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Destruído por incêndio, terreiro do DF reabre após dez meses fechado

Reforma de espaço custou R$ 80 mil; ‘erguemos do chão’, diz Mãe Baiana.
Incêndio foi em novembro de 2015 e motivou criação de delegacia especial.

Gabriel LuizDo G1 DF

05/10/2016 05h40 – Atualizado em 05/10/2016 07h31

 

Homem finaliza pintura em reforma de terreiro de candomblé incendiado no DF (Foto: Jéssica Martins/Divulgação)
Homem finaliza pintura em reforma de terreiro de candomblé incendiado no DF (Foto: Jéssica Martins/Divulgação)

Dez meses após ser destruído por um incêndio, o terreiro de candomblé Ylê Axé Oyá Bagan no Paranoá, em Brasília, será reinaugurado nesta quarta-feira (5). Foram gastos cerca de R$ 80 mil na reforma – parte veio de doações. A reinauguração do espaço, que funcionava desde 2002, deve contar com a presença do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.

 

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O terreiro foi incendiado em 27 de novembro do ano passado, durante a madrugada. No galpão do local foram encontrados, entre as cinzas, tecidos instrumentos musicais, madeira, atabaques e outros materiais inflamáveis. Como consequência, o governo criou a primeira delegacia responsável para investigar crimes de intolerância religiosa. Um laudo da polícia, no entanto, aponta que o terreiro foi queimado acidentalmente.

“Levantamos tudo de novo, erguemos do chão. A estrutura era de madeirite, agora é de tijolo. Está maior, mais espaçoso e tem mais visibilidade”, disse Adna Santos, conhecida como Mãe Baiana. Segundo ela, o incêndio trouxe grande prejuízo material. “Tínhamos um terreiro onde não precisava de mais nada porque estava todo montado. Hoje não temos prato, talher, copo. Por enquanto, vai ser tudo com prato descartável”, lamentou.

“Nós perdemos muito também no que diz respeito ao patrimônio imaterial, em relação aos nossos hábitos. Ficou tudo parado. Não podíamos fazer nada porque não tinha onde fazer. Isso prejudicou as pessoas que nos procuram todo fim de semana, quem diuturnamente vai à procura de um procedimento”, continuou.

A mãe de santo disse esperar que o governo passe a reconhecer a importância da religião. “A gente quer pedir o dia do candomblé em Brasília, assim como dia 30 de novembro é o dia do evangélico e dia 15 é o dia da umbanda”, declarou Adna.

Terreiro de candomblé no Paranoá em chamas (Foto: Polícia Militar/Divulgação)
Terreiro de candomblé no Paranoá em chamas (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

Laudo
Segundo a polícia, as investigações apontam que o barracão onde os materiais do terreiro eram guardados era feito de placas de madeira, o que favoreceu o incêndio. Segundo o delegado-chefe da 6ª DP, Marcelo Portela, o laudo foi suficiente para concluir a investigação.

“As conclusões do laudo do Corpo de Bombeiros determinam que as condições da instalação elétrica do local são precárias. Tudo isso favoreceu a ocorrência de um curto-circuito no galpão, onde havia objetos que favoreceram a propagação do incêndio, como fiação precária e exposta. No dia houve uma chuva fina, que pode ter contribuído para esse curto-circuito.”

O delegado afirma que a polícia ouviu testemunhas que disseram não haver nenhum tipo de “contenda” que pudesse ter motivado um incêndio criminoso. O Ilê Axé Oyá Bagan fica em uma região rural entre o Lago Norte e o Paranoá.

Entre maio e novembro do ano passado, 13 terreiros de candomblé do DF foram incendiados. Denúncias sobre atos de intolerância religiosa, racismo, xenofobia e outros tipos de discriminação podem ser encaminhadas à ouvidoria do Ministério Público, pelos números 127 ou 0800-644-9500, ao Disque 100 ou ao Disque Racismo, no 156, opção 7.

Adna Santos, conhecida como Mãe Baiana, posa para foto em terreiro de candomblé (Foto: Jéssica Martins/Divulgação)
Adna Santos, conhecida como Mãe Baiana, posa para foto em terreiro de candomblé (Foto: Jéssica Martins/Divulgação)

 

 

Extraído do portal de notícias G1 / Distrito Federal – DF
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2016/10/destruido-por-incendio-terreiro-do-df-reabre-apos-dez-meses-fechado.html

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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