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Ê, pombogira, ê pombogira, leva as quizilas dessa casa pro lado de lá… , por Matê da Luz

 

MATÊ DA LUZ

SEX, 14/07/2017 – 07:15

 

Dia desses encontrei um link no Facebook que dava conta de levar pra uma matéria falando sobre as Pombagiras. Antes de mais nada, registro oficialmente e por escrito que prefiro o termo Pombogira, mesmo que ambas as versões estejam corretas: caso é que sempre me vem à cabeça a imagem de uma pombinha rodando e ai, isso é um pouco desesperador. Enfim, preferências pessoais.

​Daí que a pauta descrevia as entidades de uma forma tão, mas tão esquisita que não consegui deixar de entrar no famigerado embate nos comentários, esta que é uma atividade sobre a qual mantenho compromisso forte no sentido de manter distância, realizando a manutenção da sanidade mental desta que vos escreve. Acontece que a baboseira era tanta que, nossa, não rolou – sou macumbeira, passei pela umbanda e hoje me desenvolvo no candomblé e, portanto, fico possessa quando percebo a religião sendo difamada especialmente quando a intenção não é essa.

Veja bem: já sofremos preconceitos exacerbados por conta da magia e misticismo e, então, recebemos ataques constantes daqueles que não nos são empáticos, mas estes estão claramente jogando contra e, então, não tem problema. A questão que fica é quando determinado porta-voz que de certa forma tem expressão dentro da religião, seja por meio de um portal de espiritualidade, seja por perfis informativos, enfim, começa a transmitir notícias que dão conta de absurdos como “sinais e sintomas de pomba-gira”. Como assim, meu povo, sinais e sintomas?! Cliquei só pra ver onde ia dar.

A pauta começa falando que pomba-gira é uma entidade do candomblé e da umbanda… Candomblé tradicionalmente não trabalha com entidade, mas sim com orixá e esta é uma das principais diferenças entre as duas religiões. Segue comentando que as PGs dão conselhos e sugerem rituais em troca de oferendas diversas, o que de certa forma é verdade mas não necessariamente o atendimento é pautado pela troca, uma vez que umbanda é caridade e não existe, portanto, essa premissa. Então, a parte mais esquisita do texto todo: “É preciso energia para requisitar essa entidade, apresentando comportamento semelhante ao dela. Sua principal característica é a sensualidade e, assim como todos os espíritos comunicantes, ela faz uso do chacra do médium correspondente à sua linha de atuação. Assim, o primeiro sinal de Pombagira é muito semelhante à excitação sexual, pois ela se utiliza do chacra genésico – as glândulas sexuais – para se manifestar.” Não necessariamente. Aliás, a associação da pombogira com este cunho estritamente sexual é tão equivocada e acaba or denegrir uma entidade tão maravilhosa e que trabalha inclusive com oanjo da guarda em alguns casos (como no meu, por exemplo, obrigada, Teresa!). Além do mais, as PGs são as responsáveis por promover o encontro das almas entre as mães e seus filhos suicidas, uma das tarefas mais lindas e enriquecedoras sobre a qual já ouvi falar nas rodas de conversa sobre a religião.

Reclamei mesmo. Escrevi tudo o que está aqui e mais um tanto porque, de verdade, acho que é um equívoco gigante compartilhar este tipo de informação equivocada e simplista mesmo que tendo boas intenções. Dessas, como a gente está de fato cansado de saber, o inferno está cheio.

 

Extraído da Coluna de Matê Luz, do portal GGN
http://jornalggn.com.br/blog/mate-da-luz/e-pombogira-e-pombogira-leva-as-quizilas-dessa-casa-pro-lado-de-la-por-mate-da-luz

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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