Evangélicos discutem enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa

Evangélicos discutem enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa

19 de janeiro de 2017 1 Por Sérgio D`Giyan

17/01/2017 16:20

O seminário “A Luta pela tolerância e igualdade racial no meio Evangélico: perpetuando o legado de Zumbi e Dandara” foi aberto, nesta terça-feira (17), em Salvador, com a participação de pastores, líderes religiosos e representações de organizações da sociedade civil e do poder público. A iniciativa resulta de parceria do Instituto Mão Amiga (IMA) e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), por meio do edital Novembro Negro, e tem como objetivo fomentar a cultura antirracista no meio evangélico.

Representando a Sepromi, o assessor de gabinete Ailton Ferreira destacou o legado do pastor protestante e ativista político estadunidense Martin Luther King na luta pela garantia de direitos da população negra, assim como a criação de estruturas e mecanismos pelo Estado brasileiro para atender as demandas e reivindicações do segmento. “O racismo é elemento estruturante da pobreza. Precisamos ajudar a formatar um país mais inclusivo, compreendendo a diversidade de etnias e religiões, e empoderar os nossos jovens negros. Apoiar toda ação que exista para salvar vidas, independente de fé ou credo”.

Um grupo de trabalho deverá ser criado até o final do evento para dar continuidade às discussões. “Vamos alinhar ações voltadas à promoção da igualdade racial e ao combate à intolerância religiosa no âmbito das igrejas evangélicas”, disse o presidente do IMA, Ademir Santos, ressaltando, ainda, a importância do edital para “debater a temática e construir propostas efetivas, mobilizando as lideranças”. Para o pastor e presidente da Associação de Negras e Negros Evangélicos de Camaçari, Gilberto Cruz, o enfrentamento a intolerância religiosa só será possível através do diálogo.

Programação – O Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia e a Lei Federal 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, foram alguns dos temas discutidos no encontro. Entre as palestras, destacam-se “O empoderamento do movimento negro ao longo da história e no contexto do século XXI”, “Políticas públicas voltadas para a reparação racial na Bahia”, e “O líder evangélico como instrumento mobilizador da tolerância e da igualdade racial”.

Está prevista, até o final do dia, uma oficina sobre a organização de entidades sem fins lucrativos para fortalecer a luta pela igualdade racial. Também participaram da mesa de abertura do seminário Juraci da Silva, do Coletivo Martin Luther King; pastor Henrique Coutinho, ativista do movimento negro evangélico; pastor Carlos Alberto Ferreira da Silva, diretor-geral da faculdade Unicristã; Patricia Oliveira, madrinha dos Agentes de Direitos da Criança e do Adolescente do Estado da Bahia, dentre outras lideranças.

Edital Novembro Negro – No total, foram apoiadas 12 organizações da sociedade civil, para o desenvolvimento de projetos do mês da consciência negra, com investimento total de R$ 300 mil. Os municípios contemplados são Salvador, Camaçari, Capim Grosso, Irecê, Cícero Dantas, Buerarema, Conceição de Coité e Iraquara. Esta edição teve como tema “As Lutas de Dandara e Zumbi pela Promoção da Igualdade Racial”, trazendo personalidades históricas como referências da resistência dos negros escravizados no país.

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Extraído do site da SEPROMI – Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado da Bahia
http://www.sepromi.ba.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=1302