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Desfile apresenta moda de terreiros em bordado richelieu

Meire Oliveira | Qua, 19/08/2015 às 23:21

 

 

 Joá Souza l Ag. A TARDE Andressa Caroline Nascimento veste traje da entidade Maria Padilha

Joá Souza l Ag. A TARDE
Andressa Caroline Nascimento veste traje da entidade Maria Padilha

Um desfile com 50 peças produzidas em bordado richelieu marca nesta quinta-feira, 20, o primeiro resultado do Edital de Apoio aos Empreendimentos de Economia Solidária de Matriz Africana.

O evento do projeto Richelieu e Bordados Ancestrais começa às 20h no Instituto Goethe (Icba), no Corredor da Vitória, e é aberto ao público. O desenvolvimento da ação contou com o apoio da Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado (Setre).

“A iniciativa foi aprovada na perspectiva de resgate da forma de fazer ancestral. Os beneficiados, agora, podem atuar no ramo de maneira autônoma”, acredita a coordenadora técnica de empreendedorismo negro do órgão, Juci Santana.

Desde dezembro do ano passado, 30 integrantes do projeto da Associação Civil Filhos de Bárbara (Acfba), vinculada ao Ilê Axé Yá Onira, localizado na avenida Bonocô, passaram por curso de capacitação e produziram mais de 100 peças.

“São toalhas de equede, ojás, camisus, bata de ogã, pano da costa, além de indumentárias completas de orixás”, detalha o babalorixá Roberto de Iansã,  líder espiritual  do Ilê Axé Yá Onira e presidente da Acfba.

Todos os produtos estarão disponíveis à venda, após o desfile, por preços acessíveis. A quantia arrecadada será dividida entre as bordadeiras do projeto.

“A prática desse tipo de bordado está em extinção e foi uma das primeiras iniciativas do empreendedorismo negro. Então, o intuito é formar novas pessoas e garantir a continuidade”, afirmou pai Roberto de Iansã.

De segunda a quinta-feira, além das aulas de bordado, o grupo também aprendeu sobre cidadania e economia solidária.

“Esse preparo vai garantir a mão de obra especializada na Bahia. Hoje, muitos templos têm a necessidade de encomendar peças em outros estados, como Ceará (Fortaleza) e Sergipe (Tobias Barreto)”, contou o babalorixá.

A Acfba foi criada em julho de 2010 e vem atuando no registro da memória cultural do povo de santo. “Nossa ênfase é na vertente audiovisual com a elaboração de documentários, CDs. Mas o  Richelieu e Bordados Ancestrais não deixa de ser mais uma ação em prol dessa memória”, contou pai Roberto.

 

Marina Calazans veste indumentária do orixá Omolu  Foco
Marina Calazans veste indumentária do orixá Omolu 

 

Foco
A geração de renda e a inclusão socioprodutiva do povo de santo são os principais focos da ação que também visa ao combate à intolerância religiosa. A ideia é que a economia gire em torno dos terreiros e fortaleça o comércio entre as comunidades com capacitação, produção e comercialização.

Ainda segundo o líder do  Ilê Axé Ya Onira, o processo fortaleceu a autoestima dos participantes. “Durante o aprendizado, eles se descobriram capazes de produzir algo. Algumas pessoas já estão recebendo encomenda. Não sabia que íamos chegar tão longe”, revelou pai Roberto.

Ao todo, 17 instituições foram contempladas no primeiro lote do edital de Matriz Africana 001/2014, da Setre. Ainda de acordo com a coordenadora da Setre Juci Santana, os demais estão em fase de prestação de contas, pois têm o prazo de execução de dois anos. “Dos 17, dez são na área de confecção afro”, disse.

O edital, que previa o recurso de R$ 5 milhões, recebeu um aporte de mais R$ 4 milhões, após mobilizações de entidades que não foram contempladas no primeiro lote.

“Serão disponibilizados R$ 2 milhões para este ano e mais R$ 2 milhões para 2016. Serão mais 19 projetos, no segundo lote, financiados pelo Fundo de Combate à Pobreza”, explicou Juci. Esse grupo está em fase de ajuste de plano de trabalho para a  assinatura do convênio.

 

 

Extraído do site do Jornal A Tarde  / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1704342-desfile-apresenta-moda-de-terreiros-em-bordado-richelieu

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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