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Exposição sobre cultura africana inaugura primeira galeria de arte pública da Baixada

Publicado em 22/11/16 07:00

 

Objetos afros fazem parte de exposição Foto: Cléber Júnior / Extra
Objetos afros fazem parte de exposição Foto: Cléber Júnior / Extra

Igor Ricardo

 

Na Semana da Consciência Negra, Nilópolis inaugurou, nesta segunda-feira, a primeira galeria de arte pública da Baixada com uma exposição sobre a história dos povos africanos na região. A mostra, intitulada “Africanidades na Baixada Fluminense — Contribuição do Negro na Formação da Identidade Brasileira”, reúne gravuras, mapas e peças arqueológicas que permitem ao público ver, de perto, parte do legado cultural e histórico deixado pelos negros. Todo o acervo é do historiador Marcus Monteiro, responsável pela curadoria do evento.

Arte sacra tem autoria de Mestre Valentim e Joaquim José da Veiga Valle Foto: Cléber Júnior / Extra
Arte sacra tem autoria de Mestre Valentim e Joaquim José da Veiga Valle Foto: Cléber Júnior / Extra

— São mais de 200 peças na exposição. Acho que levei mais de 30 anos para juntar todas. É um material inédito e muito raro. Vale a pena conferir — afirmou Monteiro.

Há itens como bronzes do Benin, na África ocidental, dos séculos 18 e 19; gravuras do pintor francês Jean Debret e instrumentos usados por escravos.

Para Mãe Ciara D’ Oyá, ialorixá do Terreiro Ilé Oyá Omo Silé, que fica na cidade, a mostra traz uma forte mensagem de tolerância e de preservação da identidade negra na Baixada. Seu terreiro tem mais de cem anos e é considerado um dos mais tradicionais dentro do candomblé.

Quadros fazem parte de exposição Foto: Cléber Júnior / Extra
Quadros fazem parte de exposição Foto: Cléber Júnior / Extra

— Nós vemos aqui as máscaras geledés, usadas por algumas mulheres africanas para esconder o rosto. É a nossa ancestralidade — contou Mãe Ciara.

A Galeria Municipal de Artes Willy Voigt fica na sede da Prefeitura de Nilópolis, na Rua Pedro Álvares Cabral 305, no Centro. A exposição fica em cartaz até sexta-feira, das 9h às 17h. A entrada é gratuita.

Mãe Ignez D’ Yansã mostra máscara produzida por mulheres para cultos afros Foto: Cléber Júnior / Extra
Mãe Ignez D’ Yansã mostra máscara produzida por mulheres para cultos afros Foto: Cléber Júnior / Extra

Muito além da religião

A exposição foi organizada em cerca de 15 dias pela Secretaria municipal de Cultura de Nilópolis, liderada pelo secretário Augusto Vargas. O acervo será visitado por alunos da rede pública da região durante passeios escolares.

Lideranças negras aprovaram iniciativa Foto: Cléber Júnior / Extra
Lideranças negras aprovaram iniciativa Foto: Cléber Júnior / Extra

— Quem hoje mantém viva a cultura afro? Temos que valorizar todas essas pessoas que ainda cultivam as tradições de seus povos de origem — argumentou Augusto.

Além do historiador Marcus Monteiro, o secretário de Cultura ouviu lideranças do movimento negro na Baixada para montar a mostra. Dois deles foram o poeta e ativista Macedo Griô e a Mãe Ignez D’ Yansã, ialorixá do Ilé Axé D’ Ogum-Já e presidente da ONG Ciafro.

— Essa exposição mostra que nossa cultura vai muito além da questão religiosa. Temos vocabulário, gastronomia e vestimentas próprias… Tudo isso faz parte da nossa formação de identidade — explicou Mãe Ignez.

 

Extraído do site do Jornal Extra on line / Rio de Janeiro – RJ
http://extra.globo.com/noticias/rio/exposicao-sobre-cultura-africana-inaugura-primeira-galeria-de-arte-publica-da-baixada-20514102.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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