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Enredos religiosos em 2017 vão esclarecer a opinião pública

Dicá

08/10/2016 09h23

 

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Confesso que o samba produzido pelas escolas como cultura e ensinamento, trazem, entre tantos quesitos, uma das coisas que mais gosto: o enredo.

A história contada e avaliada na grade de quesitos pelos jurados, sem dúvida, é o que mais me encanta.

Devido a isso sempre procuro entender os enredos das várias escolas, independente dos grupos que pertençam. Costumo mergulhar mais fundo nos que me interessam. Esse ano vendo a preparação para o Carnaval vindouro me deparei com dois belos enredos, que normalmente, dividem opiniões causando curiosidade e polêmica.

Quando as escolas de samba falam em seus enredos de religião ou fatos correlatos, sempre geram expectativa na dualidade: “sagrado e profano”. Acho até natural, pois essa ligação com divindades e a humanidade sempre dividiu opiniões diante das opções religiosas. Isso acaba criando polêmica, principalmente no Brasil, onde a formação é multirracial e as religiões e crenças são diversas.

A Unidos de Vila Maria fez um grande Carnaval este ano, e promete. Infelizmente não pude acompanhar suas eliminatórias cujo enredo vem falando de Nossa Senhora Aparecida, nossa “Padroeira”, e uma das santas mais queridas do Brasil. Com esse enredo a escola tentará o primeiro titulo.

Sabemos do potencial da agremiação, da garra dos seus componentes, da busca da taça inédita e da trajetória do seu novo carnavalesco paulista, Sidnei França.

Como o samba tem um trecho da música do nosso eterno “Rei” Roberto Carlos e sua anuência para ser utilizado, o mesmo demonstrou um grande gesto de generosidade exacerbada, talvez por sua fé em nossa padroeira. Também confesso que fiquei surpreso com a Igreja católica, pois pensei que não fossem dar autorização para o desfile, e dessa vez (ainda bem) me enganei, pois os tempos mudam e pela primeira vez me surpreendi!

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O desfile no sambódromo do Anhembi certamente será um marco na mostragem de uma santa católica e de uma Iyalorixá (mãe de santo) do Candomblé.

Do outro lado, o que também espero é que essa mesma anuência e compreensão não seja somente da igreja católica, mas também de todas as religiões professadas no Brasil. Porque outra das grandes escolas de samba de São Paulo, nossa querida Vai-Vai, que sempre trouxe em suas fileiras muitos negros, virá falando de Mãe Menininha do Gantois, a Iyalorixá (Mãe de santo), filha de Oxum, como uma das mães de terreiro mais famosa do Brasil, que traz em sua história o culto dos negros que hoje é seguido por muitos brasileiros independente da cor ou mesmo da religião que seguem.

Sabemos da luta de Mãe Menininha para abertura do Gantois para os cidadãos brasileiros de cor branca, entendendo que o Brasil é multirracial e o estado é laico, mesmo com estranhamentos, ela foi em frente nessa abertura.

Portanto, uma das maiores escolas de contingente negro de São Paulo e talvez do Brasil, terá a incumbência de nos brindar com mais esse enredo religioso, esclarecendo à opinião pública diversas dúvidas, e que com certeza trará mais um pouco de clareza sobre as várias manifestações da fé no Brasil.

Deixando como ensinamento que cultura e religião devem ser respeitadas. Será um bom momento para combater intolerâncias religiosas, intransigências, homofobias, e preconceitos. Características desumanas, não cabem em lugar nenhum…

Amém e axé, para todos nós!

bio_dica_blogDicá

CARNAVAL. Ativista negro, embaixador e cidadão samba paulistano de 2004, é compositor, batuqueiro, passista e fundador da Velha Guarda da Rosas de Ouro de Vila Brasilândia, junto com a embaixatriz do samba Maria Helena. É pesquisador cultural e estudioso da cultura popular brasileira e afrodescendente.

* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.

 

Extraído do blog do jornalista Sidney Rezende / São Paulo – SP
http://www.sidneyrezende.com/noticia/268664+enredos+religiosos+em+2017+vao+esclarecer+a+opiniao+publica

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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