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Em Salvador, prefeitura quer proibir bolinho de Jesus e permitir apenas o acarajé das religiões afro

Por Tiago Chagas – 14 de setembro de 2016

 

baiana-do-acarajeEm Salvador (BA), o acarajé é um dos principais itens do programa turístico e há uma década, foi declarado Patrimônio Imaterial Nacional. Com a ampliação da diversificação religiosa no país, marcada principalmente pelo crescimento dos evangélicos, surgiram variações da especiaria, como o bolinho de Jesus.

No entanto, a prefeitura da capital baiana agora quer limitar a venda do acarajé, permitindo apenas as baianas tradicionais, adeptas de religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda, por exemplo.

Rosemma Maluf, titular da Secretaria de Ordem Pública (SEMOP), afirmou em entrevista que o objetivo é permitir apenas o acarajé da forma tradicional, proibindo as versões vendidas por evangélicas, que não consagram o alimento a entidades e não usam as tradicionais vestimentas das baianas.

A secretária anunciou que o decreto municipal 12.175, de novembro de 1998, que atribui obrigações para o comércio exercido pela baiana de acarajé e de mingau, será modernizado, para proibir a venda do bolinho de Jesus.

A postura foi adotada após uma reunião com a Associação de Baianas de Acarajé, Mingau e Receptivo (ABAM). Rosemma frisou que irá apertar a fiscalização para que tudo seja feito como determina a certidão de registro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que prevê que as baianas deveriam “utilizar vestimenta típica de acordo com a tradição da cultura afro-brasileira”.

Dizendo que irá “lapidar” a lei, a secretária quer licenciar apenas as baianas que respeitam a tradição afro-brasileira na hora de se vestir e de fazer o acarajé: “No espaço público, só vamos licenciar as baianas caracterizadas. Existe uma indumentária que precisa ser preservada e uma forma de fazer o bolinho. Senão, o ofício vai acabar”, acredita a secretária.

A presidente da ABAM, Rita Santos, concorda: “O acarajé tradicional é patrimônio de uma comunidade e precisa ser respeitado”.

A receita que deve ser seguida, segundo o babalorixá Carlos Barbosa dos Santos, conhecido como pai Gueji de Oyá, do terreiro Ilê Axé Opô Igbalé, o acarajé tem que ser feito de feijão fradinho temperado somente com cebola e sal, e frito no dendê. “O acarajé original só tinha pimenta e vatapá. Depois, entrou o camarão e, recentemente, o caruru. Mas como também fazem parte do cardápio dos orixás não tem problema”, explica.

No entanto, nem entre os próprios seguidores das religiões afro existe consenso: “Eu vendo com siri e bacalhau por causa de clientes que têm alergia ao camarão. Mas mantenho a forma de fazer. Em momento algum quero mudar o bolinho”, garante o baiano de acarajé Yan Reinel.

 

 

Extraído do site religioso Gospel + / São Paulo – SP
https://noticias.gospelmais.com.br/salvador-proibir-bolinho-de-jesus-permitir-acaraje-afro-85604.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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