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ENEM E VESTIBULAR: Combate à intolerância religiosa é tema da redação do Enem 2016

 

Professores elogiam escolha do assunto, "de grande relevância nacional"

  POR EDUARDO VANINI / WILLIAM HELAL FILHO 06/11/2016 13:30 / atualizado 06/11/2016 16:30
Kaylane Campos, que aos 11 anos foi alvo de uma pedrada ao sair de um culto de candomblé na Vila da Penha - Guilherme Pinto / Agência O GLOBO
Kaylane Campos, que aos 11 anos foi alvo de uma pedrada ao sair de um culto de candomblé na Vila da Penha - Guilherme Pinto / Agência O GLOBO
RIO - O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016 é "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil". A informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), pouco depois do fechamento dos portões dos locais de prova, por meio do Twitter. O professor Filipe Couto, que ensina Língua Portuguesa no colégio pH, classificou o tema como "maravilhoso", mantendo a linha das edições anteriores. - Segue a direção de tentar colocar para o jovem um caminho para o viver mais harmônico, apresentando problemas cadentes da sociedade e esperando que ele seja capaz de organizar e propor intervenções necessárias - disse ele, ressaltando que o candidato consiga mostrar o respeito à diversidade: - Ele tem que entender que as pessoas têm suas tradições e a existência de uma cultura não significa a extinção da outra. O assunto vem sendo bastante discutido nos últimos anos, entre outros motivos, devido ao preconceito sofrido por adeptos das religiões de matriz africana. Em junho do ano passado, por exemplo, uma menina de 11 anos foi alvo de uma pedrada ao sair de um culto de candomblé na Vila da Penha, Zona Norte do Rio. O caso foi registrado como lesão corporal e preconceito contra raça, cor, etnia ou religião. Em maio de 2014, um juiz federal emitiu uma decisão polêmica. Ao negar um pedido do Ministério Público Federal para remover vídeos do YouTube ofensivos a umbanda e candomblé, o magistrado afirmou que "manifestações religiosas afro-brasileiros não se constituem religião". O professor Rafael Pinna, do Colégio e Curso de A_Z, também elogiou. Ele lembrou que, no ano passado, o tema da redação foi a dificuldade de acabar com a violência contra a mulher no país. - Assim como ano passado, o ENEM optou por um tema de grande relevância nacional, como forma de medir o nível grau de cidadania dos estudantes. Trata-se de uma discussão atual, que segue o estilo de edições anteriores. No plano político, o aluno poderia seguir vários caminhos, principalmente identificando aspectos políticos e culturais do problema. Um argumento poderia ser a referência à intolerância religiosa como crime de ódio no Brasil, comportamento que fere a dignidade e a liberdade de fé, que é uma garantia constitucional. O tema também foi celebrado entre líderes religiosos. Para o babalaô Ivanir dos Santos, que é porta-voz da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, o tema significa um "grande passo para sociedade brasileira". - Precisamos, cada vez mais, buscar caminhos de respeito à diversidade, assim como o fortalecimento da democracia. Afinal, estamos preocupados sobre como a intolerância tem crescido e cerceado os direitos de integrantes de religiões de matriz africana e não-hegemônicas - comentou ele, enfatizando como a redação fará milhões de jovens de diferentes grupos religiosos refletirem sobre o assunto. A pastora da Igreja Luterana, Lusmarina Campos Garcia, que integra a diretoria do Conselho das Igrejas Cristãs do Estado do Rio, também elogiou a escolha. - Há um investimento de algumas instituições em difundir a intolerância, seja no campo religioso ou em esferas como a sexualidade humana e a política. Então, cabe às organizações trabalharem numa perspectiva diferenciada para combater isso - avalia ela. - E a juventude é um campo fértil, com muita energia para acolher esse ideal e transformar realidades. A vida é diversa e a gente precisa aprender a apreciar isso como um valor profundo. O pastor da Igreja Batista Betânia, Neil Barreto, também elogiou a escolha. - Não há como construir uma sociedade sem tolerância, e este tema está muito em voga. Fico muito feliz que os jovens que estão fazendo o Enem sejam levados a pensar sobre isso - avaliou ele. A "temida" prova de redação é a única avaliação discursiva de todo o Enem e também a única em que o candidato consegue tirar nota máxima. Os participantes também fazem, neste domingo, as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias. Eles têm cinco horas e meia para resolver todas as questões e escrever o texto. EDIÇÕES ANTERIORES No ano passado, o tema “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” recebeu elogios de especialistas e endossou os debates sobre a questão no país. Em 2014, o assunto foi “Publicidade infantil em questão no Brasil” e, no ano anterior, “O trabalho na construção da dignidade humana”.   Para a correção da redação, são levadas em conta cinco competências: o domínio da língua portuguesa; a compreensão do tema proposto; a capacidade de selecionar e organizar ideias; o conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação; e a elaboração de intervenção para o problema abordado. Assim como no sábado, logo após as provas deste domingo, O GLOBO vai publicar, em seu site e no aplicativo Enem O GLOBO, um gabarito extraoficial elaborado por professores especialistas no exame que é a maior porta de entrada para o ensino superior brasileiro. Também vamos fazer uma transmissão ao vivo com professores comentando diversas questões da prova. Você pode participar enviando perguntas pelo Facebook, nos comentários do post que vamos publicar com a transmissão. Extraído da versão digital do Jornal O Globo / Rio de Janeiro – RJ http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/enem-e-vestibular/combate-intolerancia-religiosa-tema-da-redacao-do-enem-2016-20420278#ixzz4PI6oUmm9

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Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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