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Ensaio apresenta orixás em contexto urbano

Eduarda Uzêda | Qua, 06/01/2016 às 07:15 | Atualizado em: 06/01/2016 às 09:01

 

Antonello Vener | Divulgação

Sandra Santos, autora do blog Gordinhas Lindas da Bahia, representa Iemanjá
Sandra Santos, autora do blog Gordinhas Lindas da Bahia, representa Iemanjá

 

“Pela lente do amor / Sou capaz de entender / Os detalhes da alma de alguém…” Os versos da música  Pela Lente do Amor do cantor e compositor Gilberto Gil traduz o  sentimento daqueles que, apaixonadamente, tentam captar o interior do  ser humano, focando o  que tem de  mais profundo.

É o caso do  fotógrafo  italiano, Antonello Veneri, que  depois que conheceu o candomblé e se aprofundou em estudos da cultura afro, começou a identificar  em diversos espaços urbanos de Salvador pessoas que tinham  traços  característicos de determinadas  divindades africanas. A partir daí nasceu o ensaio Orixás.

“Os orixás têm características  do ser humano, mas que trazem a verdadeira alma da cultura baiana, e nas ruas, principalmente em comunidades carentes,    visualizei  filhos dos orixás”, afirma.

Cotidiano

“Este trabalho fotográfico é uma homenagem a Salvador. Grande parte do meu trabalho ao longo dos anos foi o de   documentar o cotidiano  desta cidade. E todos os dias eu percebi como a religião do Candomblé está presente na vida de todos, todos  os dias”, acrescenta.

Antonello Veneri conheceu a capital baiana  em 2006  e, em 2011, se estabeleceu no bairro de Itapuã. Agora trabalha em São Paulo e Rio de Janeiro, mas se considera um baiano de coração e alma.

 

Luma Nascimento dá vida para Oxum (Foto: Antonello Veneri | Divulgação)
Luma Nascimento dá vida para Oxum (Foto: Antonello Veneri | Divulgação)

 

O ensaio de Veneri chama atenção pela beleza, originalidade  e respeito à religião africana. Para se ter ideia, a maioria das fotos que ele fez para o ensaio – ele começou o trabalho  há dois anos e está ainda  em processo –  foram apresentadas   a adeptos do  culto afro, que atuaram como espécie de  curadores  críticos.

 

Instântaneos

Segundo o fotógrafo, algumas fotos são produzidas, enquanto outras são  flagrantes  instantâneos. “Sandra  Santos, autora do blog Gordinhas Lindas da Bahia, é o nome real dessa Iemanjá que abraça a Bahia de Todos os Santos e o mar das casinhas da comunidade do Solar de Unhão”, informa o fotógrafo.

Em muitos casos não há como não reconhecer o orixá, como no caso de Iyemanjá, rainha das águas,  nesta  imagem. Os cabelos negros e os seios fartos sintetizam o arquétipo da maternidade na divindade.

Antonello comenta algumas fotos. Entre elas, as  que simbolizam Omolu e Oxosse. “Geovana Miranda, uma mulher que passou por uma cirurgia de câncer de mama e se recuperou, é representada  como  filha de Omolu, orixá das doenças e de suas curas”, frisa. Ela foi “clicada” com um só seio e traz o elemento palha (no chapéu), que faz parte da indumentária do orixá.

 

Mestre Glausser interpreta Oxosse (Foto: Antonello Veneri | Divulgação)
Mestre Glausser interpreta Oxosse (Foto: Antonello Veneri | Divulgação)

 

Já o capoerista conhecido como Mestre Glausser é   representante do filho de Oxosse, orixá das matas. Na foto, ele está em  um prédio abandonado, mas os cipós, elementos da natureza, invadem o local. É como se ele resistisse na selva urbana. Filhos de Ossain, Oxun,  Iansã e Nanã também  foram mirados com igual delicadeza.

Projetos futuros sobre o ensaio incluem exposição e  um livro, além de novas imagens que contemplem outros orixás como  Xangô, Oxalá e Ogum.

 

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/cultura/noticias/1737363-ensaio-apresenta-orixas-em-contexto-urbano-premium

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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