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Escola em Jequié transforma vida de quilombolas e valoriza cultura afro

 

 

Colegio Doutor Milton  Santos realia educação Quilombola, em Jequié Foto; Elói Corrêa/GOVBA
Colegio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié
Foto: Elói Corrêa/GOVBA

A arte associada à educação tem sido a maneira mais eficaz de proporcionar transformações significativas na vida de estudantes do Colégio Estadual Milton Santos, localizado na comunidade Quilombola do Barro Preto, em Jequié, no sudoeste baiano. Setecentos e três alunos são estimulados diariamente a construir uma nova visão de mundo, valorizando suas raízes, tão profundas que se confundem com a história afro-brasileira, da culinária ao esporte, passando por diversas manifestações culturais.

Unidade da rede pública estadual, a escola coleciona participações em projetos de incentivo ao protagonismo juvenil como o Festival Anual da Canção Estudantil (Face), Artes Visuais Estudantis (AVE), Produção de Vídeos Estudantis (Prove) e o Tempos de Artes Literárias (TAL), desenvolvidos pelo Governo do Estado. Aos 13 anos, Iago Silva dos Santos passou a ser conhecido na redondeza pelo talento com pincéis e tintas. Através da pintura ele expressa o que tem aprendido na sala de aula.

 

Colegio Doutor Milton  Santos realia educação Quilombola, em Jequié Foto; Elói Corrêa/GOVBA
Colegio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié
Foto: Elói Corrêa/GOVBA

“Esta tela que eu fiz mostra a escuridão e uma flor nascendo ao fundo. Quis mostrar que, independente dos problemas que cada um possa vir a passar na vida, sempre existe a chance de recomeçar fazendo o certo. Além desta pintura, fiz muitas outras em que mostro o que aprendi. Muitas delas reforçam o valor do negro na sociedade”, conta Iago ao apresentar o trabalho que produziu na escola, hoje exposta na sala da diretoria.

Capoeira e música

Fundado em 1964, o Colégio Estadual Milton Santos foi reconhecido como instituição de educação quilombola 52 anos depois, em 2007, época em que recebeu do Ministério da Educação (MEC) o Selo Nacional pela Igualdade Racial. A escola tem nove salas de aula, ginásio poliesportivo reformado na gestão do governador Rui Costa, laboratórios de informática, quiosques para a prática de jogos de tabuleiro e espaços para apresentações culturais, a exemplo da capoeira.

 Colégio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié. Foto: Elói Corrêa/GOVBA

Colégio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié. Foto: Elói Corrêa/GOVBA

“Aprendi capoeira com o meu pai, que por sua vez tinha aprendido com meu avô. Sabia os movimentos, mas não conhecia a história desta manifestação cultural. Na escola, os professores ensinaram a importância da capoeira na história do povo negro e passei a vê-la de uma maneira diferente. Ela me ajudou a mudar como pessoa. Era muito agitado e passei a ser mais disciplinado”, recorda o estudante Ezequiel Silva, 15.

Na escola, o empoderamento dos jovens combinou orgulho quilombola e música. A dupla de ex-alunos Eduardo Santos Silva e Erivan Rocha Ferreira – 19 e 22 anos respectivamente – descobriu a vocação musical quando foi convidada a participar do Face, em 2014. Dois anos após a experiência, eles já escreveram diversas letras e seguem perseguindo o sonho de ser cantores profissionais.

 

Colégio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié. Foto: Elói Corrêa/GOVBA
Colégio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié. Foto: Elói Corrêa/GOVBA

“Eu não sabia que gostava tanto de música, mas o desafio de participar do Face fez a gente mergulhar nesse universo singular. Foi emocionante poder compor uma música e depois cantá-la para as pessoas. Hoje tenho um caminho mais claro de onde quero chegar e, mesmo depois de concluir o ensino médio, continuo estudando para me aprimorar”, afirma Eduardo.

Segundo Erivan, a escola inspirou diversas composições de sua autoria, grande parte cantada em hip hop. “Tudo começou nesse pátio. Depois do Face, eu e Eduardo começamos a fazer música com as situações do dia a dia. Tudo pode virar música. Hoje faço músicas inspiradas na história quilombola e tento passar para meus amigos os valores que aprendi na escola”, ressalta.

Colégio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié. Foto: Elói Corrêa/GOVBA
Colégio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié. Foto: Elói Corrêa/GOVBA

Valores essenciais

Samara Santos Souza, 22, também é um exemplo de sucesso, mas não seguiu o caminho da música, da dança ou mesmo do esporte. A ex-aluna já percorre o trajeto do cuidado ao próximo. Ela foi aprovada de primeira na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) no curso de Enfermagem. “Estou muito feliz. Escolhi Enfermagem para cuidar das pessoas e vou perseguir esse sonho. A escola foi determinante na minha vida e sei que está transformando a vida de muitos garotos do Barro Preto, comunidade [onde] nasci e fui criada”.

O modelo de gestão adotado pela escola respeita o calendário nacional, mas a cada disciplina acrescenta valores essenciais para a vida dos estudantes. “Os valores são passados em todas as matérias. Português, História, Geografia e até a Matemática podem dar contribuições. É importante fazer os alunos entenderem suas origens e perceberem o potencial deles. Trabalhamos principalmente a autoestima para que realizem voos cada vez mais altos”, destaca a professora de Português, Marivete Oliveira.

Colégio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié. Foto: Elói Corrêa/GOVBA
Colégio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié. Foto: Elói Corrêa/GOVBA
Colégio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié. Foto: Elói Corrêa/GOVBA
Colégio Doutor Milton Santos realiza educação Quilombola, em Jequié. Foto: Elói Corrêa/GOVBA

 

Extraído do site de notícias Folha Geral / Tabocas do Brejo Velho – BA
Fonte: Folha Geral http://www.folhageral.com/noticia/bahia/2016/07/escola-em-jequie-transforma-vida-de-quilombolas-e-valoriza-cultura-afro/#ixzz4EzLI6NqL

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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