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Ensino da cultura afro-brasileira nas escolas iria salvar o Brasil do racismo

“Racismo no Brasil é bem escancarado e nítido”, destaca professora de história

 

BRASIL CONSCIÊNCIA NEGRA08:02 – 20/11/15POR NOTÍCIAS AO MINUTO

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Nesta sexta-feira (20), celebra-se em algumas cidades brasileiras o Dia da Consciência Negra. Uma data marcada para refletir e discutir sobre o preconceito racial que ainda está muito presente no cotidiano brasileiro.

A reportagem do R7 conversou com o secretário especial de políticas de promoção da igualdade racial da Presidência, Ronaldo Barros, que alerta que “o número de mortes de jovens negros no Brasil é maior do que em regiões em guerra”. Segundo ele, as mortes de jovens negros já chegam a 70 mil por ano no Brasil.

Reflexo de “um sistema de desigualdade racial”, como sugere Barros, o Brasil ainda tem muito para avançar nesse aspecto. “O racismo mata. O preconceito racial é algo que já é concebido e estigmatizado. Ele está na construção mental do brasileiro. As pessoas operam o racismo antes de qualquer reflexão”, alerta.

Barros destaca que “o pensamento racista é irracional e funciona como uma compulsão. Isso faz com que, algumas pessoas, sempre associem o negro a coisas negativas e cria a vontade de que eles sejam excluídos da sociedade”, e isto é real no dia-a-dia.

Racismo é escancarado

O R7 também entrevistou Juliana Serzedello Lopes, professora de história. A docente alerta que o racismo no país “é escancarado”. Mas também é “envergonhado”, pois “quando vemos as estatísticas de não escolaridade, de uso de drogas, de prisão, todos esses índices ‘ruins’, a população mais afetada é dos negros”.

“Então temos um racismo que é bem escancarado, nítido”, pontua.

O secretário Barros concorda com o pensamento da historiadora e explica que, muitas vezes, “o racista pensa que não é racista e não acredita que ele pode ser defensável e, por isso, acaba reproduzindo a fala de que o racismo não existe no País”.

“Como ele não sofre o racismo, ele não sente o racismo. O problema é encoberto. Construções ideológicas tentam “maquiar” o racismo, mas ele é um mecanismo perverso de exclusão e violência”, explica o secretário.

A elite do País, segundo a historiadora, é racista e tem vergonha de dizer publicamente o que pensa, o que não quer dizer que é menos racista por isso. “A nossa elite é racista e não é de hoje. O que eu lamento é que, em vez de enfrentar o debate, os covardes publicam atrás de portas de banheiros”.

Ensino da cultura afro-brasileira nas escolas

De acordo com a professora, “falta de um combate direto” ao racismo no Brasil e, isso faz com que a situação continue se perpetuando. Juliana destaca que é preciso punir as pessoas que fazem declarações racistas. No entanto, é mais relevante ainda que a lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, seja colocada em prática para garantir uma resolução em longo prazo.

“Porque, aí sim, teríamos profissionais em todas as áreas que iam saber a importância do negro e do índio no Brasil”, ressalta a professora ao R7.

Barros concorda que as leis (como a citada pela professora e a lei de cotas) são fundamentais para que todos entendam como a cultura afro contribuiu para a nossa sociedade. Porém, ele garante que também é preciso uma mudança cultural.

“O Brasil precisa avançar no mundo privado. A lei assegura um estado de direito, mas é preciso uma nova compreensão. É preciso que as pessoas reflitam sobre as mazelas que o racismo causa”, finaliza.

 

Extraído da versão brasileira do site de notícias português Notícias ao Minuto
http://www.noticiasaominuto.com.br/brasil/159072/ensino-da-cultura-afro-brasileira-nas-escolas-iria-salvar-o-brasil-do-racismo

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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