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DF cria 1ª delegacia para investigar crimes de intolerância religiosa

Criação foi motivada por ataques a terreiros de candomblé no DF e Entorno. Sindicato criticou proposta por alegar déficit de servidores na corporação.

21/01/2016

Fonte: Jéssica Nascimento Do G1 DF

 

Lideranças religiosas do Distrito Federal cumprimentam o governador Rodrigo Rollemberg, após criação de delegacia de combate à intolerância (Foto: Jéssica Nascimento/G1)
Lideranças religiosas do Distrito Federal cumprimentam o governador Rodrigo Rollemberg, após criação de delegacia de combate à intolerância (Foto: Jéssica Nascimento/G1)

 

O governador Rodrigo Rollemberg sancionou nesta quinta-feira (21) lei que cria uma delegacia especializada para combater casos de intolerância religiosa. A delegacia foi proposta depois que quatro terreiros de candomblé foram incediados no Distrito Federal e no Entorno nos últimos meses.

Durante a assinatura da lei, o sindicato dos policiais civis do DF fez um protesto em frente ao Palácio do Buriti, sede do Executivo local, contra a criação da delegacia. O sindicato diz que a Polícia Civil tem déficit de funcionários e que falta infraestrurura nas delegacias já existentes na capital.

De acordo com o GDF, 100 policiais civis e 20 escrivães serão contratados até o final de fevereiro para compor a equipe. A nova delegacia funcionará no Departamento de Polícia Especializada. Segundo o governador, “é inaceitável” que na capital do país sejam aceitos casos de intolerância religiosa.

“Queremos um mundo que as pessoas apreciem e respeitem a diversidade cultural, natural  e religiosa. A criação da delegacia é só um pequeno passo, uma pequena semente. É dever do governo proteger as pessoas.”

Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF, Rodrigo Franco, durante ato em frente ao Palácio do Buriti (Foto: Jéssica Nascimento/G1)
Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do DF, Rodrigo Franco, durante ato em frente ao Palácio do Buriti (Foto: Jéssica Nascimento/G1)

 

O diretor da Polícia Civil, Eric Seba, disse ter sido questionado sobre a criação da delegacia. “Muitas pessoas disseram que já que existiam 31 delegacias espalhadas pelo DF e que não precisávamos de alguma especializada. E eu digo: por que retroceder? Queremos dar um passo pra frente. Como as mulheres têm locais específicos de proteção, as religiões também terão.”

O autor do projeto, o deputado distrital Lira (PHS), disse que a delegacia vai registrar e abrir inquéritos nos casos que envolvam crimes praticados contra pessoas, entidades ou patrimônios públicos ou privados, cuja motivação seja a intolerância religiosa.

“As vítimas terão um lugar acolhedor e eficaz para combater os crimes. Não faz sentido que em pleno século 21 as pessoas ainda não respeitem a diversidade das religiões. A diversidade deve ser respeitada e amparada pelo Estado, que se tornou laico desde a primeira constituição republicana, em 1891.”

 Policiais civis do DF protestam durante criação de delegacia de combate à intolerância, em ato em frente ao Palácio do Buriti (Foto: Jéssica Nascimento/G1)
Policiais civis do DF protestam durante criação de delegacia de combate à intolerância, em ato em frente ao Palácio do Buriti (Foto: Jéssica Nascimento/G1)

 

A administradora do terreiro de candomblé Axé Oyá Bagan, Adna Santos, conhecida como Mãe baiana, agradeceu ao governador Rodrigo Rollemberg pela criação da delegacia. Emocionada, ela caracterizou os adeptos da religião como “sofrido”.

“Nosso terreiro foi destruído por um incêndio no fim de novembro, uma cena lamentável. A delegacia será um local para todos, onde teremos respeito e segurança. Não queremos arma, queremos amor e paz.”

 

Governador do DF, Rodrigo Rollemberg, e Mãe Baiana entre ruínas de terreiro de candomblé incendiado no Paranoá em novembro (Foto: Toninho Tavares/GDF)
Governador do DF, Rodrigo Rollemberg, e Mãe Baiana entre ruínas de terreiro de candomblé incendiado no Paranoá em novembro (Foto: Toninho Tavares/GDF)

 

Casos
O templo Axé Oyá Bagan, de matriz africana, no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá, entre o Lago Norte e Paranoá, foi incendiado na madrugada no dia 27 de novembro do ano passado. Seis pessoas dormiam no local no momento, mas ninguém ficou ferido. O barracão ficou destruído. Esse foi o mais recente caso de ataque a locais de culto no Distrito Federal.

Em setembro, dois templos de religiões de matriz africana foram incendiados em Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto, no Entorno. O terreiro de Santo Antônio, do babalorixá Babazinho de Oxalá, já tinha sido alvo de outros ataques.

 

Extraído do site Top News / Aripuanã – MT
http://www.topnews.com.br/noticias_ver.php?id=44153

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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