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Espiritismo e religiões de matrizes africanas não celebram a Páscoa

16/04/2014 – 06:00

destaque_materia_13.jpg.750x240_q85_box-0,0,640,202_crop_detailCréditos: Gabriel Tôrres/CT

 

Religiões veem de diferentes formas o feriado nacional no perído da Páscoa

Autor: Lyza Freitas

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Católicos e batistas baseiam-se na Bíblia
Créditos: Gabriel Tôrres/CT

O período da Páscoa está incluído no calendário oficial brasileiro, sendo considerado feriado nacional pelo fato de o País ter maioria católica, que tem o costume de cultuar e enaltecer o calvário de Jesus Cristo, incluindo sua morte e ressurreição, celebrada todos os anos na Semana Santa, pela tradição. Mas outras religiões têm distintas formas de encarar a data.

Para os cristãos protestantes da Igreja Batista, a Páscoa significa a morte e a ressurreição do profeta Jesus Cristo, simbolizando a chegada da paz e libertação, que surge para tirar as pessoas do pecado, assim como na Católica. Contudo, a Igreja Batista ela traz diferenciações da visão encarada pelo cristianismo católico.

Os protestantes batistais relacionam o período da Páscoa à passagem do Êxito, descrita no Antigo Testamento da Bíblia. “Para os batistas, ela representa também o livramento dos nossos pecados, porque para que haja remissão, tem que haver morte e depois a ressurreição”, explica Ideilde Gomes, missionário da Congregação Batista Testê Mani.

O missionário diz que o entendimento também está relacionado às citações bíblicas do êxodo do povo Hebreu para o Egito, por ser considerado, na visão da religião batista, um povo escolhido por Deus para cumprir uma missão. “Para os batistas, Deus usa Moisés para libertar o povo Hebreu da escravidão no Egito, querendo fazer entender que essa libertação é sinal de vida nova para o povo, e por isso tem essa conotação de renovação do espírito.”

Ideilde Gomes, missionário da Congregação Batista. Créditos: Gabriel Tôrres
Ideilde Gomes, missionário da Congregação Batista. Créditos: Gabriel Tôrres

Em relação aos costumes vivenciados na Semana Santa, Ideilde explica que embora a Páscoa faça parte do calendário nacional, os batistas não costumam festejá-la ao mesmo modo dos católicos. Não há no cronograma anual nenhuma atividade especial pela passagem da Páscoa, porque, apesar de representar um rito importante, ele é visto com a mesma relevância de outros.

“O nosso cronograma segue o ritmo anual normalmente, com a realização de cultos. Só que nesse período, nós costumamos apresentar, debater e refletir acerca da morte e ressurreição de Jesus, até para que os irmãos entendam e conheçam melhor sobre a sua religião. Além do que, como é feriado, é de costume muitos saírem para retiros espirituais a fim de estudar a Palavra.”

Também não há a abstenção quanto a comer carne vermelha, nem a outros alimentos, pois para a congregação, na Bíblia está claro que é preciso respeitar a vontade e o direito do outros de se alimentar como tenham vontade, sem se fazer julgamentos sobre o que as pessoas comem ou deixam de comer, de acordo com o esclarecimento de Ideilde.

Matrizes africanas

Diferente das igrejas católicas e batistas, para as religiões de matrizes africanas, como a Umbanda, o Candomblé e a Quimbanda, a data não é confraternizada da mesma forma. É um momento de celebração da vida, da existência do ser humano e de fazer o bem, como em todos os outros dias.

“Procuramos trocar saberes, usar os dias de feriado para ficarmos mais próximos uns dos outros”, explica Maria Assunção, coordenadora do Grupo Coisa de Nêgo. “Temos os costumes de valorizar os seres humanos, festejando a vida entre nós, como uma forma de nos fortalecermos como humanos e como religião, sabendo da importância das nossas raízes, de Oxalá e da sua palavra.”

Comparando com o catolicismo, as religiões de matrizes africanas, veem Oxalá como se fosse Jesus Cristo, e Olorum como se fosse Deus todo poderoso. Enquanto católicos e cristãos celebram o período pascal, o Candomblé busca um maior contato com Olorum, munido da certeza de que no plano terrestre a missão dos humanos é fazer o bem.

 

Religiões de matrizes africanas não celebram Páscoa. Créditos: Gabriel Tôrres
Religiões de matrizes africanas não celebram Páscoa. Créditos: Gabriel Tôrres

O objetivo diário, segundo Maria Assunção, é refletir sobre a vida e a passagem na terra, e fazer com que todos possam compreender que precisam ser felizes. “Nos terreiros, como em outras datas, é um momento de festejar, de dizermos que somos importantes por sermos filhos de Olorum.”

Continua Assunção: “é um momento de fazermos diferente na busca incessante por um mundo melhor e com mais amor, um momento de estarmos mais perto da nossa espiritualidade”. Ela explica que não há Páscoa como referência nos princípios do Candomblé, religião que anseia o Axé a todos, ou seja, deseja força, energia positiva, bons fluidos.

O Candomblé procura também estar totalmente conectada com os elementos da natureza e com o meio ambiente.

No espiritismo

A doutrina ou religião espírita também não reconhece a Páscoa em sua filosofia. Os espíritas veem a Sexta-Feira Santa como um dia qualquer, em que realizam suas atividades normalmente, como também não cultuam qualquer outro dia considerado santo no Brasil. Isso porque a rotina doutrinária considera e sempre aborda o Deus vivo, descrucificado.

Para ela, não importa o Deus morto, sofrido, mas a adoração ao Cristo vivo, desconectado da cruz. “Respeitamos as outras religiões, e entendemos que todas têm as suas tradições e costumes. Portanto, já que o calendário estabelece o feriado, nós geralmente aproveitamos a data para promover eventos”, informa José Lucimar, presidente da Congregação Espírita. “Neste ano, estamos fazendo o 1º Acampamento para Jovens Espíritas”, acrescenta.

Os princípios do espiritismo têm cunho científico-filosófico-religioso, e se voltam para o aperfeiçoamento moral do homem, que acredita na possibilidade de comunicação com os espíritos através do fenômeno da mediunidade. Ela busca melhor compreensão não apenas do universo tangível (científico), mas também do universo transcendental (religião), fundamentando-se na figura de Jesus Cristo.

Extraído do Site Capital Teresina

http://www.capitalteresina.com.br/noticias/geral/religioes-de-matrizes-africanas-e-espiritismo-nao-celebram-a-pascoa-8819.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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