danos à imagem dos evangélicos, já que, segundo as denúncias, alguns criminosos fazem o mal uso do nome da religião para justificar os ataques.

Terreiro de candomblé Ilê Asé Togun Jobi em Nova Iguaçu foi alvo de depredação movida por intolerância religiosaFOTOS: WHATSAPP O DIA

Nova Iguaçu tem 253 casas de umbanda e candomblé, segundo o secretário. Em outro episódio, há algumas semanas, o terreiro Kwe Cejá Danlomin Lojiquejil, na Rua Capitão Chaves, teve boa parte de sua estrutura destruída e incendiada. O Centro Espírita Unidos Pela Fé, na área da 58ª DP, foi invadido e teve elementos religiosos quebrados. Imagens de santos e outras peças foram roubadas. Além dos atentados aos terreiros, no fim de agosto, uma idosa candomblecista foi apedrejada.

O deputado Àtila Nunes, pai do secretário, se reuniu com o secretário de Segurança Pública, Roberto Sá, para discutir a instalação da Delegacia De Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) na tentativa de cuidar exclusivamente desses casos.

Roupas brancas são proibidas

Para a socióloga e autora do livro ‘O sabá do sertão: feiticeiras, demônios e jesuítas no Piauí colonial’, Carolina Rocha, os casos de intolerância religiosa em comunidades são antigos. Segundo ela, no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, moradores que seguem umbanda e candomblé foram proibidos por chefes do tráfico de usar branco e grafites de orixás foram apagadas dos muros. A socióloga Carolina lamenta que algumas religiões de origem neopentencostal partam do princípio de que o mundo é um lugar de guerra.

‘O clima entre os adeptos da religião afro é de medo. As autoridades precisam fazer alguma coisa efetiva para acabar com os ataques’, diz o babalawo Ivanir SantosTomaz Silva / Agência Brasil

A socióloga ainda explica que as religiões de matriz africana não são expansionistas, pois não têm como objetivo buscar a conversão de novos adeptos. Diferente de outras que buscam o meio urbano, principalmente os de precariedade social.

Para Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e Babalawo, os líderes religiosos não podem ficar calados diante do crescimento da intolerância religiosa. “O clima entre os adeptos das religiões de matriz afro-brasileira é de medo. As autoridades precisam fazer alguma coisa efetiva para acabar com esses ataques”.

Reportagem do estagiário Matheus Ambrósio, sob supervisão de Cláudio de Souza

 

 

 

Extraído da versão digital do Jornal O Dia on line / Rio de Janeiro – RJ
http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2017-09-08/denuncias-de-que-traficantes-teriam-atacado-terreiros-sao-investigadas.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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