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Encontro resgata memória de sacerdotisa

Ana Esther Gomes

Sex , 10/02/2017 às 22:38 | Atualizado em: 10/02/2017 às 22:42

 

Mãe Carmen (dir.) é a sucessora de Mãe MenininhaLúcio Távora l Ag. A TARDE

 

Esta sexta-feira, 10, foi um dia importante para o povo de santo em Salvador. Além de ser a data de nascimento da Iyálorixá Mãe Menininha do Gantois, que completaria 123 anos se estivesse viva, a tarde no terreiro que leva o nome da sacerdotisa, na Federação, também foi marcada pelo primeiro encontro com a comunidade para o projeto de requalificação do memorial que conta a trajetória da líder religiosa.

Contemplado pelo Edital Setorial de Museus 20/2016 do Governo do Estado, o Memorial reúne cerca de 500 peças (entre objetos pessoais, litúrgicos e domésticos) da ialorixá reconhecida mundialmente como uma das maiores sacerdotisas da religiosidade de matriz africana no Brasil.

“Essa é uma requalificação de infraestrutura conceitual. O memorial está refletindo sobre o que ele é, como ele está dialogando com a comunidade, e o que pode ser feito para melhorar. Desde o mês de janeiro, estamos construindo de forma participativa com a comunidade e trabalhando junto nesse projeto, para atender aos programas educativo, cultural e de programação institucional”, relata Simone Trindade, museóloga da empresa Tecno Museu Consultoria, que está à frente do projeto de requalificação.

A primeira etapa do projeto será destinada para a formação do Plano Museológico, e terá grande participação da comunidade. O objetivo é reunir a comunidade do Gantois, a comunidade do entorno e todos os interessados no projeto, para discutir sobre como o museu servirá para sociedade.

“Hoje foi o primeiro encontro. Temos mais dois para serem realizados. O próximo está previsto para final de março, começo de abril e o último no final de abril, que já será a apresentação no Plano. Além disso estamos trabalhando com as pessoas no terreiro, e estão todas bem envolvidas. Há uma grande expectativa”, completa a museóloga.

Em clima de celebração, a primeira reunião contou com a apresentação de Marcelo Nascimento Bernardo da Cunha, doutor em História Social, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, que desenvolveu uma tese acerca do Memorial Mãe Menininha.

“O Memorial tem uma particularidade muito forte, que é o fato de ser em primeira pessoa. É a própria comunidade e a família ali escrevendo. Não é a mesma coisa de existir algum museu falando sobre a ialorixá. Pude experimentar efetivamente essa sensação e processo de chegada. Se confirmou a minha hipótese de que esse discurso em primeira pessoa faz total diferença”, explica o pesquisador.

Evento teve apresentações de capoeira, um dos principais símbolos da cultura africana no Brasil

Emoção

A ialorixá Mãe Carmen, sucessora de Menininha, se emocionou ao falar da importância do projeto para o povo de santo. “Conta a história para quem não presenciou ou não conhece a nossa religião. Vai beneficiar outros terreiros também, e enriquece o aprendizado das crianças que aprendem através do Memorial a história do Candomblé e do Gantois”, conta a sacerdotisa, que se emociona ao lembrar da líder homenageada do dia.

*Estagiária sob supervisão do editor-coordenador Luiz Lasserre

 

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvado – BA
http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1838127-encontro-resgata-memoria-de-sacerdotisa

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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