Breaking News

Dia 7 de janeiro comemora-se a liberdade de cultos

Não à intolerância religiosa

POR LORENA AYRES

6/01/2016 ÀS 20:40 PM

display

 

Tenho pavor de qualquer tipo de discriminação. E quando se trata de religião o assunto fica sensível e bem discutível.

A data do dia 7 de janeiro, foi escolhida em homenagem a primeira lei criada no Brasil sobre a liberdade de cultos, em 1890.

Anos mais tarde, em 1946, o escritor baiano e deputado federal, Jorge Amado, propôs uma Carta Magna que reafirmava a importância da liberdade de cultos no país com os seguintes dizeres: “Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa, convicção filosófica ou política.”

Teoricamente, a intolerância religiosa é um conjunto de ideologias, atitudes e perseguições ofensivas a diferentes crenças e religiões.

Nesse sentido, se torna crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade da pessoa humana, e as crenças religiosas existentes, fato lamentável.

O Brasil é um país multicultural e rico em crendices e doutrinas religiosas que enriquecem a cultura do povo brasileiro, Estado laico e com grandes diversidades.

Assim descreve o artigo 5º da Constituição Federal de 1988: “VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”;

“E no inciso VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”;

A religião e a crença devem ser respeitadas e tratadas de maneira igual perante a lei e aos costumes, independente da orientação religiosa.

No Brasil não há uma religião oficial brasileira e o Estado se mantém neutro e imparcial às diferentes religiões.

Desta forma, há uma separação entre Estado e Igreja; o que, teoricamente, assegura uma governabilidade imune à influência de dogmas religiosos.

Além de separar governo de religião, a Constituição Federal também garante o tratamento igualitário a todos os seres humanos, quaisquer que sejam suas crenças.

Dessa maneira, a liberdade religiosa está protegida e não deve, de forma alguma, ser desrespeitada seja você católico, protestante ou umbandista por exemplo.

Todas as pessoas e suas respectivas religiões merecem proteção e respeito. Liberdade de culto, liberdade de pensamento, liberdade de expressão.

O Brasil é uma nação que abriga todas as etnias e, portanto, muitas religiões. A liberdade de culto e o respeito por outras religiões que dividem espaço com a hegemonia católica são condição para um convívio social pacífico, ao mesmo tempo em que enriquecem nossa gama cultural.

Além de estar legalmente amparada, a liberdade de culto deve ser entendida como um direito universal e uma forma de respeito à individualidade e à liberdade de escolha.

Por princípio, o Alcorão, a cabala, a Bíblia, os fundamentos da umbanda, a doutrina espírita, o xamanismo, a maçonaria, o budismo, a Rosa Cruz e tantas outras vertentes esotéricas são partes do conhecimento uno e têm a mesma intenção: conectar o homem à energia criadora com a finalidade de despertar sua consciência.

Acredito piamente que Deus é um só, sim um só, acredito no meu Deus que é amor, bondade, luz, prosperidade, enfim, algo tão supremo que se torna inexplicável em palavras.

E a única certeza que a fé aliada a crença e o temor de Deus referenda a verdadeira luta contra a intolerância religiosa e a liberdade do culto religioso.

Finalizo estas linhas com a frase de Chico Xavier a quem tive e tenho profunda admiração: “O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros.”

 

(Lorena Ayres, advogada, articulista, comendadora, diretora da AJE Aparecida de Goiânia)

Extraído do site do Jornal Diário da Manhã / Goiânia – GO
http://www.dm.com.br/opiniao/2016/01/dia-7-de-janeiro-comemora-se-a-liberdade-de-cultos.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *