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Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa será comemorado na Cinelândia

Shows marcarão data com artistas de diversos credos na noite de 24 de janeiro

 

Foto: Jornal A Tarde
Foto: Jornal A Tarde

Em pleno ano 2000, uma sacerdotisa do Candomblé falecia por conta de um enorme susto, ao ver seu rosto na capa do jornal “Folha Universal”, com a manchete “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida de clientes”. Vítima de um enfarte, Gildásia dos Santos e Santos, conhecida como Mãe Gilda, deixou filhos e marido. A data de sua morte (21 de janeiro) serviu para estabelecer o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Dessa forma, a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), mais uma vez, promoverá o “Cantando A Gente se Entende”, no dia 24 de janeiro, a partir das 18h, na Cinelândia, com o objetivo de chamar a atenção para a importância da convivência entre os diversos credos.

Ogans, que são pessoas com cargos masculinos de diversas funções em terreiros de Candomblé e que, geralmente, ficam responsáveis pelos cânticos; padre; banda gospel; entre outros vão compor o quadro de atrações da edição do “Cantando A Gente se Entende” 2014.

“Este ano o projeto se torna muito importante pelo fato de que teremos uma banda da igreja A Voz de Deus, que é neopentecostal. Estar ao palco junto a representantes de outros credos mostra respeito por parte desses religiosos”, diz o interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos.

Candomblecistas, umbandistas, espíritas, muçulmanos, judeus, budistas, ciganos, wiccans, católicos, seguidores da Fé Bahá’í, hare Krishnas, evangélicos e outros representantes religiosos aguardam o evento com entusiasmo.

“Será montada uma grande estrutura no palco, que ficará em frente ao Theatro Municipal. Haverá outros artistas, mas posso adiantar somente as participações do ogan Tião Casemiro, do ogan Taina, e padre Omar”, revela o produtor Jorge Damião.

Lembrança

O caso Mãe Gilda ficou conhecido mundialmente. Ela era moradora e fundadora do Ilê Asé Abassá de Ogum, terreiro de Candomblé localizado nas imediações da Lagoa do Abaeté, bairro de Itapuã, Salvador (BA).

A revista Veja publicou matéria em 1992 em que aparecia uma foto de Mãe Gilda, trajada com roupas de sacerdotisa, tendo aos seus pés uma oferenda como forma de solicitar aos orixás que atendessem às súplicas daquele momento. A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) publicou fotografia no jornal “Folha Universal”, em outubro de 1999, associada a uma agressiva e comprometedora reportagem sobre charlatanismo, sob o título: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A matéria afirmava estar crescendo no País um “mercado de enganação”. Nesta reportagem, a foto da Mãe Gilda aparece com uma tarja preta nos olhos. A publicação dessa foto marca o início de um doloroso, porém definidor processo de luta por justiça da família e de todos os religiosos.

Fonte: release CCIR

Ricardo Rubim – Coordenador de Comunicação
CEAP – Centro de Articulação de Populações Marginalizadas/Comissão de Combate à Intolerância Religiosa
55 (21) 2232-7077 / 99290-5933 / 97551-7194

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Ilé Asé Omin Oiyn, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Hoje, é editor do Jornal Awùre. Diretor Financeiro da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. Colabora com a assessoria de comunicação do PPLE - Partido Popular da Liberdade de Expressão Afro-Brasileira. É sócio diretor na agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras.

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