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Dupla que pichou estátua de Zumbi pede desculpas: ‘É uma adrenalina’

Dois homens foram identificados após fotos postadas e exibidas no G1.
‘Estudei pouco, não sabia o que era suástica’, disse um dos pichadores.

 

Lívia Torres Do G1 Rio | 21/10/2014 16h42 – Atualizado em 21/10/2014 16h59

 

 

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Claudio e Alessandro confessaram as pichações a Zumbi (Foto: Lívia Torres / G1)

Os dois homens que picharam o monumento a Zumbi dos Palmares neste domingo (19) pediram desculpas à comunidade negra após prestarem depoimento na Cidade da Polícia, em Bonsucesso, Subúrbio do Rio, na tarde desta terça-feira (21). Eles disseram que não sabiam o que a suástica representa, não sabem o que é nazismo – apenas têm conhecimento de que “[os nazistas] mataram muita gente” – e que conhecem Zumbi dos Palmares apenas “por ser um cara gente boa”.

Claudio e Alessandro confessaram as pichações a Zumbi (Foto: Lívia Torres / G1)
Claudio e Alessandro confessaram as pichações
a Zumbi (Foto: Lívia Torres / G1)

“Estamos arrependidos, foi um lance de momento. A suástica no meio dos pichadores significa rebeldia. Eu estudei pouco, não sabia o que era suástica. É uma adrenalina, e sentir essa adrenalina é inexplicável. Mas queremos pedir desculpas à comunidade negra”, disse o eletricista de automíoveis Alessandro Nascimento, o “Demo”, de 30 anos, que se apresentou ao lado do marteleiro de construção civil Cláudio, de 37 anos, conhecido como “Casão”.

 

Cláudio também disse não ter conhecimento do que significa a suástica. De acordo com ele, a atitude não foi premeditada e não teve relação com o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro e que tem como símbolo Zumbi, o último grande líder quilombola e ícone da resistência negra à escravidão, no período colonial, no século 17. “Na verdade não existem grupos, esse lance é individual. Nós somos negros, não teve a ver com raça. Não tivemos pretensão de atingir nenhuma etnia”, afirmou.

 

 

De acordo com a polícia, os dois voltarão à delegacia na terça-feira (28) e irão efetuar a limpeza de outras pichações que já fizeram. A estátua de Zumbi já foi limpa pela prefeitura. “Se pudéssemos limpar, eu ia lá e limparia. Quero pedir desculpas a minha família e a minha filha, que é negra”, disse Alessandro.

 

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Estátua de Zumbi foi limpa após receber pichações (Foto: Mariucha Machado/G1)

 

De acordo com o delegado Fernando Reis, eles decidiram se entregar pois ficaram com medo da grande repercussão após fotos serem divulgadas pela imprensa – o G1 exibiu as imagens nesta segunda. Como não houve flagrante, eles não serão presos, mas podem pegar pena de até 10 anos e responder por pichação de monumento histórico, utilização de cruz suástica e associação criminosa, já que fazem parte de um grupo que se denomina “5 Estrelas”.

 

 

De acordo com o delegado Rodrigo Brand, da DPMA, os suspeitos já tinham passagem pela polícia pelo crime de pichação.

 

 

 

Um dos suspeitos postou foto dele próprio pichando um muro. Sinal é semelhante ao pichado na cabeça da estátua de Zumbi (Foto: Reprodução / Facebook)
Um dos suspeitos postou foto dele próprio
pichando um muro. Sinal é semelhante ao
pichado na cabeça da estátua de Zumbi
(Foto: Reprodução / Facebook)

 

Cláudio e Alessandro posaram para fotos em frente à estátua pichada, mas apenas o segundo publicou as fotos na rede social, assim como uma mulher que se identifica como sua namorada, que identificou a dupla nas fotos. “Maridão e titio machucaram hoje o Zumbi dos Palmares, no Centro da cidade”, disse, na postagem.

Um usuário comentou na publicação sobre a cruz suástica. Um dos suspeitos responde que a marca é só “para chamar a atenção”. “O significado todos nós sabemos. Parafraseando um grande amigo, melhor ser um preto de atitude do que um negro limitado”, postou o suspeito de vandalizar o monumento a Zumbi dos Palmares.

O perfil do homem que não postou as imagens exibe fotos de outras pichações, supostamente feitas por ele. Em todas as imagens, o piche tem o mesmo símbolo do pintado na estátua de Zumbi dos Palmares. Segundo a polícia, a marca é chamada de “xarpi” por grupos de pichadores, rivais entre si.

“O símbolo é a marca e o (número) cinco com uma estrela é o grupo a qual eles pertencem. Já temos alguns grupos identificados”, explicou o delegado.

 

 

Susposta namorada de suspeito se orgulha do feito do parceiro (Foto: Reprodução / Facebook)
Susposta namorada de suspeito se orgulha do
feito do parceiro (Foto: Reprodução / Facebook)

Vandalismo recorrente
A estátua em homenagem a Zumbi dos Palmares já foi vítima de pichação em várias outras ocasiões. Em 2013, câmeras da prefeitura flagraram por pelo menos duas vezes homens escalando o monumento para cometer o crime. Um dos casos aconteceu dois dias antes do feriado de Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro. Equipes da Secretaria Municipal de Conservação limparam a estátua nestes casos.

A estátua de Carlos Drummond de Andrade, na orla de Copacabana, na Zona Sul, também costuma ser vítima de pichadores. O caso mais recente aconteceu no natal de 2013. O suspeito foi identificado após ser flagrado por uma câmera da prefeitura. Ele também respondeu por pichar estátuas do jornalista Zózimo Barroso do Amaral, na Praia do Leblon, e o monumento em homenagem a Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo, também na Zona Sul.

 

 

 

 

 

 

 

Monumento a Zumbi dos Palmares teve suástica pichada neste domingo (Foto: Alba Valéria Mendonça / G1)
Monumento a Zumbi dos Palmares teve suástica pichada neste domingo (Foto: Alba Valéria Mendonça / G1)

 

 

 

 

Extraído do Portal G1

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/10/dupla-que-pichou-estatua-de-zumbi-pede-desculpas-negros-adrenalina.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Ilé Asé Omin Oiyn, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Hoje, é editor do Jornal Awùre. Diretor Financeiro da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. Colabora com a assessoria de comunicação do PPLE - Partido Popular da Liberdade de Expressão Afro-Brasileira. É sócio diretor na agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras.

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