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Dom Orani afirma que Arquidiocese acompanhará processo como “Amicus Curiae; CCIR também conta com apoio de muçulmanos

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Nesta quarta-feira (10), o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, confirmou, em reunião com representantes da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) que a Igreja Católica entrará como ‘Amicus Curiae’ na ação do Ministério Público Federal (MPF) , que pede a retirada de 16 vídeos com conteúdo depreciativo em relação às religiões afro-brasileiras. O encontro contou com a presença de representantes da Umbanda, Candomblé Islamismo e Judaísmo, e aconteceu na residência oficial do cardeal, na Glória.

Ivanir dos Santos comentou que a participação da Igreja Católica é fundamental, classificando como uma expressão de aliança e respeito. “O trabalho que estamos fazendo está tendo um alcance para a sociedade. E Dom Orani compreendeu a importância desse diálogo. Já entraram no processo a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), e tivemos um diálogo com a Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ), que também acompanhará”, esclareceu o interlocutor da Comissão, que afirma ser saudável a discussão.

“Mostraremos que é um debate sério, que queremos impedir o desrespeito, a perseguição e ódio. O apoio das outras religiões é importante para todos nós. Quem ganha é a sociedade brasileira. Quase todas as religiões sofrem preconceito. Precisamos aperfeiçoar um novo debate sobre a democracia. A umbanda e o candomblé não podem ser vilipendiados. O debate no judiciário será muito relevante”, defendeu. 

Dos Santos declarou que aguarda a formalização de um seminário sobre intolerância religiosa com o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF), Sérgio Schwaitzer, a quem foi entregue um abaixo-assinado com cerca de mil assinaturas, no fim do mês passado, pedindo pela retirada dos vídeos depreciativos.

 

Liberdade religiosa precisa de respeito, diz arcebispo

Dom Orani considera muito importante a busca de fazer o bem através das religiões e defende que esse processo deve ser respeitado. “Somos cidadãos de um País laico, que, portanto, deve respeitar todas as religiões. E, nesse sentido, a liberdade religiosa tem de ser cada vez mais respeitada. Nós, da Igreja Católica, estaremos juntos nessa necessidade de se fazer respeitar isso”, explicou o religioso, apoiando a causa das religiões de matriz africana e citando a legislação.

“Nós defendemos a liberdade de expressão e comunicação. A própria Legislação fala que você pode se manifestar, mas, ao mesmo tempo, ao extrapolar, vai responder por aquilo que você faz. Se for intolerante, terá de responder por isso”, explicou o arcebispo do Rio.

No encontro, o diretor da SBMRJ, Sami Ahmed Isbelle propôs que haja estudo sobre a defesa da religiosidade de forma geral. “Poderíamos aproveitar esse momento, em que vários segmentos religiosos são atacados, para começar a estudar uma ação conjunta, em defesa da religiosidade em geral. Porque atuamos com as religiões afro-brasileiras, daqui a pouco, isso pode se intensificar com outras religiões. Se agirmos de forma pontual, podemos perder um pouco de tempo. Podemos agir em defesa do sagrado, de forma geral”, expôs.

Relembre o caso

Marcio de Jagun informou que a ação de retiradas dos vídeos não quer cercear a liberdade de expressão, muito menos declarar uma guerra santa. “Queremos ser respeitados dentro do que a democracia e a Constituição nos assegura”. Ele acrescenta que esses vídeos têm conteúdo violento, que afronta o sagrado e incita a violência na sociedade civil. “Quando tomamos essa iniciativa, tivemos como objetivo buscar o respeito e liberdade que a própria Constituição nos garante”.

O presidente da Associação Nacional de Mídia Afro (ANMA) relatou que o MPF foi sensível à causa, imediatamente recebendo a denúncia e promovendo uma recomendação administrativa ao Google – site que gerencia o Youtube, onde os vídeos estão postados – mas essa empresa se negou a tomar as providências cabíveis. Mesmo após voltar atrás e declarar que Umbanda e Candomblé são, sim, religiões, o juiz federal Eugênio Rosa de Araújo decidiu manter os vídeos no Youtube, alegando liberdade de expressão.

“O MPF ingressou com uma ação civil pública, e o juiz responsável acabou dando aquela decisão infeliz. Hoje o processo está no Tribunal Regional Federal e o procurador responsável pela condução da causa entendeu que fosse muito importante mostrar que as outras matrizes religiosas têm o mesmo propósito que nós: garantir não só democracia, mas a convivência harmônica que a sociedade brasileira é capaz de produzir, com vertentes e possibilidades de crenças distintas”, complementou Marcio.

Ameaça como forma de intimidação

O babalawo Ivanir dos Santos está neste momento, com o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro para averiguar ameaça anônima. O interlocutor da CCIR recebeu palavras em seu celular, na última quinta-feira (5), com a mensagem “Você vai morrer. Eu tenho fé”.

“Não é uma ameaça a mim, e sim ao movimento. Uma tentativa de intimidar nossa causa. E veio diretamente para o meu celular, enviada pela web, de um número de São Paulo”, afirmou o babalawo.

“Vamos pedir que o caso seja investigado. Alguém quer calar a Comissão, e pediremos as autoridades que isso seja averiguado”.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa CCIR

Ricardo Rubim

Coordenador de Comunicação

CEAP – Centro de Articulação de Populações Marginalizadas/Comissão de Combate à Intolerância Religiosa

55 (21) 2232-7077 / 99290-5933 / 99924-1404

www.ceaprj.org.br/ www.ccir.org.br

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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