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Exposição ‘Coração da Casa’ destaca a comida dos orixás e a identidade afro-brasileira

15/09/2017às 10:49 

Da Redação


Reconhecer o modo de preparo e a relação sagrada com o alimento como patrimônio intangível que faz parte da identidade afro-brasileira é o que propõe a exposição Coração da Casa, que será aberta na próxima quarta-feira (20), às 19h, no Raiz Forte Espaço de Criação, no Centro de Vitória. Por meio de registro visuais (fotografia, vídeo e outros objetos), essa proposta expositiva narrará o modo de feitura do Akará, o popular acarajé, comida ritual da orixá Iansã. 

Além das visitações, essa iniciativa contará com rodas de conversa sobre patrimônio cultural, cultura afro-brasileira e diversidade religiosa, e com uma programação especial na abertura e no encerramento. Todas as atividades são abertas ao público.

A exposição Coração da Casa busca promover a valorização do saber em torno da culinária dos orixás e foi resultado de uma oficina de preparo do acarajé realizada no último mês de agosto, onde cerca de 30 participantes acompanharam, durante um dia inteiro, a rotina de uma casa de Candomblé. Essa atividade vivencial foi sediada no Ilè Asé Odé T’Ojú Òmó – Casa do Caçador, em Praia Grande, Fundão, espaço religioso e ponto de memória.

A cultura ancestral afro-brasileira tem no Candomblé um dos principais sítios de sua expressão e preservação. Os saberes, os valores, a estética e a espiritualidade dos diversos grupos étnicos que para cá vieram através da diáspora se mantêm vivos nas práticas e no cotidiano das casas de santo. A cozinha é o espaço de maior interação nos terreiros de Candomblé. 

Ali se elabora, de modo comunitário, o alimento votivo – a comida dedicada aos orixás. Sua feitura demanda o trabalho coletivo dos filhos da casa, seja para atender às demandas das funções internas ou para a preparação das festas abertas à comunidade, que têm como característica a receptividade carinhosa e a fartura de alimentos aos visitantes.

Sobre o acarajé
 O akará, mais popularmente conhecido como acarajé, é um alimento que representa bem a ancestralidade e a importância das comidas de orixá enquanto repositório da memória ancestral. O acarajé veio com os escravos nagôs das regiões iorubás da Nigéria e do atual Benin, em terras brasileiras era oferecido às divindades nos emergentes terreiros de candomblé da Bahia desde o início do século XIX, e tomaram as ruas e o domínio público com os tabuleiros das baianas.

Comida ritual da orixá Iansã, ou Oiá, o acarajé tem origem na junção de duas palavras do iorubá: “Akàrà”, que significa “bola de fogo”, e “jé”, comer. Considerado uma comida sagrada pelas baianas, quituteiras cujas primeiras representantes eram africanas alforriadas do Brasil Colônia e cujo ofício foi reconhecido como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2005.  

O projeto Coração da Casa conta com recursos do Fundo Estadual de Cultura do Espírito Santo, por meio do Edital nº 05/2016 – Seleção de Projetos Culturais e Concessão de Prêmio para Pontos de Memória, e com o apoio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Ufes (NEAB) e do Raiz Forte Espaço de Criação. A realização é do coletivo cultural Iaoto – organização que promove o reconhecimento dos saberes ancestrais vinculados às religiões de matriz africana, especialmente ao Candomblé.

 

PROGRAMAÇÃO

 

-1ª Semana

 

Quarta-feira (20)

19h às 22h: abertura

 

Quinta-feira (21)

13h às 18h: visitação de escolas

 

Sexta-feira (22) 

13h às 18 horas: visitação de escolas

 

Sábado (23)

16h às 20h: Roda de Conversa Patrimônio Imaterial, com Babalorixá Gildo de Oxóssi e Fernanda Barbosa (historiadora e mestre em Ciências Sociais pela Ufes)

 

– 2ª Semana

 

Quarta-feira (27): 

15h às 17h: Roda de Conversa Orixás, alimento e ancestralidade, com Babalorixá Gildo de Oxóssi, Coletivo Soy Loco por Ti e FASE – Campanha Nenhum Poço a Mais

 

Quinta-feira (28) 

8h às 12h: visitação de escolas

 

Sexta-feira (29)

8h às 12h: visitação de escolas

 

Sábado (30) 

16h às 20h: Encerramento com performance étnico religiosa Akará L’Oyá, do Coletivo Iaoto

 

Serviço

A exposição Coração da Casa será aberta na próxima quarta-feira (20), às 19h, no Raiz Forte Espaço de Criação. Escadaria do Rosário, 120, Centro, Vitória. Todas as atividades são gratuitas.

 

 

Extraído do site de notícias Século Diário / Vitória – ES
http://www.seculodiario.com.br/35756/13/exposicao-coracao-da-casa-destaca-a-comida-dos-orixas-e-a-identidade-afro-brasileira

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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