Breaking News

Dia de Iyemanjá: devota há 30 anos cria roupa especial para homenagem

2 de fevereiro é dedicado à Rainha do Mar no Rio Vermelho, em Salvador.
Entrega de presentes começou às 5h; saída dos balaios ocorre às 15h30.

Maiana BeloDo G1 BA

02/02/2016 11h33 – Atualizado em 02/02/2016 13h52

 

Devota se veste de azul e branco para homenagear Iyemanjá em Salvador (Foto: Max Haack/A. Haack)
Devota se veste de azul e branco para homenagear Iyemanjá em Salvador (Foto: Max Haack/A. Haack)

Vestidos de branco e azul, fiéis foram com presentes e flores homenagear Iyemanjá desde cedo, nesta terça-feira (2), no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. A festa realizada para reverenciar a “Rainha das Águas” conta ainda com a apresentação de grupos religiosos, atrações musicais e capoeiristas.

Enquanto as pessoas estavam na fila para entregar os presentes no balaio de Iyemanjá, que às 15h30 será colocado em alto-mar, alguns grupos culturais se apresentavam pelo Largo de Santana no bairro, e eram realizadas rodas de capoeira. [Confira as fotos da festa de Iyemanjá em Salvador e aqui veja a programação completa do evento]

Ana Ramos vestida de Iyemanjá, em Salvador (Foto: Maiana Belo/G1 Bahia)
Ana Ramos vestida de Iyemanjá, em Salvador
(Foto: Maiana Belo/G1 Bahia)

Teve gente que foi pela primeira vez para cumprir promessa e outra, que além das cores, resolveu se caracterizar de Iyemanjá. É o caso da professora Ana Ramos. Ela, que já confere a festa há 30 anos, foi pela primeira vez “vestida de Iyemanjá”, pintou as unhas de azul, usou um manto e até uma coroa da rainha do mar.

“Eu não gosto de coisas comuns. Vejo todos com a mesma roupa e resolvi criar a minha, eu que desenhei o modelo da roupa e cortei o tecido, mas levei para uma costureira. Achei que era hora de fazer algo diferente e perceber como as pessoas iriam reagir ao ver uma pessoa vestida de Iyemanjá. E percebo as pessoas encantadas, é algo místico que se mistura com a realidade. Este é o primeiro ano que me visto assim para reverenciar a Iyemanjá”, contou.

Cirlene foi pela primeira vez à festa de Iyemanjá para pagar uma promessa feita à 'Rainha das Águas' (Foto: Maiana Belo/G1 Bahia)
Cirlene foi pela primeira vez à festa de Iyemanjá
para pagar uma promessa feita à
‘Rainha das Águas’ (Foto: Maiana Belo/G1 Bahia)

Ao contrário de Ana Ramos, a autônoma Cirlene Ferreira Silva foi festejar Iyemanjá pela primeira vez. Isso porque fez uma promessa à rainha do mar e foi atendida. “Meu filho estava com alguns problemas e Iyemanjá me ajudou. A partir de agora, venho com ou sem promessa. Fui atendida na primeira semana que fiz a promessa. Comprei as rosas antes de vir para cá [Rio Vermelho] mas as últimas lembranças, como espelho, pulseiras eu deixei para comprar aqui”, disse.

A professora Silvane Ribeiro não foi cumprir promessa, mas levou os filhos de nove e quatro anos para a festa, junto com o marido, e destaca a importância cultural do evento. “É da cultura popular [a festa à Iyemanjá] e é importante valorizar, passar de geração em geração. Deixamos flores, apenas flores, nada de poluir o mar”, relata.

Bruno Raposo com os três cachorrinhos e a amiga, Eniara Figueredo durante festejos a Iyemanjá (Foto: Maiana Belo/G1 Bahia)
Bruno Raposo com os três cachorrinhos e a amiga,
Eniara Figueredo durante festejos a Iyemanjá
(Foto: Maiana Belo/G1 Bahia)

Já o médico veterinário Bruno Raposo resolveu levar os três cachorrinhos. Ele foi acompanhado da amiga, a professora Eniara Figueredo. “Moro perto e há oito anos que trago eles para a festa. Mas a gente deixa as oferendas antes, dá um corridinha e depois pegamos os cachorros para vir aqui. Eles gostam, mas não nos aproximamos muito de onde tem muita gente”, disse.

O vocalista do grupo percussivo Olodum também foi conferir a festa com a família. Mateus Vidal conta que desde criança confere o evento. “Fui criado aqui, todo ano eu venho, mas prefiro chegar cedo. É também uma forma de carregar a energia para o carnaval”, relata.

Pela primeira vez na festa, o poeta cronista e jornalista gaúcho, Fabrício Carpinejar destacou a energia da festa. “É incrível. O melhor de Salvador acontece antes do carnaval. É a mobilização, a forma das pessoas reverenciarem Iyemanjá. Eu também trouxe minhas flores”, disse.

Fabrício Carpinejar na festa de Iyemanjá, em Salvador (Foto: Sérgio Pedreira/ Ag. Haack)
Fabrício Carpinejar na festa de Iyemanjá, em Salvador (Foto: Sérgio Pedreira/ Ag. Haack)
Grupo cultural em apresentação durante a festa de Iyemanjá no bairro do Rio Vermelho, em Salvador (Foto: Maiana Belo/G1 Bahia)
Grupo cultural em apresentação durante a festa de Iyemanjá no bairro do Rio Vermelho, em Salvador (Foto: Maiana Belo/G1 Bahia)

 

Imagens da festa de Iyemanjá e Mateus Vidal, cantor do Olodum com as filhas e a esposa (Foto: Arte/G1)
Imagens da festa de Iyemanjá e Mateus Vidal, cantor do Olodum com as filhas e a esposa (Foto: Arte/G1)

 

Silvane Ribeiro com os filhos de nove e o marido na festa de Iyemanjá, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador (Foto: Sérgio Pedreira/ Ag. Haack )
Silvane Ribeiro com os filhos de nove e o marido na festa de Iyemanjá, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador (Foto: Sérgio Pedreira/ Ag. Haack )

 

Extraído do portal de notícias G1 / Salvador – BA
http://g1.globo.com/bahia/verao/2016/noticia/2016/02/devota-ha-30-anos-baiana-cria-roupa-e-se-veste-de-iemanja-em-homenagem.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *