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Evento celebra 40 anos de matriarcado de mãe Stella

Franco Adailton Ter , 08/11/2016 às 20:01 | Atualizado em: 08/11/2016 às 20:04  
Visitantes fizeram fila para reverenciar e pedir bênção à sacerdotisa de 91 anos
Visitantes fizeram fila para reverenciar e pedir bênção à sacerdotisa de 91 anos
  A Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá comemorou 80 anos, nesta terça-feira, 8, com uma cerimônia que também homenageou as quatro décadas sob liderança da iyalorixá mãe Stella de Oxosse. O evento foi prestigiado por autoridades, líderes religiosos, pesquisadores e adeptos do candomblé. Aos 91 anos, sentada em uma cadeira, mãe Stella recebeu os visitantes, que formaram fila para, um a um, parabenizar, agradecer e pedir bênçãos à líder religiosa da casa fundada em 1936 por mãe Eugênia Anna dos Santos, no mesmo dia em que ficou marcada a Revolta dos Búzios de 1798. Antes do início da cerimônia, a sacerdotisa lembrou das dificuldades enfrentadas ao longo do tempo à frente do Opô Afonjá. Para mãe Stella, o trabalho desenvolvido nessas décadas veio acompanhado de uma grande responsabilidade para cuidar das pessoas que buscavam apoio espiritual no terreiro. “São 40 anos lutados e vencidos, com muito trabalho, muita preocupação, grande responsabilidade por atender muitas pessoas”, afirmou. “Com esforço para que todos nós tivéssemos compromisso com o bem, com a verdade. Foi preciso ter sangue forte para chegar até aqui”, completou. Guia além-terreiro Militante do movimento negro, o vereador Sílvio Humberto (PSB) ressaltou que, nesse período, mãe Stella administrou coisas, pessoas e energias. “O que exige grande responsabilidade. Eu costumo dizer que ela é um farol que nos guia além das fronteiras do terreiro”, afirmou o vereador. Para o sociólogo Ailton Ferreira, esse é o registro de um momento histórico da cultura afro-brasileira. “Mãe Stella é uma feminista, mas não do feminismo tradicional. Assim como ocorreu nas demais casas, ela fez do terreiro espaço de reconstrução das famílias separadas pela diáspora”, diz. O pastor protestante Djalma Torres celebrou a sobrevivência das religiões de matriz africana, frente à necessidade de dar continuidade ao combate à intolerância. “Apesar dos avanços, essa é uma prática que ainda persiste por causa da ignorância, fundamentalismo e poder”, avaliou. Titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do estado, Fabya Reis destacou o trabalho não só religioso, mas social do Afonjá. “Essa casa tem contribuído para preservar nosso patrimônio material e imaterial, com ensinamentos da cultura afro-brasileira e o combate à intolerância”, disse. Seminário e livro  O dia de celebrações teve, ainda, a realização do Seminário Aponjá, com conferências do professores-doutores Vanda Machado e Muniz Sodré, além do lançamento do livro Mojubá, Obá Biyi: patrimônio cultural afro-brasileiro, do escritor Marcos Santana.     Extraído do site do Jornal A Tarde  / Salvador – BA http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1814646-evento-celebra-40-anos-de-matriarcado-de-mae-stella

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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