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Dia da rainha d’água

“OMI Ô ODO IYÁ ERUIÁ”, essa é a saudação em iorubá a rainha do mar, Iemanjá

POR LUDIMILA MENDONÇA

1/02/2016 ÀS 18:47 PM

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 Ela que é motivo de festa e celebração hoje, para quem considera as forças dos orixás

“Retira a jangada do mar/ Mãe d’água mandou avisar/ Que hoje não pode pescar/ Pois hoje tem festa no mar” Hoje é dia de celebrar a rainha das águas salgadas, senhora absoluta das ondas, Iemanjá. O melhor é não se arriscar colocando o barco nas águas, não é dia de pesca, é dia de saudação.

Nós que aqui estamos nesse cerradão, tão longe do oceano, não temos lá muito contato com Dona Iemanjá. Mas todo o povo de candomblé celebra nesse dia, já quem é de umbanda só comemora o dia do orixá das águas em 8 de dezembro. E caso você tenha a sorte de ir curtir o carnaval baiano e puder ir antes, corre que hoje é festa no mar.

Dia 2 de fevereiro, todos os anos, milhares de baianos e turistas lotam as praias do Rio Vermelho para reverenciar Iemanjá.

No início

era chamada de Festa da Mãe D’Água e realizada em conjunto com a Paróquia do Rio Vermelho, num sincretismo religioso típico da Bahia. Pertinho do carnaval e já tem festejo, afinal é a Bahia.

Como na Bahia, energia boa e festividade caminham juntas rumo ao mar, as preparações começaram desde domingo. A preparação para a celebração são ritos pra atrair boas energias. Sacerdotes do candomblé, à beira das escadarias que dão acesso ao mar, batem folhas nos corpos dos devotos, com o objetivo, de atrair “axé

De acordo com a Colônia de Pescadores, o presente principal sai por volta das três da tarde, num barco a remo seguido por outras 300 embarcações, que levam entre 600 e 800 balaios com presentes depositados pelas pessoas ao longo do dia. São perfumes, brincos, espelhos e muitas flores

Encontros e desencontros religiosos

A construção cultural e religiosa do Brasil deu origem a muitos sincretismos. Iemanjá como a representação feminina mais poderosa das religiões de matriz tem mais de uma correspondência como santa católica. Iemanjá corresponde a Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Piedade e Virgem Maria.

A tradição começou em 1923, com um grupo de 25 pescadores, que ofereceram presentes, para agradar a Mãe D’Água, pois os peixes estavam escassos. O nome Iemanjá vem da expressão iorubá “Yèyé omo ejá”, que significa mãe cujo filhos são peixes. Ela quem decide o destino de quem enfrenta o mar.

No começo a festa era ligada as comemorações de Sant’ana nas quais os pescadores promoviam um ritual bem sincrético unindo matriz africana e catolicismo. Mas a igreja começou a dar instruções mais rígidas aos seus sacerdotes para que desligassem o catolicismo desse tipo de celebração.

As críticas feitas pelos padres à “ignorância” dos pescadores em adorar e celebrar uma mulher com rabo de peixe ofendeu quem aderia à prática. A missa que englobava esse tipo de credo e rito deixou de ser celebrada. Então a igreja de Sant’ana passou a ser fechada todo dia 2 de fevereiro.

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Nos terreiros de candomblé aqui em Goiás também tem rito pra homenagear a rainha do mar, César que é do candomblé conta “A maioria das celebrações foram nesse final de semana, porque ficava mais acessível pra todo mundo poder ir”. Ele completa “E muita gente deixa pra fazer em dezembro, junto com as águas de oxalá”.

César explica como Iemanjá é celebrada por aqui “Olha no básico é feito um balaio de palha ou um barco que é enfeitado e colocado oferendas, este fica no salão onde será a festa. O pessoal que vai chegando deixa lá seus pedidos e presentes. Ocorre uma festa com incorporações dos orixás em seus iniciados e no amanhecer do sol esse barco é levado em procissão ate o rio mais próximo já que não temos mar nem praia por perto”.O rito ainda continua na hora de entregar as oferendas “E no soltar do barco ainda ocorre algumas incorporações e celebrações, com cânticos e danças”.

Curiosidade:Em Cuba, Yemayá também possui as cores azul e branca, é uma rainha do mar negra, assume o nome cristão de La Virgen de la Regla e faz parte da Santeria (religião cubana) como santa padroeira dos portos de Havana.

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Extraído da versão digital do Jornal Diário da Manhã / Goiânia – GO
http://www.dm.com.br/cultura/2016/02/dia-da-rainha-dagua.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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