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Excluir religiões africanas de festa olímpica é manifestação mundial de racismo

Para Cida Abreu, ativista do movimento negro, exclusão das religiões de matriz africana do centro ecumênico da Vila Olímpica reforça a intolerância religiosa

Redação30/07/2016 8:00, atualizada às 30/07/2016 10:11

 

Uma das principais religiões brasileiras, o Candomblé foi excluído da Olimpíada pelo COI – Foto: EBC
Uma das principais religiões brasileiras, o Candomblé foi excluído da Olimpíada pelo COI – Foto: EBC

Contrariando a recomendação do Ministério Público Federal, o Comitê Olímpico Internacional manteve a decisão de não representar as religiões de matriz africana do centro ecumênico da Vila Olímpica. O argumento é de que serão contempladas as cinco religiões mais praticadas entre os atletas: cristianismo, islamismo, budismo, judaísmo e hinduísmo.

Para Cida Abreu, ex-presidente da Fundação Palmares, ativista do movimento negro e membro do diretório nacional do PT, a decisão do COI é uma “manifestação mundial de racismo”: “É optar por não aproveitar esse momento para valorizar a cultura de matriz africana como uma deferência a todos os crimes de racismo que acontecem no mundo”.

Cida Abreu, ativista do movimento negro e ex-presidente da Fundação Palmares – Foto: Reprodução/Facebook
Cida Abreu, ativista do movimento negro e ex-presidente da Fundação Palmares – Foto: Reprodução/Facebook

Abreu diz também que o gesto do COI mostra uma “total incompreensão” da diversidade cultural brasileira. Para a ativista, o País não conseguiu mostrar sua identidade quando foi sede da Copa do Mundo, em 2014, e comete o mesmo erro agora com os Jogos Olímpicos. “Mais uma vez, o Brasil não consegue se apresentar. O Brasil é continental, multicultural, pluriétnico, e recebemos todo mundo de braços abertos. Agora, quem foram os primeiros moradores desse país? Não foram os organizadores do COI. A intolerância se fortalece a partir dessas atitudes.”

Ao longo do ano em que esteve na presidência da Fundação Palmares, autarquia ligada ao Ministério da Cultura, Abreu, que é umbandista, teve notícia de oito ataques a terreiros somente no Distrito Federal: “Isso já é motivo para ter a religião na abertura dos jogos”, diz ela. “O País vive uma crise política, de identidade, de representação, de pertencimento, até geracional no que diz respeito a se apropriar dos bens e valores culturais brasileiros. A nossa crise não é somente política, é cultural – a cultura no seu mais amplo conceito na sociedade. Desde os cuidados ambientais até a compreensão do que é a representação e a manifestação cultural no Brasil, de não se preocupar em apresentar um país diverso, generoso, um país inclusivo. Em um momento em que estamos combatendo a intolerância religiosa, a religião mais vitimizada com a intolerância e o crime de racismo é a de matriz africana.”

Abreu diz também que a matriz africana no Brasil tem de ser compreendida não apenas como uma manifestação religiosa, mas cultural: “É um patrimônio cultural ancestral afrobrasileiro, que imprime a presença africana no Brasil”.

 

Extraído da versão digital da Revista Brasileiros / São Paulo – SP
http://brasileiros.com.br/2016/07/excluir-religioes-africanas-de-festa-olimpica-e-manifestacao-mundial-de-racismo/

Link curto: http://brasileiros.com.br/agQKo

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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