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Exposição apresenta o múltiplo Brasil de Carybé

Luis Fernando Lisboa | Ter, 07/04/2015 às 11:10 | Atualizado em: 07/04/2015 às 11:10  
Reprodução   Mostra traz desenhos do artista sobre o descobrimento do Brasil e tradições religiosas africanas
Reprodução
 
Mostra traz desenhos do artista sobre o descobrimento do Brasil e tradições religiosas africanas
Quando leu Jubiabá (1935), Carybé decidiu incluir a Bahia no roteiro da sua primeira viagem ao Brasil em 1938. "Ele queria saber se o que Jorge Amado escreveu era verdade", conta Solange Bernabó, filha do pintor argentino. Segundo ela, a descrição que o autor baiano fez sobre sua terra causou tal impacto no artista que ele teve certeza de que precisava conferir esses encantos. "Ele viu a Bahia numa clara tarde de agosto. Ao chegar aqui, viajou de caminhão, se aventurou em navios, morou com índios e cruzou o país do Oiapoque ao Chuí", afirma. A exposição Aquarelas de Carybé entra em cartaz nesta terça-feira, 7, às 19 horas,  na Caixa Cultural e materializa em duas mostras - Aquarelas do Descobrimento e As Cores do Sagrado - a singularidade com que o estrangeiro conseguiu se apropriar de relevantes aspectos da cultura brasileira e baiana. São cem obras reunidas: 50 delas abordam a história do descobrimento do Brasil e as outras tematizam as tradições do culto aos deuses africanos no candomblé. Solange é a responsável pela curadoria da exposição e afirma que o desejo do seu pai era retratar o cotidiano do povo das Américas. "Por ter vindo de fora, meu pai conseguiu dar vida a manifestações pouco retratadas. É comum quem vive no lugar não atentar para aspectos que estão muito próximos. As histórias dos povos negro e indígena, por exemplo, tiveram espaço de relevância na sua obra". Aquarelas do Descobrimento Em 1967, a editora Sabiá lançava o livro Carta a El Rey Dom Manuel, adaptação da carta de Pero Vaz de Caminha para o rei de Portugal feita por Rubem Braga. De acordo  com Solange Bernabó, a intenção da obra era marcar a comemoração dos 500 anos de Pedro Álvares Cabral. "Todas as ilustrações dessa publicação foram feitas por Carybé a nanquim e reconstituem momentos importantes da expedição que chegou ao nosso país como o primeiro contato entre portugueses e índios e a primeira missa". Ela diz que anos depois, o argentino resolveu aquarelar essa série de desenhos e hoje eles chegam inéditos à exposição no formato 42 x 30 cm emoldurados em vidro e passe-partout. As Cores do Sagrado Solange destaca o trabalho de registro executado por Carybé entre os anos de 1950 e 1980 em casas de candomblé de Salvador. "Esse é um parêntese na obra de meu pai porque é documental. As cerimônias não podiam ser fotografadas, então ele contou apenas com sua memória visual". Solange explica que Carybé era obá de xangô do Ilê Axé Opô Afonjá, então comandado por Mãe Senhora, e aos poucos passou a ter mais conhecimento sobre os rituais. "Dessa forma, ele pôde retratar com mais exatidão as festas, os eventos de iniciação e até incorporação dos orixás". Carybé também visitava periodicamente outras casas, como o Gantois, Bate Folha e Casa Branca. "Tivemos um trabalho difícil de selecionar as 50 imagens que seriam expostas em um universo de 128 aquarelas". Todas estão reunidas no livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, publicado pelo governo da Estado em 1981 e hoje esgotado nas livrarias. Depois de Salvador, a exposição ainda vai passar por Recife e Rio de Janeiro. Obra perpetuada O próximo passo para a manutenção do legado deixado por Carybé à cultura brasileira é a implantação do Espaço Cultural Carybé. Solange diz que o projeto está em vias de finalizar o processo de licitação e confirma que ele será instalado no Forte de São Pedro, localizado no Campo Grande. "Será um espaço virtual e sem obras físicas, por conta da proximidade com o mar. O projeto não está totalmente formado, mas tudo que venha contribuir para divulgação do trabalho dele nos interessa". Programe-se O quê: Exposição "Aquarelas de Carybé" Quando: De terça a domingo, das 9h às 18h, até 17 de maio (abertura nesta terça-feira, 7, às 19h) Onde: Caixa Cultural Salvador (Rua Carlos Gomes, 57, Centro) Quanto: Gratuito Informações: (71) 3421-4200   Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador - BA http://atarde.uol.com.br/cultura/exposicao/noticias/1672069-exposicao-apresenta-o-multiplo-brasil-de-carybe

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Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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