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Difusão da História da África e dos Afro-brasileiros no Brasil

Instrumentos pedagógicos para a transmissão da História da África e dos Afro-brasileiros no Brasil – RV

08/08/2017 12:04

 

Falamos já aqui na rubrica “Década dos Afrodescendentes” do Cais do Valongo, porta de entrada, no Rio de Janeiro,  de milhares e milhares de africanos levados para a América do Sul como escravos. Construído em 1811, esse cais sofreu, ao longo dos tempos, várias transformações, até ser completamente aterrado em 1911. Virá a ser revelado em 2011 e, a 9 de passado mês de Julho, foi proclamado pela UNESCO, Patrimônio Mundial da Humanidade. Uma forma de preservar a memória do Tráfico Transatlântico de africanos e da escravidão e fazer com que essa tragédia humana não volte mais a acontecer.

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A preservação do Sítio Arqueológico, Cais do Valongo, e o seu aproveitamento para atividades educativas é da competência da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro – disse-nos Rebeca Otero, Coordenadora interina da Cultura da UNESCO/Brasil. Mas, a UNESCO – acrescentou Rebeca – vai colaborar com o Município numa série de atividades viradas para a sensibilização sobre a história, a cultura e a situação de vida dos afrodescendentes. Sensibilizar neste sentido é, de fato, um dos objetivos da Década Internacional dos Afrodescendentes estabelecida pela ONU e que vai de 2015 a 2024.

Uma dessas atividades em que a UNESCO/Brasil vai colaborar com o Município do Rio é a construção, nas proximidades do Sítio Arqueológico, Cais do Valongo, de um Museu da Escravidão e da Libertação. Além disso – recorda Rebeca Otero – a UNESCO colaborará na elaboração de uma série de materiais didáticos para o ensino da História da África e Afro-brasileira nas escolas, ensino que se tornou obrigatório com a Lei, 10.639 de 2003.

A propósito da História Geral da África, é importante recordar que em 1964, a UNESCO dava inicio à imensa tarefa de contar a história da África na perspectiva dos próprios africanos. 30 anos depois, esse trabalho de centenas de cientistas, na sua maioria africanos, dava origem a uma coleção de 8 volumes editados em inglês, francês e árabe. Agora está em curso a elaboração de um nono volume que incluirá a descolonização, o fim do Apartheid e a diáspora. Sendo o Brasil o país com a maior diáspora africana no mundo, para além de ter traduzido para o português os 8 precedentes volumes, está agora amplamente envolvido na elaboração deste nono volume da História Geral da África:

 

Os esforços do Brasil em ampla escala e por etapas na elaboração de instrumentos pedagógicos  sobre a história da África e dos afro-brasileiros. Um esforço que vai de encontro aos objetivos da Década Internacional dos Afrodescendentes (2015-2024) que são, antes de mais, sensibilizar sobre a realidade passada e presente dos afrodescendentes no mundo. E um contributo valioso para esta ação de sensibilização é a revelação e a recente proclamação do Cais do Valongo como Patrimônio Mundial da Humanidade. Foi um acto da UNESCO no passado dia 9 de Julho, dia em que foi também incluída nessa lista da Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura, a cidade angolana de Mbanza Kongo, um local que não é de todo estranho à questão do Tráfico Transatlântico de africanos, na medida em que do contacto bem intencionado desse Reino com os portugueses surgiu, infelizmente, a escravatura, iniciada por estes últimos. Pode-se então pensar nalguma atividade conjunta que envolva essas duas realidades: o Cais do Valongo e Mbanza Congo? Rebeca Otero afirma que até agora não se pensou nisso, mas que não é de excluir, tanto mais que Angola é um país de língua portuguesa: 

 

Rebeca Otero, Coordenadora interina da Cultura da UNESCO/Brasil que nos falava telefonicamente de Brasília para a rubrica “Década dos Afrodescendentes” que pode ouvir, no conjunto, clicando em baixo.

  

Ouça a emissão precedente sobre a revelação e inclusão do Cais do Valongo na lista de Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, clicando no link em baixo. 

 

http://pt.radiovaticana.va/news/2017/08/01/s%C3%ADtio__arqueol%C3%B3gico_cais_do_valongo__escravid%C3%A3o_no_brasil/1328185

(DA)

 

Extraído do site da Rádio do Vaticano / Vaticano – VA
http://pt.radiovaticana.va/news/2017/08/08/difus%C3%A3o_da_hist%C3%B3ria_da_%C3%A1frica_e_dos_afro-brasileiros_no_bras/1329541

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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