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Devotos de Iemanjá preparam festa

Circuito Gandhi, em homenagem à Rainha do Mar, acontece no berço da presença africana no Rio

01/02/2017 08:21:06

FRANCISCO EDSON ALVES

Rio – Devotos de Iemanjá — divindade africana, considerada a Rainha do Mar — participarão amanhã, dia dedicado a ela, de um momento histórico. Pela primeira vez o chamado Circuito Gandhi, que tem 65 anos de tradição, vai partir do Cais do Valongo, na Região Portuária, rumo à Praça Mauá. A caminhada é coordenada pelo grupo Afoxé Filhos de Gandhi, que, pela 52ª vez, fará o cortejo intitulado ‘Presente de Iemanjá’. O evento pretende resgatar uma importante página da herança cultural africana no Rio.

“Era no Cais do Valongo que desembarcavam os escravos vindos da África. Vamos reverenciar nossos antepassados, no nosso ‘quintal’, uma vez que a sede do grupo fica na Região Portuária”, diz Carlos Machado, presidente do Afoxé Filhos de Gandhi. Ele lembra que a entidade, considerada a primeira representação afro-brasileira do estado, escolheu como tema o Sarkofa. “É um pássaro da mitologia africana com duas cabeças: uma indicando que é preciso rever o passado, e outra, oposta, que se deve repensar o futuro”, explica.

Integrantes do Grupo Afoxé Filhos de Gandhi ensaiam para o cortejo histórico que será realizado amanhã, a partir das 9h30, no Centro do RioMaíra Coelho / Agência O Dia

A concentração será às 9h30, no Cais do Valongo. De lá, os devotos seguirão pela Boulevard Olímpico até a Praça Mauá, em frente ao Museu do Amanhã, onde será feita a entrega dos balaios. Logo depois, o cortejo segue para a Praça dos Estivadores, em frente à sede do Gandhi, na Rua Camerino, onde será servida a tradicional peixada e acontece a festa cultural. Uma das atrações será a Roda de Tambores, com a participação dos cantores Alexandre Nadai e Beta Nistra, além da Charanga do Gandhi.

A roda, que vai até as 22h, é uma parceria do Afoxé com o Projeto Velhos Malandros, que pretende revitalizar e resgatar a história do samba.

Para a pesquisadora de religiões de matrizes africanas Rosiane Rodrigues, do Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos (Ineac/UFF), o cortejo de amanhã tem importância ímpar. “Pelo cais chegavam nossos ancestrais. Resgatar essa memória significa a reafirmação política de que os descendentes dos africanos são a história viva do país”, diz.

Ivanir dos Santos, babalawo e interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, faz coro com Rosiane. “Será uma emocionante, bonita e justa homenagem aos nossos antepassados africanos”, ressalta.

Previsão de mais vendas

Para agradecer dádivas e reforçar pedidos à Rainha do Mar, devotos vão oferecer amanhã imagens, perfumes, bijouterias e flores a Iemanjá, principalmente nas praias do Rio. No Mercadão de Madureira, os comerciantes de lojas de artigos religiosos esperam para hoje e amanhã um movimento 20% superior aos demais dias.

“Os presentes para Iemanjá são sempre comprados na última hora”, aposta o comerciante Hélio Sillman, da loja Mundo dos Orixás. “Não há crise que impeça as homenagens dos devotos”, garante Sheila Reis, da administração do mercadão.

 

Extraído do site do Jornal O Dia on line / Rio de Janeiro – RJ
http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2017-02-01/devotos-de-iemanja-preparam-festa.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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