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Direitos Humanos Em marcha no Rio, mulheres negras defendem inclusão social

 

26/07/2015 14h56

Rio de Janeiro

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

A Pré-Marcha de Mulheres Negras 2015 Contra o Racismo e a Violência e Pelo Bem Viver reuniu hoje (26), na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, centenas de representantes e simpatizantes da causa, como encerramento das comemorações do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, lembrado ontem (25). O evento é preparatório à marcha nacional, que ocorrerá no dia 18 de novembro, em Brasília.

Uma das organizadoras do encontro Clátia Vieira explicou que a finalidade é pregar a equidade de direitos e a inclusão social. “A gente precisa ir para a rua para dizer que do jeito que está não dá para ficar”, destacou. Ela espera que até novembro, os negros famosos das artes brasileiras incorporem a ideia e participem da marcha que luta pelo respeito da mulher negra.

O babalaô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, apoia a pré-marcha. “[A iniciativa ocorre] em homenagem às grandes yabás [mães], que deram os fundamentos do início do candomblé na Bahia, e às mulheres negras que são um símbolo importante de luta e resistência no nosso país”, destacou ele.

Cláudia Vitalino, da União de Negros pela Igualdade (Unegro), destacou que a mobilização visa a tirar a invisibilidade das mulheres negras que, segundo índices oficiais, são as que mais morrem no país e recebem os menores salários, inclusive em relação a mulheres brancas e a homens negros.

A secretária de Assistência Social e Direitos Humanos do estado do Rio de Janeiro, Teresa Cosentino, reforçou que o órgão apoia todo movimento de não discriminação e de vida fraterna e solidária. “E aqui tem duas questões, de gênero e de etnia que, somadas, são explosivas no preconceito.”

A advogada Roseli Brasiliense Caetano, da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil seção Rio de Janeiro (OAB-RJ), destacou que a criação da comissão é um fato novo no órgão, que aumenta a conscientização entre os advogados a população, de modo geral, a essa causa. “[A mulher negra] precisa ser tratada com o mesmo respeito que todos os profissionais merecem”.

Inês Teixeira, do Terreiro Axé, de candomblé de Nilópolis, disse que combater o racismo é também combater a intolerância religiosa. “Quando colocamos os nossos torsos e nossos fios de contas, sabemos o quanto o racismo é cruel conosco. Somos solidárias com o bem viver de todas as mulheres.”

O estudante de direito e voluntário da organização não governamental (ONG) Anistia Internacional, Adolfo Tavares, argumentou que o racismo existe no Brasil, até de forma  inconsciente. “Mas, se você tiver um olhar mais crítico e profundo da sociedade, você vê que ainda há preconceito”. Apoiar essa causa é, para ele, uma questão de ética.

Durante a mobilização, a grafiteira internacional Panmela Castro, presidente e fundadora da Rede Nami, ONG feminista que usa as artes urbanas para promover os direitos das mulheres, divulgou o projeto Afrografiteiras. Ela enfrentou diferenças em sua própria família, por ser a única negra, “em uma família de brancos”.

Edição: Talita Cavalcante

Extraído do portal da Agência Brasil EBC / Brasília – DF
http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2015-07/mulheres-negras-do-rio-se-mobilizam-contra-o-racismo-e-pela

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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