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‘Dia de Zumbi’ e a consciência negra na CAIXA Cultural Brasília

04/09/2014 08h30 – Atualizado em 04/09/2014 16h12

Durante os quatro dias de eventos artísticos que ocuparão a CAIXA Cultural, uma equipe de filmagem colherá depoimentos sobre o que é consciência negra

DISTRITO FEDERAL, CULTURA
 
Imortalizado em canção de Gilberto Gil e filme de Cacá Diegues, o guerreiro Zumbi foi o último dos líderes do Quilombo dos Palmares – locais de refúgios dos escravos – entrando para história como símbolo da resistência dos negros contra a escravidão. Mais do que natural que sua figura e mensagem de liberdade norteiem o projeto Dia de Zumbi, que ocupa, entre os dias 4 e 7 de setembro, vários espaços da CAIXA Cultural Brasília, com uma série de eventos artísticos que farão o público refletir e interagir sobre a questão da Consciência Negra no Brasil.
Para os organizadores do evento, criado há três anos no Rio de Janeiro, a proposta do projeto Dia do Zumbi é dar visibilidade e difundir uma vertente do movimento artístico caracterizado por trabalhos de músicas e artes visuais que dialogam de forma contemporânea com as matrizes afro-brasileiras que ajudaram a formar nosso país.
“Chamamos de matrizes africanas os diversos tipos de saberes, práticas e memórias culturais trazidos pelos diferentes povos africanos que influenciaram de várias formas a nossa formação cultural. Um exemplo clássico é o nosso ritmo mais tradicional, o samba e suas variações regionais”, explica Sandra Oliveira, uma das idealizadoras e organizadoras do projeto. “O projeto Dia de Zumbi vai na contramão da massificação cultural que transforma as manifestações culturais brasileiras em mercadoria. Assim como diversos coletivos de arte no Brasil, o projeto se dedica à pesquisa e divulgação, além da releitura e inovações estéticas, fundamentais para o constante aprimoramento da identidade brasileira”, destaca Sandra.
Entre as atrações que colocam em destaque a cultura brasileira, estão os shows das bandas Feijão Coletivo eMaracutaia, que abrem o encontro na quinta -, e os cantores Lucio Sanfilippo e André Sampaio, que estará acompanhado do grupo Afromandingas. O fotógrafo Ricardo Beliel traz como contribuição para o evento uma instalação multimídia que mostra registros do projeto Rio-Luanda, expondo trabalhos que evidenciam as particularidades e semelhanças entre as cidades do Rio de Janeiro e a capital angolana. Já a pedagoga Fabíola Oliveira relaciona as manifestações dos Orixás (divindades africanas) com a vida cotidiana em apresentação de dança marcada pelo ritmo dos tambores e dos atabaques, na intervenção performática O sagrado que há em mim.
“Todas as  atrações transitam pelo território afro-brasileiro. Esses artistas são guardiões modernos das diferentes manifestações do nosso país. Eles desenvolvem pesquisas, releituras e inovações estéticas utilizando matrizes afro-brasileiras”, comenta o músico e educador Alexandre Garnizé, responsável pela concepção artística do encontro. “Esperamos que o público prestigie o evento e incorpore o espírito guerreiro de Zumbi dos Palmares, se envolvendo com a causa contra as injustiças sociais e saindo de lá com a mensagem de que estamos todos debaixo do mesmo sombreiro”, torce Alexandre.
Durante as atividades do evento, uma equipe de filmagem estará colhendo depoimentos de visitantes sobre a questão: “o que é (ter) Consciência Negra?”. Simultaneamente, registros de declarações feitos em outras edições do Dia de Zumbi serão exibidos na área externa da CAIXA Cultural. Para Sandra Oliveira, uma das idealizadoras do projeto Dia de Zumbi, ter Consciência Negra parte do exercício diário de cada um. “Esse é o tema que propomos como reflexão nesse processo de encontro da arte da matriz negra com o expectador”, destaca.
Serviço:
Dia de Zumbi
Locais: Teatro da CAI​XA, foyer e Jardim das Esculturas
Endereço: SBS, quadra 4, lotes 3/4 – Asa Sul, anexo à matriz da CAIXA
Data: de 4 a 7 de setembro de 2014 (quinta-feira a domingo); quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h​.
Classificação etária: não recomendado para menores de 12 anos
Informações: (61) 3206-9448 / 9449
Acesso para pessoas com deficiência​

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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